Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria maneira de sentir, ver e pensar. Poucas pretensões podem ser tão erradas como tentar substituí-la pela forma como nos sentimos, vemos ou pensamos, porque as crianças nunca serão cópias dos seus pais. As crianças são filhas do mundo e são feitas de sonhos, esperanças e ilusões que se acumulam nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há alguns meses saiu uma notícia que nos desconcerta e nos convida a refletir. No Reino Unido, muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que aos 6 possam fazer um teste, que lhes permite ter acesso às melhores escolas. Um suposto “futuro promissor” pode causar a perda da infância.

De que adianta uma criança saber os nomes das luas de Saturno, se não sabe como lidar com a sua tristeza ou raiva? Eduquemos crianças sábias nas emoções, crianças cheias de sonhos, e não de medos.

Hoje em dia, muitos pais continuam com a ideia de “acelerar” as habilidades de seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, colocá-los para dormir ao som de Mozart enquanto ainda estão no útero. Pode ser que essa necessidade de criar filhos aptos para o mundo esteja a educar filhos aptos apenas para si mesmos. Criaturas que com apenas 5 ou 6 anos sofrem o estresse de um adulto.

 

Os nossos filhos e a competitividade do ambiente

Todos sabemos que nas sociedades em mudança e competitivas são necessárias pessoas capazes de se adaptarem a todas as exigências. Também não temos dúvidas de que crianças britânicas que conseguem entrar nas melhores escolas, conseguirão amanhã um bom trabalho.

No entanto, também é necessário perguntar … Terá valido a pena todo o custo emocional? O perder a infância? O seguir as orientações de seus pais desde os 5 anos?

As crianças são feitas de sonhos e devem ser tratadas com cuidado. Se lhes dermos obrigações de adultos enquanto ainda são apenas crianças, arrancamos-lhes as asas, fazendo-as perderem a sua infância.

 

Respeitar o tempo, o afeto e os sonhos

A nossa obrigação mais importante é dar às crianças um “raio de luz”, para depois seguirmos o nosso caminho.
Maria Montessori

A curiosidade é a maior motivação do cérebro de uma criança, por conseguinte, é conveniente que os pais e educadores sejam facilitadores de aprendizagem, e não agentes de pressão. Vejamos agora abordagens interessantes sobre a parentalidade que respeita os ciclos naturais da criança e suas necessidades.

 

Pais sem pressa – Slow Parenting

O “Slow Parenting” (pais sem pressa) é um verdadeiro reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a desacelerar, a sermos mais conscientes do que nos rodeia. Portanto, no que se refere à criança, promovemos um modelo mais simplificado, de paciência, com respeito aos ritmos da criança em cada fase de desenvolvimento.

 

Os eixos básicos que definem o Slow Parenting serão:

  • A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo;
  • Nós não somos “amigos” de nossos filhos, somos suas mães e pais. Nosso dever é amá-los, orientá-los, ser seu exemplo e facilitar a maturidade sem pressão;
  • Lembre-se sempre de que “menos é mais”. Que a criatividade é a arma dos filhos, um lápis, papel e um campo têm mais poder do que um telefone ou um computador;
  • Compartilhe tempo com seus filhos em espaços tranquilos.

 

Parentalidade respeitadora consciente

Embora o mais conhecido desta abordagem seja o uso de reforço positivo sobre a punição, este estilo educativo inclui muitas outras dimensões que valem a pena conhecer.

 

Devemos educar sem gritar.

O uso de recompensas nem sempre é apropriado: corremos o risco de nossos filhos se acostumarem a esperar sempre recompensas, sem entenderem os benefícios intrínsecos do esforço, realização pessoal.

Dizer “não” e estabelecer limites não vai gerar nenhum trauma, é necessário. O forte uso da comunicação, escuta e paciência. Uma criança que se sente cuidada e valorizada é alguém que se sente livre para manter os sonhos da infância e moldá-los até a idade adulta.

Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e asas às suas expectativas.

Fonte: A Mente é Maravilhosa por por Valeria Sabater

As Crianças Obedecem Quem elas Admiram

As Crianças Obedecem Quem elas Admiram

Todas as famílias já se perguntaram em algum momento: por que meu filho não me obedece? Às vezes, a criança obedece a professora, mas não aos pais, às vezes, só a um dos pais e não ao outro, e em alguns casos as crianças obedecem de vez em quando, mas não sempre.

Existe uma explicação para isso, e um jeito de mudar. Maria Montessori respondeu essas perguntas e explicou como o adulto pode se tornar digno da obediência da criança, em seu melhor livro, Mente Absorvente.

No livro, Montessori explica que a obediência se desenvolve em três níveis, e que só no terceiro a criança consegue obedecer de verdade. Vamos conhecer os três níveis agora, e entender como ajudar a criança em cada um deles.

 

1. Primeiro Nível da Obediência

As crianças que estão no primeiro nível da obediência obedecem de vez em quando, mas não obedecem sempre. A obediência exige que a criança abra mão do que ela gostaria de fazer, para executar o que outra pessoa pediu.

No primeiro nível, a criança obedece quando a sua vontade e a da pessoa que pediu são iguais, ou, mais raramente, quando tem sucesso em suplantar a sua vontade pela do outro.

É muito fácil para um adulto se incomodar com a falta de constância na obediência da criança. “Se ela consegue me obedecer de vez em quando, por que não sempre? Ela só faz as coisas quando quer!“, é o que pensa o adulto.

E ele não sabe que está correto, mas que sua raiva está mal colocada. Por enquanto, a criança ainda não amadureceu o suficiente para abrir mão de sua vontade pela vontade do outro. Nesse período, precisamos ter paciência e continuar a oferecer para ela um excelente ambiente, um comportamento adulto paciente e útil, e escolhas.

 

2. Segundo Nível da Obediência

O segundo nível da obediência me parece ser o mais crítico de todos. Nele, a criança tem muito mais sucesso em suprimir a sua vontade e executar a vontade do outro. Ela está suficientemente desenvolvida para obedecer com muita frequência. Mesmo assim, de vez em quando falha, porque afinal de contas ela tem vontades, e por vezes vai se opor à nossa vontade.

Nesse período, quase todos os adultos param, e vivem uma disputa eterna com as crianças, que pode durar muitos anos. Como sabem que a criança é capaz de obedecer, os adultos usam todas as ferramentas que têm para chegar à obediência.

Castigos e prêmios surgem com força aqui, e não desaparecem mais. Recompensas, chantagens, barganhas, tudo aparece nesse período, para conquistar a obediência da criança. Geralmente não funciona. Mas mesmo quando funciona, tudo o que essas ferramentas fazem é impedir a criança de chegar ao terceiro nível.

 

3. Terceiro Nível da Obediência

No terceiro nível da obediência acontece a mágica de Montessori. A criança deixa de obedecer porque é capaz, e passa a obedecer porque deseja e sente prazer. No terceiro nível, a criança se mostra quase ansiosa para receber orientações e seguí-las com o máximo de perfeição.

Mas não são todos os adultos que chegam a esse ponto com suas crianças. Existe um adulto que a criança gosta de obedecer.

A criança obedece com prazer os adultos que ela admira. A obediência que a maioria dos adultos conseguem vem da opressão, do medo, da recompensa, ou da troca. Mas a obediência que traz felicidade à criança não é essa. Ela obedece feliz quando obedece porque admira. Quem a criança admira?

 

O Adulto Admirável

O adulto que consegue compreender as necessidades da criança, organizar para ela um excelente ambiente, ter com ela um comportamento elegante, cuidadoso, amoroso e firme, que a ajuda a conquistar a própria independência e que respeita sua necessidade de trabalhar sozinha sem ser interrompida… Esse é o adulto admirável.

