Método Montessori: 10 Princípios para Educar Crianças Felizes

Método Montessori: 10 Princípios para Educar Crianças Felizes

Os princípios do Método Maria Montessori de educação é aplicável a todos, mesmo em casa e não havendo à disposição os materiais didáticos que fazem parte do método escolar.

De acordo com Maria Montessori, o centro da aprendizagem é a própria criança que, com sua curiosidade natural, explora e dá ainda mais vazão à sua necessidade de aprender, se tiver à sua disposição um ambiente adequado, variado e estimulante.

As crianças devem ser livres para escolherem os materiais, os brinquedos e as ferramentas que preferirem usar em cada etapa de seu crescimento, pois, cada experiência é uma oportunidade de aprendizagem.

Aqui estão algumas reflexões sobre o Método Montessori para inspirar pais, educadores e professores.

 

1. Ambiente e ordem

Maria Montessori acreditava que as crianças aprendem melhor em um ambiente arrumado. O conselho é criar seções diferentes em uma prateleira para armazenar livros, quebra-cabeças, jogos, bonecas, carrinhos, etc, tudo separadamente.

É aconselhável escolher recipientes como cestas e caixas que devem ser colocadas a uma altura facilmente alcançável pelas crianças. Também é importante ensinar a criança a arrumar cada brinquedo em seu lugar depois de tê-lo usado.

Os pais devem apenas deixar à disposição os brinquedos adequados para cada idade e deixar que a criança seja livre para escolher o que quiser, mas manter a ordem e brincar com uma coisa de cada vez é muito importante.

 

2. Movimento e Aprendizagem

De acordo com Maria Montessori, as crianças precisam se concentrar em algumas atividades que exigem o uso e o movimento das mãos. Pense na cena clássica em que uma criança aprende a empilhar cubos um em cima dos outros. Nesta atividade, que parece um jogo, a criança não está apenas se divertindo, mas está aprendendo a importância da concentração e da coordenação.

 

3. Livre escolha

Maria Montessori acreditava que a liberdade de escolha foi o mais importante processo mental do ser humano. As crianças aprendem muito mais e absorvem mais informações quando elas são deixadas livres para fazerem suas próprias escolhas.

A liberdade de escolha não significa liberdade para fazer o que quiser, sem regras. Trata-se de uma liberdade que leva a criança à capacidade de escolher a coisa certa a fazer. E para a criança a coisa certa é decidir o que fazer para atender as suas próprias necessidades e dar um novo passo no seu processo de crescimento.

 

4. Estimular o interesse

A criança aprende melhor se viver em um ambiente estimulante e cheio de objetos interessantes que atraiam a sua atenção. Mas isso não significa comprar a loja inteira de brinquedos. Crianças amam os nossos objetos do dia a dia como peneiras, panelas, colheres de pau.

Fique atento a não dar objetos muito pequenos que possam ser perigosos para os “menorzinhos”. Se puder, ofereça vários livros diferentes, materiais para fazer novos pequenos objetos artesanais (como por exemplo o rolo do papel higiênico, potinhos de iogurte etc), deixe ferramentas para desenhar e colorir à disposição da criança e tudo o que possa estimular a sua criatividade.

Até mesmo uma música clássica ou relaxante pode ser útil durante o jogo e a aprendizagem.

 

5. Recompensas

Maria Montessori não gostava de sistemas de ensino baseados em prêmios e punições porque ela acreditava que a melhor recompensa para a criança é ter conseguido aprender a fazer sozinha uma coisa nova, graças a sua curiosidade e a sua força de vontade.

De acordo com o Método Montessori, o verdadeiro prêmio é ser capaz de atingir a meta: completar um quebra-cabeça, regar a planta sem deixar a água cair.

Nisso, um alerta: deixe a criança errar e acertar sozinha. O problema atual dos pais é não conseguir manter a ansiedade e querer ajudar a criança a completar sua tarefa. Deixa a criança fazer sozinha, ela é muito mais capaz do que você supõe.

 

6. Atividades práticas

A aprendizagem das crianças de acordo com o Método Montessori, se dá especialmente através de atividades práticas durante os anos pré-escolares. As atividades práticas ajudam o seu filho a estimular os sentidos do tato, visão e audição, essenciais para aprender a ordem, a concentração e a independência.

Deixe teus filhos ajudarem a limpar a casa, a cozinharem, cuidar da horta, até mesmo a costurar, pregar um botão com uma agulha não pontiaguda.

 

7. Grupos com crianças de diferentes idades

Na escola montessoriana as crianças estão distribuídas em diferentes classes com base na idade, mas Maria Montessori acreditava muito na formação de grupos mistos com crianças de diferentes idades porque sentia que isso era um estímulo para a aprendizagem.

Por exemplo, as crianças mais jovens ficam intrigadas com o que as mais velhas fazem e pedem ajuda a estas. Por sua vez a criança mais velha fica feliz em ensinar o que ela faz e já aprendeu. Este conselho é muito importante para os pais que têm crianças de diferentes idades.

As atividades que podem ser feitas dentro de um grupo misto podem incluir: desenho, jardinagem, esportes, brincadeiras de rua etc. Um dos princípios subjacentes ao método Montessori é deixar as crianças interagirem com as próprias crianças de diferentes idades, para que elas aprendam umas com as outras.

 

8. Importância do contexto

É importante, de acordo com o Método Montessori, que os temas e os conceitos a serem aprendidos sejam colocados no contexto certo. Desta forma, as crianças vão entender e lembrar melhor deles. Exemplos concretos são mais fáceis de entender do que conceitos abstratos.

Este princípio prega além do mais que é essencial que as crianças aprendam fazendo em vez de (tentarem) aprender simplesmente escutando a lição.

 

9. O papel do professor

Para Maria Montessori o papel do professor é o de gerir e facilitar as atividades dos alunos. Não é uma pessoa que dá uma palestra falando sobre os tópicos que ensina, é um auxiliar no processo de aprendizagem que a criança pode alcançar sozinha.

 

10. Independência e autodisciplina

O Método Montessori encoraja as crianças a desenvolverem a independência e autodisciplina. Com o tempo, as crianças vão aprender a reconhecer quais são as suas paixões e suas inclinações e te farão entender o estilo de aprendizagem que elas preferem.

Algumas crianças gostam de leitura, enquanto outras são mais propensas a atividades práticas. Maria Montessori buscou unir, de uma forma equilibrada, todos os aspectos da aprendizagem, de modos que os princípios básicos do seu método, possam ser aplicados por todos.

No entanto, na Itália, país de origem de Maria Montessori, para ser um professor montessoriano, é necessário passar por uma formação montessoriana, mas isso não impede que muitos docentes misturem ou usem o método nos aspectos em que acreditam. Muitos destes aspectos também podem aplicados em casa. O Método Montessori é genial e vai além da aprendizagem escolar pois, viver é aprender, certo?

 

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Foi a italiana Maria Montessori quem desenvolveu a metodologia de ensino que leva seu nome, para colocar em prática os preceitos filosóficos nos quais acreditava. Maria se formou em medicina e, ainda jovem, foi trabalhar com crianças que tinham necessidades especiais. A partir dessa experiência, desenvolveu um novo método pedagógico, que foi aplicado primeiro em escolas de educação infantil na Itália e depois se espalhou para o mundo.

 

Quais são os princípios montessorianos

Há três itens básicos que caracterizam a filosofia montessoriana:

  • Educação para a paz:
    o que não significa um pacifismo subserviente, mas ativo, da construção de um cidadão que participe da sociedade e que trabalhe com foco no bem-estar comum. A escola montessoriana não se preocupa apenas em dar conhecimento, mas em como esse conhecimento vai ser utilizado na sociedade.

 

  • Educação é ciência:
    a pedagogia deve se basear em preceitos científicos capazes de respeitar as leis do desenvolvimento da criança e suas fases evolutivas.