A criança olha para esse adulto e pensa: “Ele é sábio. Ele me vê por dentro. Se eu seguir o que ele pede, posso me tornar alguém assim”, e a criança obedece não porque ela é menor e nós maiores, mas porque nós somos fascinantes e ela deseja se transformar em um adulto fascinante também.

Parar no segundo nível da obediência, como quase todo mundo faz, leva a um mundo de pessoas obedientes em excesso, que questionam pouco as regras absurdas de nosso mundo, e estão dispostas até mesmo a matar e morrer por obediência cega a líderes ruins.

Pela felicidade de nossos filhos e pelo bem da humanidade, devemos saltar para o terceiro nível da obediência, em que a criança escolhe obedecer as pessoas que ela admira, quando as ordens são razoáveis.

Nem toda ordem deve ser obedecida. Nem todo adulto merece obediência, e a criança sabe disso. Se abrirmos mão dos castigos e dos prêmios, descobriremos de novo nossas crianças, e então, nos tornando adultos admiráveis, conquistaremos sua confiança, admiração e, se for bom para todos, sua obediência feliz.

Em Montessori não defendemos crianças disciplinadas, mas autodisciplinadas, não as que obedecem cegamente, mas as que podem escolher obedecer quando a vontade do outro é melhor que a sua, e vale a pena abrir mão da sua para seguir uma que é melhor e, sobretudo, admirável.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

O que faz uma “Família Montessoriana”?

O que faz uma “Família Montessoriana”?

No título deste texto, usei aspas em Família Montessoriana, e ao longo do texto usarei itálico. Farei isso para repetidamente deixar claro: famílias montessorianas não existem. Assim como não existe método Montessori e não existem princípios montessorianos.

 

A lembrança importa

Chamamos de método Montessori um determinado conjunto de princípios filosóficos, psicológicos e pedagógicos, que tiveram seu início ao longo da primeira metade do século XX por ação direta de Maria Montessori.

Ela mesma, porém, não tomou para si o método que desenvolveu e nem o batizou com seu nome. Até o fim de sua vida, quando se referia ao método pelo seu nome, dizia algo como “aquilo que chamam de método Montessori”.

 

Pedagogia Científica

O nome preferido por Montessori para a ciência da infância à qual deu o passo inicial foi Pedagogia Científica.

A lembrança do nome original e da forma de pensar de Maria Montessori evita que nos confundamos e nós digamos montessorianos quando, de fato, admiramos Montessori e sua criação, mas não levamos à prática os postulados científicos que propôs.

 

A ideia deste texto é ajudar famílias que descobriram Montessori há pouco tempo em seus passos iniciais, e dar suporte às famílias que já buscam utilizar Montessori em casa tanto quanto possível. Além disso, esse texto tem a estrutura de uma lista, então você pode ler aos poucos.

 

1. Famílias Montessorianas preparam o ambiente das crianças

Um dos pilares da pedagogia desenvolvida por Maria Montessori é a preparação do ambiente da criança. Preparar um ambiente significa olhar para ele do ponto de vista dos pequenos e realizar as modificações necessárias para que as crianças possam ter liberdade e independência.

 

Com base nessa ideia, utilizamos uma cama que fica muito próxima do chão, para que a criança não precise escalar a cama na hora de dormir.

 

A partir disso, também, instalamos uma barra no quarto das crianças que estão aprendendo a andar, para que elas possam se tornar independentes de nós nessa ajuda e possam se exercitar sempre que quiserem com segurança. Colocamos um espelho, para que a criança se conheça.

Em outros cômodos também tornamos a vida da criança mais próxima de uma vida total e feliz: comida, água e bebidas apropriadas podem ficar ao seu alcance em pequenas quantidades, o banheiro pode ter um banquinho e um penico, para que a criança alcance a pia e possa utilizar o banheiro sem precisar do equilíbrio do encaixe no vaso sanitário e com o mesmo conforto que um adulto tem quando se senta para suas necessidades.