 

  • Educação cósmica:
    o respeito à estreita relação entre a natureza e a sociedade humana, mantendo a harmonia da vida. É um princípio relacionado à espiritualidade, mas sem nenhuma conexão religiosa.

 

 

Na prática, como isso funciona?

Existe um ingrediente fundamental na metodologia de ensino montessoriana, que é a  autoeducação.

É a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem, ou seja, é ela quem diz quando está pronta para o próximo passo. Como? Tendo à sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos à medida que ela demonstra interesse. O ensino das cores é um exemplo disso.

O primeiro material ao qual a criança tem acesso contém apenas as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Depois de ter interagido o suficiente, ela passa para um segundo material, com onze cores.

Quando se sentir preparada, interage com um terceiro material, com mais cores ainda, organizadas de acordo com uma gradação. É assim, passo a passo, que o conhecimento vai se aprofundando.

Nesse processo os materiais disponíveis são de suma importância e muitos deles foram desenvolvidos pela própria Maria Montessori. O mais famoso é o cubo dourado, que materializa o sistema decimal. A ideia é que a criança possa manipular, sentir as diferenças entre unidade, dezena e centena – em termos de tamanho, de peso, de visão, adquirindo uma noção matemática por meio de uma experiência concreta.

 

Outro ingrediente fundamental para a autoeducação é construir um ambiente que propicie a aprendizagem e a vivência. Por isso, na sala de aula, tudo fica ao alcance dos pequenos – mas de forma organizada, é claro. Existe a estante da linguagem, a estante da matemática e os materiais sensoriais.

E em cada espaço desses, tudo fica arrumado de acordo com o grau de dificuldade. Quanto mais ao alto – no máximo na altura da criança – e à esquerda, mais fácil é o material, e quanto mais a direita e mais baixo, mais difícil. Essa sequência de dificuldade acompanha a lógica da própria escrita (que vai da esquerda para a direita), fazendo com que a criança entenda o espaço de uma forma bastante intuitiva.

O que está mais alto, na altura dos olhos da crianças, é o que ela enxerga primeiro. À medida em que progride, ela precisa se abaixar para acessar lições mais complexas.

 

Também por causa da autoeducação, as crianças são divididas em grupos, nos quais convivem com colegas de idades diferentes. Geralmente, as crianças ficam juntas de 1 a 3 anos, de 3 a 6, de 6 a 9 e de 9 a 12 anos e assim por diante.

Isso porque o desenvolvimento não acontece de forma homogênea entre todas as crianças e as necessidades de cada uma variam de acordo com esse processo. Assim, elas podem conviver com outras crianças, com até 3 anos de diferença, que podem estar sintonizadas com as mesmas necessidades dela.

Outro ponto importante é que as escolas montessorianas adotam um currículo multidisciplinar, o que quer dizer que por meio de uma só experiência é possível trabalhar diferentes disciplinas. Ao aprender ritmo, aprende-se música e matemática junto, por exemplo.

 

E qual é o papel do professor?

Como é a própria criança que escolhe em que estação quer estar, o professor é, antes de tudo, um observador, treinado para perceber como a criança interage com o material.

“Em espanhol, no lugar de ‘professor’, as pessoas falam em ‘guia Montessori’, eu gosto muito desse termo”, comenta a diretora pedagógica do colégio Prima (SP), Edimara de Lima . Quando a criança não sai do mesmo material, cabe ao professor observar, para investigar o motivo pelo qual isso acontece: ela tem medo do insucesso, do novo, ela não se arrisca?

É esse tipo de percepção sensível que o educador precisa ter. Quando um dos alunos chega e fica parado e não escolhe nada, também cabe ao professor convidá-lo e ajudá-lo a escolher uma atividade.

“Manter o ambiente organizado, por exemplo, também é função das crianças, mas é, principalmente, uma função do professor. Se a criança sempre encontra o material em um mesmo lugar, ela tem tendência a devolvê-lo lá”, completa Edimara.

 

Será que funciona para o meu filho?