 

A sala pode ter um cantinho da criança e, pensando no exercício de sua liberdade e de sua independência, precisa permitir o movimento. Por isso, é importante ensinar a criança a segurar da forma certa tudo o que quebra ou, enquanto ela é nova demais, modificar a localização de alguns pertences, para que corramos todos menos riscos.

 

A ideia não é restringir a vida do adulto, como muito se coloca. Mas possibilitar a vida da criança, como faríamos, talvez, com um adulto que não enxergasse ou não pudesse caminhar. A criança é um habitante da casa, e deve ser respeitada.

 

Quando defendemos a preparação do ambiente da criança, não falamos de adaptação. Permita que repitamos: não falamos de adaptação. O ambiente da criança conforme a orientação de Montessori é o mais próximo possível do ambiente natural.

 

Ambientes naturais são, por natureza, essencialmente baixinhos. Há água disponível na altura do chão, arbustos com frutas, raízes comestíveis, abrigo, tudo. Há toda uma vida que não chega à cintura de um adulto. Então, quando preparamos o ambiente para a criança, nós não adaptamos.

 

Nós preparamos ou, no máximo, retornamos a aquilo que é natural para o desenvolvimento da criança pequena, e com o que convivemos por quase dez mil anos de civilização, sem contar os milhões de anos de evolução.

 

2. Famílias Montessorianas escutam, vêem e observam as crianças

Todos nós escutamos, vemos e observamos crianças, pode-se argumentar. E então, podemos pensar na frase de Saramago: Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

A ideia de escutar, ver e observar a criança não é a de conviver com ela, com o celular, com a refeição em preparo, com as tabelas numéricas e com as obrigações diversas ao mesmo tempo.

 

A ideia é, pelo menos durante alguns momentos (quem sabe, de forma otimista, períodos) do dia realmente viver junto, escutar com atenção, ver com amor, observar com cuidado.

Para termos clara ideia de quanto devemos escutar, ver e observar nossas crianças, podemos pensar em quanto escutamos, vemos e observamos aqueles a quem escolhemos amar, no início do relacionamento.

 

Uma infinidade de conflitos pode ser prevenida simplesmente por ouvirmos nossos pequenos e tentarmos compreender o que os está chateando. Às vezes, são mesmo coisas que não podemos remediar. Mas às vezes podemos e, nesses casos, vale a pena tentar – e só podemos tentar, se pudermos ouvir. Precisamos fazer isso entre adultos também, na verdade.

 

Precisamos ver nossas crianças. Prestar atenção nelas. Precisamos ver como estão seus olhos, por exemplo. Precisamos checar se brilham. Os olhos das crianças devem brilhar. De interesse, de alegria, de curiosidade, de criatividade, de suspense, de atenção, de concentração, de esforço, de contentamento, de tranquilidade, de afeto, de segurança, de amor.

 

Os olhos deles têm motivo para brilhar o tempo todo. Se não estiverem bem brilhantes (e como professor e palestrante, convivendo com muitas crianças de cada vez, eu infelizmente posso dizer com certeza que não são todas as crianças que têm olhos brilhantes), se não brilharem por tudo o que há na vida, então há algo muito errado.

 

Pode ser a televisão, que apaga a luz dos olhos na medida em que emite luz da tela. Pode ser a falta de independência, que pedra por pedra des-edifica o interesse da criança pelo mundo.

 

Pode ser o autoritarismo, que deixa tão pouco espaço para ação que não vale mais a pena achar graça na vida. Pode ser a escola, que age de forma a violentar a natureza da criança, e a violência apaga mesmo o brilho dos olhos.

 

Precisamos fazer de tudo para manter o brilho nos olhos de nossos filhos e alunos. E precisamos fazer de tudo para reavivá-los, se começam a esmorecer. Sobretudo, precisamos observar as crianças pequenas.

Precisamos ver o que querem fazer agora. Precisamos observar que tipo de independência estão tentando adquirir e tentar entender como podemos ajudar indiretamente – sem substituir a criança em seus esforços.

 

Precisamos registrar nossas observações de algum jeito, para que possamos compreender nossas crianças melhor, e ajudá-las com mais certeza, e mais cuidado. Observar, e registrar observações, é uma forma de garantir que estamos dando atenção às nossas crianças – o perigo de nos tornarmos famílias burocratas é tão pouco presente que não vale tratar dele.

O registro da observação precisa vir sempre depois da necessidade de atenção e amor, é claro. Mas é bom que exista.

 

3. Famílias Montessorianas amam, conhecem e exploram o universo com as crianças

Maria Montessori disse que não era suficiente amar a criança. “Antes, é necessário amar e conhecer o universo”.

Se desejamos que nossas crianças possam satisfazer o interesse que têm naturalmente pelo mundo, se esperamos que sua curiosidade seja a maior motivação para seu aprendizado, e se queremos que no presente e no futuro elas possam cumprir de forma exemplar seu papel no mundo, precisamos ter verdadeira paixão por esse mundo. Fascínio mesmo. E enxergar nele belezas quase indescritíveis.

É preciso, por exemplo, olhar para uma árvore e enxergá-la com uma incrível elo em uma sequência infindável de vida que faz o universo – pelo menos o Planeta Terra – funcionar em equilíbrio.

 

É preciso ver na lagarta que caminha pela casca um ser vivo cumprindo sua tarefa cósmica e próximo a se tornar uma borboleta, que irá polinizar flores e permitir que a Natureza se mantenha, assim.

 

É preciso ver beleza onde há vida, e onde não há. Perceber a imensidão da Terra sob nossos pés e a da atmosfera acima de nossas cabeças. É preciso reconhecer essa beleza que deixou há muito de ser óbvia, desde que nos desligamos da natureza e dos rituais que a celebravam. O caminho de retorno a esse encanto, hoje, para a maior parte de nós, acontece por meio da ciência.

 

O mundo humano, também, cheio de encantos, é tema de maior interesse para as crianças mais velhas. De seis ou sete anos em diante.

As culturas, os costumes, as línguas, as formas de viver, as festas, as religiões, as diferentes versões da(s) História(s) e as várias formas de retrato do humano, nas artes plásticas, na poesia, na música – e também na agricultura, no comércio, na construção de cidades.

 

Assim como os limites da compreensão e da exploração humana, à Lua, ao Everest, ao fundo do mar, às selvas mais escondidas. Da mesma forma que os testes máximos do humano, contra a fome, a sede, a luta pela sobrevivência e todo tipo de máximo e mínimo atingido pelo humano, tudo interessa, tudo deve nos interessar.

 

De tudo o que lermos, assistirmos, escutarmos podemos tirar pedacinhos de conhecimento que formarão verdadeiros universos em nossas conversas com nossas crianças, e nos permitirão ajudar os pequenos a desbravar a humanidade e o planeta que habita.

 

4. Famílias Montessorianas compreendem as necessidades do desenvolvimento

Não acima de tudo, mas sem dúvidas em posição de grande importância, se encontra o conhecer o desenvolvimento. Não é necessário ser um especialista em cada osso, órgão, nervo e estágio psicológico das crianças.

 

Mas é necessário conhecer um pouco do desenvolvimento motor, especialmente até os três anos, e encontrar uma linha com a qual você concorde, e que faça algum sentido cientificamente, no caso de Montessori, para explicar o desenvolvimento mental das crianças.

 

No caso de Montessori, o livro Mente Absorvente e o livro A Criança são os dois melhores locais para se encontrar esse tipo de informação. O primeiro explica o desenvolvimento das capacidades mentais da criança e os motivos psicológicos pelos quais nós podemos e devemos deixar a criança em liberdade, além de explicar o desenvolvimento da fala e o das mãos.