Antes de mais nada, o tipo de escola que a criança vai frequentar deve ser uma escolha da família. Edimara diz que quando perguntam a ela se o método Montessori é bom para qualquer criança, ela responde que sim, mas faz uma ressalva: “A escola tem que ser coerente com os valores e objetivos da família.

Uma criança de uma família mais rígida, pouco flexível, não vai se dar tão bem em uma escola montessoriana”, aconselha. É preciso olhar a escola como algo que vai muito além do projeto cognitivo. É preciso se perguntar que tipo de homens essa escola está formando, qual é a filosofia por trás do ensino.

Para o Montessori, não é importante o primeiro lugar na Fuvest, uma pontuação enorme no Enem… Estamos preocupados em formar gente que saiba escolher, que assuma suas escolhas, que tenha o bem comum sempre como o norte da sua vida.”, afirma Edimara.

Para ela, o que vai contar no futuro para quem passou por uma escola montessoriana é justamente a liberdade de fazer suas próprias escolhas. “A diferença do Montessori não está tanto no nível cognitivo, mas acho que são jovens que sabem sustentar e justificar suas escolhas. Sabem que uma escolha demanda uma responsabilidade e isso vai de uma série de outras posturas”, resume.

Por Naíma Saleh

 

 

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Robótica educacional e os ganhos para o aprendizado

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O que é a robótica educacional e quais são os ganhos para o aprendizado | Além de facilitar a compreensão de conteúdos curriculares, a robótica possibilita o desenvolvimento de diferentes habilidades, como o trabalho colaborativo, o raciocínio lógico e a criatividade

No início dos anos 1960, a ideia de ter um computador pessoal a um preço acessível não passava de ficção científica. Não é de espantar, portanto, que as pessoas tenham rido quando, naquela época, o matemático americano Seymour Papert sugeriu que os computadores fossem utilizados como ferramenta para potencializar a aprendizagem e a criatividade das crianças.

Influenciado pelas ideias de Jean Piaget, com quem trabalhou na Universidade de Genebra, Papert desenvolveu nos anos seguintes, como professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o construcionismo.

Assim como o construtivismo de Piaget, a teoria vê o aluno como construtor de seu conhecimento por meio de descobertas, mas no caso do construcionismo o processo de aprendizagem ocorre por meio da realização de uma ação concreta, que resulta em um produto palpável.

Foi assim que, na década de 1980, Papert criou a tartaruga de solo, um robô programado pela linguagem Logo – também criada por ele de forma acessível a crianças –, que por meio do uso do computador pelos alunos era capaz de desenhar diferentes figuras geométricas.

No Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro, os alunos têm a robótica como curso extracurricular a partir do 6º ano do ensino fundamental e como disciplina curricular no 8º e 9º anos. Um dos objetivos da matéria é introduzir conceitos de física já no ensino fundamental e facilitar a compreensão de conteúdos que serão abordados no ensino médio.

“Os alunos veem a teoria em sala de aula e depois vão ao laboratório construir um protótipo que a explicará na prática. Ao construir um carro com a missão de fazê-lo andar em diferentes velocidades, os estudantes terão de aplicar a fórmula de velocidade média”, exemplifica Rosângela Leri, professora de robótica do Liceu Franco-Brasileiro.

Apesar de a robótica ser trabalhada principalmente com as disciplinas de física e matemática, a docente afirma que ela é uma ciência multidisciplinar com potencial para desenvolver uma série de habilidades. “Eles aprendem a organizar o raciocínio lógico, lidam com questões do trabalho em grupo e estão sempre voltados a resolver um problema atual. São pequenos inventores”, analisa.

No Dia Mundial da Limpeza de Praias e Rios (20 de setembro), por exemplo, os alunos do Liceu participaram de uma gincana ao lado de outras escolas cariocas, cuja meta era recolher a maior quantidade de lixo deixado por banhistas.

A solução encontrada pelos alunos mostrou como a robótica pode servir aos mais diferentes propósitos, inclusive à preservação do meio ambiente. Foram criados quatro robôs com peças de Lego, todos automatizados.