 

Já o segundo traz importantes observações sobre a saúde mental da criança pequena e o que chamamos de períodos sensíveis – intervalos ao longo do desenvolvimento durante os quais a criança está mais apta a determinados aprendizados ou à aquisição de determinadas habilidades.

 

Para isso é mesmo necessário estudar um pouco. Mas em pouco tempo você aprende o básico necessário para compreender melhor sua criança. Compreendendo-a, você será capaz de proporcionar a ela liberdade, experiências e objetos muito mais adequados ao estágio de desenvolvimento em que se encontra, e esse tripé tornará a vida de vocês muito mais tranquila e muito mais feliz.

 

5. Famílias Montessorianas vivem uma revolução

Esse tópico foi, na verdade, o que me motivou a escrever o texto inteiro. Utilizar os princípios descobertos por Montessori para auxiliar a vida da criança não é comum. Não é o que se faz em larga escala hoje. Não é o que se espera que seja feito.

 

Não é o que as prateleiras de livrarias sobre vida em família sugerem que se faça, e não é o que os programas de televisão sobre disciplina infantil pregam. Viver de acordo com as necessidades da criança, permitindo sua liberdade e favorecendo sua independência é um imenso serviço de compaixão, intenso e profundo, que modifica a forma como enxergamos a vida e como a vivemos.

 

Montessori disse, em Mente Absorvente, que o que nos trazia era uma revolução pacífica, que não deixaria intocado nada do que existe no mundo, e que se levada até o final, seria a última de todas as revoluções.

As famílias que hoje carregam Montessori para suas crianças, e as escolas que compreendem essas famílias, compreendem essas crianças, e levam Montessori verdadeiramente à sua prática também, são a linha de frente da revolução mais fundamental da humanidade. Aquela que terminará com o problema social mais universal que temos: a opressão da infância.

Se você pesquisou, leu, compreendeu e começa a aplicar Montessori agora, seja bem vindo. Se você já o faz há algum tempo, vamos juntos. Nossa revolução é universal, e ao mesmo tempo é muito, muito pequena.

 

É uma revolução de detalhes: uma jarra que caiba nas mãos de nossas crianças, uma cama alguns centímetros mais baixa e um sabonete que seja pequeno o suficiente para não escorregar das mãos de nossos filhos e alunos. Nossa revolução é bem pequena.

Mas tem a força do sorriso de seu filho. E o brilho de seus olhos. Nessa revolução, conte com amigos, colegas, pessoas que possam apoiar você em sua caminhada, e possam ajudar você sempre que necessário.

 

Você não deve e não precisa ser sozinho na aplicação de Montessori para ajudar a vida de sua criança. Nós todos queremos um mundo de paz. Nós todos queremos ajudar a vida.

 

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

 

Educação Financeira na Infância

Educação Financeira na Infância

A importância da Educação Financeira na Infância do seu filho

Quem nunca se deparou com aquela cena típica de Shopping Center, uma criança gritando descontroladamente querendo um certo brinquedo?  Não contente, ela se joga no chão e inicia a encenação, que se não fosse cômica, diríamos que seria um anúncio de uma tragédia.

 

Mas o que fazer?

É importante saber dizer não! Mas quando dizer não? Os pais, muitas vezes cedem, por vergonha ou penalizados pela cena de seu filho, tão pequeno, jogado naquele chão frio do shopping. Coitadinho!

 

E você? Como se comporta?

O seu filho está fazendo um escândalo na porta de uma loja, o que você faz? Com vergonha cede e compra o que ele pediu, ou diz NÃO? Você provavelmente quer livrar o seu filho do consumismo desenfreado? Então, está na hora de começar a pensar no assunto, na Educação Financeira de seu filho.

Não se esqueça que a criança não nasce consumista, o consumismo é um hábito que pode ou não ser incentivado nas crianças.

 

Então, a lição vem de casa?

Sabemos que Educação Financeira ainda não é um tema tratado comumente nas escolas e por isso, muitos aprendem com a vida. Por isso, talvez seu filho comece a se espelhar nos exemplos que ele vivencia dentro de casa.