“Levamos para o evento uma esteira seletora para a separação do lixo, uma compactadora de copinhos, um carro coletor de lixo com mecanismo de varredura, separação e sucção de lixo para depósito em caçamba e uma garra para coleta de sacos plásticos e latas”, conta a docente.

Com a compreensão da versatilidade dessa ciência, Flávio Rodrigues Campos, doutor em educação e pesquisador do uso da tecnologia e da robótica na educação, confirma que os educadores já não a utilizam mais apenas com um único e exclusivo fim.

“No início, as escolas criavam laboratórios para o ensino de determinada matéria, mas nos últimos anos começaram a perceber que a robótica é muito mais do que isso e criaram uma disciplina curricular para ela.

O que se discute é: por que devemos ficar focados apenas no ensino da área de ciências se a robótica é uma área interdisciplinar? Por que não ensinamos tecnologia dentro do currículo, explicando, por exemplo, como funciona um sensor, de que forma ele se comunica com a placa?

Focar apenas um saber reduz o alcance da aprendizagem e a possibilidade de investigação do aluno, uma vez que com a robótica eu posso trabalhar matemática, engenharia, mecânica, artes, questões sociais, entre outros temas”, ressalta.

 

Além do currículo

Sentados em roda, quatro adolescentes se debruçam sobre a bancada de um laboratório e, em meio a fios, conectores, leds e sensores, pesquisam e debatem entre si como dar o passo seguinte no projeto em que estão trabalhando.

A cena acontece na escola Stance Dual, em São Paulo, onde alunos do 9º ano do ensino fundamental desenvolvem um par de óculos com sensor de distância, a ser doado para uma criança com deficiência visual. A ideia surgiu após os alunos participarem de um projeto social promovido pela escola em parceria com uma instituição de assistência a deficientes visuais.

“Quisemos fazer algo diferente e que pudesse ajudar alguém. No começo, pensamos que seria impossível, mas fomos pesquisando e descobrimos que era viável. Montamos um grupo com pessoas que gostam de diferentes partes do trabalho, um que prefere montar, outro resolver problemas, outro pesquisar”, conta Thiago Gava, um dos integrantes do grupo.

Na Stance Dual, o ensino de programação e dos princípios da robótica já é trabalhado no ensino fundamental II há alguns anos, mas em 2015, com a reformulação do currículo de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), as duas áreas foram unidas em projetos complementares e que, juntos, atuam como ferramenta para a resolução de problemas.

Os projetos de robótica não estão atrelados a nenhuma disciplina específica, mas se relacionam com o currículo de maneira informal. “A integração das áreas acontece naturalmente, uma vez que os alunos têm liberdade para traçar a resolução do problema proposto. O aluno mesmo começa a perceber a transdisciplinaridade”, aponta Juliana Caetano, professora de desenvolvimento de jogos.

Em uma viagem de estudo do meio, por exemplo, os alunos visitaram uma comunidade quilombola que luta contra a instalação de uma usina hidrelétrica nas redondezas.

Além de estudarem a produção de energia e criarem um protótipo de uma usina hidrelétrica, os estudantes quiseram discutir seu impacto no meio ambiente e para isso pesquisaram características geográficas da região, a história da comunidade quilombola e apresentaram um vídeo sobre o tema. “Não dá para encarar um problema sem esse olhar mais amplo”, acrescenta Juliana.

Na opinião de Rui Correa, professor de robótica, os alunos encontram na escola um espaço para resolver problemas e conflitos, mas falta o momento de colocar a mão na massa. “Essa é uma geração que consome muito, mas que não sabe modificar nada porque nunca lhe ensinaram como as coisas funcionam.

A partir do momento em que começo a questioná-los sobre como as tecnologias funcionam, eles se interessam e passam de consumidores a produtores”, defende. Correa destaca ainda que as necessidades básicas que o mercado de trabalho exige dessa nova geração são outras e que há vagas na área de tecnologia que não são preenchidas por falta de pessoas qualificadas.