Os jovens estão imersos em uma sociedade de consumo e se não forem orientados, poderão perder a noção do valor do dinheiro.

 

Como combater isso?

A Educação Financeira começa na infância! Alguns especialistas já afirmam que a Educação Financeira começa na barriga!

Já é comprovado que um bebê de 18 meses consegue identificar logotipos e antes de completar 2 anos saberá pedir presentes pela marca.

 

Socorro!

O que faremos com esse bebê quando ele se tornar um adolescente? Bem, saiba que aos 10 anos, o pré-adolescente tem de 300 a 400 marcas na memória e consome uma grande quantidade de produtos, sem precedentes.

As crianças e os adolescentes estão na mira dos publicitários, pois eles são a alma do negócio de muitas empresas. Por isso, é fundamental  a  criança entender a diferença entre “ o desejo e a necessidade”; o “querer e o precisar”.

 

Precisamos encontrar um equilíbrio.

Não queremos estimular os nossos jovens para que eles se tornem poupadores exagerados, também não queremos que os nossos filhos se tornem consumidores compulsivos. É preciso haver um equilíbrio.

 

É preciso consumir com consciência.

 

Fonte: educafinanceira.com.br


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Dia da Mulher

Dia da Mulher

Maria Montessori: a mulher e o método

Médica, educadora e feminista, mulher que deu nome a uma revolução na escola inspira transformações em várias áreas do conhecimento

Maria Tecla Artemesia Montessori nasceu em 1870 em Chiaravalle, Itália. O pai era um oficial do Ministério das Finanças e a mãe, uma mulher bem educada para os parâmetros da época.

Os dois queriam que ela fosse professora mas, em 1896, tornou-se a primeira mulher no país a se formar em medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Roma, com foco na neuropatologia.

Como não se admitia uma mulher examinando o corpo de um homem, não pôde exercer a profissão, iniciando um trabalho com crianças com necessidades especiais na clínica da universidade.

 

Casa dei Bambini

Observando crianças que brincavam nas ruas e percebendo as necessidades infantis, Maria Montessori começou a experimentar procedimentos e criou um espaço educacional, batizado por ela de “Casa dei Bambini”, ou “Casa da Criança” (não era feita para crianças, mas era das crianças).

 

Surgimento do Método Montessori

Resolveu estudar pedagogia e começou a criar técnicas para que os pequenos aprendessem a conhecer o mundo e a desenvolver sua aptidão para organizar a própria existência. Por volta de 1907 surgiu o Método Montessori, que compreende um conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos.

 

A proposta

escola prisma dia da mulherA proposta partia da criação de um ambiente mais criativo e estimulante, onde a criança fosse capaz de aprender por meio das próprias experiências, desenvolvendo-se de forma espontânea e saudável.

Com base em anos de observação, Montessori concluiu que o desenvolvimento se dá em “períodos sensíveis” e em cada época predominam características e sensibilidades específicas.

Sem deixar de considerar o que há de individual, a educadora traçou perfis de comportamento e de possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, dividindo o método em seis pilares: autoeducação, educação como ciência, educação cósmica, ambiente preparado, adulto preparado e criança equilibrada.

 

Felicidade como prova de sucesso do processo

Ela defendia que todos os princípios devessem funcionar em união para que a criança se desenvolvesse de forma completa e equilibrada, tendo a felicidade como uma das provas de sucesso do processo educacional.

O método tem sido utilizado em escolas em todo o mundo, do berçário ao ensino médio, e também em escolas especiais, clínicas de psicopedagogia e nos lares.

Clínicas de repouso aproveitam características do método montessoriano para o tratamento de demência e Alzheimer e iniciativas empresariais aplicam alguns princípios para o desenvolvimento de negócios.

Algumas das maiores personalidades do mundo moderno foram educadas no método montessoriano, entre eles, os fundadores da Google Sergey Brin e Larry Page.

 

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