 

Autonomia e investigação

Outro ponto que professor acredita ser fundamental em suas aulas é a autonomia dada aos alunos. “Eles se organizam em grupo para exercitar o trabalho colaborativo e nós os incentivamos a, quando surgir uma dúvida ou problema, conversar antes com os colegas, buscar tutoriais e informações na internet, construir juntos.

O professor entra como mediador entre os alunos e a ferramenta. Até porque muitas vezes eu também não sei e aprendo com eles. O formato tradicional de aula não propicia isso”, ressalta.

Para Renata Violante, gerente de formação e monitoramento da Zoom Education for Life, distribuidora exclusiva da Lego Education no Brasil, a robótica coloca o aluno no centro do aprendizado.

As atividades propostas no programa Zoom Educação Tecnológica buscam sempre considerar os conhecimentos prévios dos alunos, propor situações-problema, estabelecer relação entre os conteúdos trabalhados e a vida cotidiana e estimular reflexão. Já atendeu mais de 2 milhões de alunos e está presente em mais de 5 mil escolas.

“A metodologia que concretiza e articula todo esse processo tem como foco o aprender fazendo, ou melhor, o aprender investigando a partir da manipulação de objetos concretos, que é estruturada em quatro momentos”, explica.

Esses momentos são: o conectar, quando os alunos relacionam o tema da aula com exemplos reais do cotidiano de modo a atribuir sentido ao que será construído; o construir, que diz respeito à etapa da prototipagem; o analisar, quando os alunos analisam o que foi feito, e eles observam, comparam, argumentam e aprofundam seus conhecimentos a fim de se tornarem capazes de explicar o funcionamento do modelo e evidenciar a aprendizagem dos conteúdos; e o continuar, etapa em que testam suas hipóteses, apresentando opiniões e ideias de soluções para o desafio proposto.

“Mais do que aprender nomes e definições, os estudantes de hoje necessitam desenvolver competências e aprender a fazer; precisam adquirir habilidades que lhes possibilitem trabalhar em equipe, planejar e executar projetos de trabalho, além de saber utilizar tecnologias de informação para realizar registros e interpretar dados”, defende Renata.

Na visão do educador e pesquisador Flávio Rodrigues Campos, o papel do professor dentro de uma metodologia como essa, de fato, não é o mesmo, uma vez que o docente não deve ser apenas alguém que vai instruir.

“O papel de facilitador e mediador é imperativo e isso não faz do educador alguém menor, pois é ele quem vai poder regular a aprendizagem. O professor vai mediar conflitos e dar o caminho do currículo que está sendo desenvolvido, mas ele não pode ir para essa aula com a mente de quem detém o conhecimento, senão só vai reforçar que o aluno não é ativo no processo de aprendizagem”, alerta.

 

Aprendizagem significativa

Para que o ensino da robótica seja de fato um diferencial na aprendizagem do aluno e não apenas um discurso vazio sobre o uso da tecnologia no ambiente escolar, Flávio ressalta que a escola tem de ter objetivos muito claros do que quer com essa metodologia.

“O gestor deve em primeiro lugar entender o que é a robótica e pesquisar que tipo de recursos pode adquirir. Muitas vezes a tecnologia é vista como um otimizador do tempo, mas é necessário pensar em uma carga horária que seja suficiente para o aluno construir e refletir.

A tecnologia não pode ser uma ferramenta para fazer o aluno aprender mais rápido; ela serve para dar autonomia, emancipação e estimular a criatividade”, aponta.

Em relação ao material necessário, o educador explica que existem no mercado diversos kits prontos de robótica, mas também é possível trabalhar com outros materiais, como a sucata, e montar kits próprios para privilegiar a construção de projetos em que os alunos comecem a produção do zero. “Mas, para isso, o professor deve ter conhecimento técnico e saber com quais materiais deve trabalhar”, lembra.

Apesar da importância da formação técnica, Flávio ressalta que a formação pedagógica é essencial para o professor refletir sobre o verdadeiro papel do ambiente escolar. “Não adianta adotar a tecnologia sem uma mudança de postura pedagógica”, acredita.

O educador argumenta também que não adianta ter apenas um professor que entenda sobre robótica e tecnologia. “Assim ele vai trabalhar isolado e é importante que os docentes tenham contato para explorar a interdisciplinaridade e trocar experiências”, defende.

Renata Violante, da Zoom, concorda que o processo formativo do professor deve ser constante, pois é ele que possibilita a apropriação das concepções e propostas didáticas desenvolvidas, o crescimento profissional, bem como a contextualização da disciplina no projeto educativo de cada escola.

“A formação de professores envolve muitos aspectos, portanto é necessário considerar o educador no contexto de sua atuação, com possibilidades e dificuldades que lhe são próprias. Diante dessa realidade, é necessário também respeitar suas aprendizagens e sua autonomia.”

Para o professor Rui Correa, da Stance Dual, essa proposta deve estar inserida dentro da cultura escolar. “Essa nova estrutura é orgânica e a cada ano tentamos nos integrar mais”, diz. Diante disso, Flávio lembra que muitas escolas optam por oferecer a robótica apenas como curso extracurricular, mas, em sua opinião essa decisão acaba segregando os alunos e tirando daqueles que não têm um interesse prévio pela área a oportunidade de aprender diferentes saberes.

“A robótica foi feita para todos. Se for oferecida no currículo e todos entrarem em contato com a área, aqueles que tiverem mais afinidade poderão se aprofundar em um curso extracurricular”, sugere. Por isso, o educador acredita que o segredo é olhar mais para o aluno. “Se não fizer isso, a robótica pode apenas reforçar o modelo de aula tradicional”, opina.

Para o matemático, também um dos fundadores do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, a máquina é capaz de mudar a forma de aprender das crianças, considerando que ela se dá por meio da criação, reflexão e depuração das ideias.

Essa visão tem influenciado diversas escolas no Brasil e incentivado a adoção de metodologias e disciplinas que trabalham esse processo de aprendizado, como é o caso da robótica, ora tratada como meio de ensino, ora como um objeto de aprendizagem.

Fonte: Revista Educação

 

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Saiba a importância de investir na educação de robótica para crianças

Sabia que aulas de robótica para crianças estão sendo cada vez mais utilizadas para melhorar o aprendizado? Diferente do que muitos pensam, a robótica não está apenas ligada a cientistas superinteligentes ou a cálculos complicadíssimos, mas principalmente ao estímulo da criatividade e do raciocínio lógico nos pequenos.

Além disso, com o avanço tecnológico cada vez mais veloz, é importante que as crianças aprendam a lidar com a tecnologia de forma produtiva desde cedo. Além de prepará-las para a vida em um mundo digital, aulas de robótica também as capacitam para o mercado de trabalho do futuro. Já há inclusive as chamadas profissões do futuro, que precisarão muito de profissionais qualificados dessas áreas.

Quer entender mais sobre o assunto? Continue a leitura!

 

O que é robótica?

É bem provável que, ao pensar em um robô, imaginemos a figura humanizada de uma máquina, como em um filme de ficção futurista. Mas, hoje em dia, a robótica tem uma ampla gama de atuação e está presente nas indústrias, nos laboratórios de pesquisa e até mesmo em nossas casas.

A robótica é a ciência que estuda a elaboração, montagem e programação de robôs para execução de tarefas de forma automática. Robôs são principalmente utilizados em tarefas que necessitam de precisão e eficiência ou que sejam impossíveis para seres humanos, como operações no fundo do mar ou no espaço sideral.

Sendo uma área multidisciplinar, a robótica busca o desenvolvimento e a integração de técnicas e algoritmos para a criação de robôs. Para isso, é necessário envolver matérias como engenharia mecânica, engenharia elétrica, inteligência artificial, entre outras.

E o resultado dos protótipos da robótica é um mundo cada vez mais moderno e tecnológico, com processos cada vez mais facilitados e atividades melhores cumpridas em prol da indústria, da saúde, da educação e muito mais!

 

Quais seus benefícios?

Por meio de aulas de robótica para crianças, diversos benefícios vêm à tona! Seu filho, por exemplo, será estimulado a ser mais criativo e a ter um melhor raciocínio lógico. A matemática também poderá ser ensinada de uma forma muito mais divertida e lúdica.

Outro ponto bacana que a robótica oferece é o desenvolvimento pessoal. Isso porque, antes de executar um projeto, as crianças precisam focar no planejamento da tarefa. Além disso, para pôr tudo em prática, vão precisar ser organizadas e ainda trabalhar em equipe. E todos esses atributos são muito importantes também na vida adulta!

 

Quais são as profissões do futuro?

Além de todos os benefícios imediatos que as crianças têm ao aprender robótica, há outra grande vantagem em longo prazo: elas serão melhor preparadas para as profissões do futuro. Sabemos que a tendência do mundo é de sempre se atualizar ainda mais, mas, para isso, haverá a necessidade de pessoas habilitadas a lidar com os assuntos tecnológicos. E a robótica é um deles!

Com um curso de robótica, as crianças podem aprender desde cedo sobre programação, por exemplo, que é um grande pré-requisito para muitas profissões futuras. Conheça algumas delas abaixo:

  • Desenvolvedor de automação e robótica: É o profissional que cuida da execução de projetos automatizados. Também é responsável por programar, supervisionar e otimizar robôs;
  • Engenheiro de serviços: Faz vistorias de propostas de novos negócios, cuida do planejamento estratégico e operacional e também monitora parcerias estratégicas para execução dos serviços;
  • Engenheiro de testes: responsável por conduzir testes em softwares de produtos e checar se todo o sistema funciona bem.

Como podemos notar, o ensino de robótica para crianças é muito vantajoso, tanto em curto quanto em longo prazo. Além de serem estimulados, seus filhos estarão preparados para um futuro de sucesso! Mas, para dar o primeiro passo e escolher um curso de robótica para crianças, é preciso conhecer a melhor escola do ramo — e nesse assunto, é a Ctrl+Play que pode te ajudar!

 

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A importância da atuação da família no desenvolvimento de habilidades socioemocionais nas crianças

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Preocupar-se com os filhos é algo natural na vida da família. Pais sonham com as conquistas que seus filhos terão no futuro, almejam um futuro brilhante e desejam as mais belas vitórias para suas crianças. Criam uma rotina tão ou mais agitada quanto a de grandes executivos, com aulas de línguas, esportes, artes e outras, para que estejam preparados para o mercado de trabalho.

Buscam proteger seus filhos de todos e quaisquer riscos, tentam poupar suas crianças de todas as frustrações, presenteiam, e sem perceber, muitas vezes buscam criar um mundo artificial para seus filhos viverem, mas não percebem que dessa forma estão deixando que seus filhos aprendam, verdadeiramente, como é o mundo real.

As famílias têm intenções excelentes para com seus filhos, mas não enxergam que não é preciso idealizar para conseguir educa-los para atender a única necessidade que realmente é importante que é formar futuros adultos conscientes, felizes e capazes de conquistar o próprio sucesso, a educação de suas emoções.

 

A família é a principal responsável pela educação de suas crianças, ela é o porto seguro que de forma consciente e inconsciente transmite valores, crenças que naturalmente são absorvidas de acordo com os exemplos de suas atitudes e comportamentos dos adultos ao seu redor.

É dentro desse ambiente que as crianças começam a desenvolver as suas habilidades e por isso é imprescindível que sejam estimuladas, logo nos primeiros passos, a desenvolverem também as funções mais nobres de sua inteligência.

 

O melhor caminho para formarmos filhos mais inteligentes emocionalmente é começar a educa-los emocionalmente quando ainda pequenos, mas nunca é tarde para esse ato.

Preparar nossos filhos emocionalmente e desenvolver suas habilidades sociemocionais é essencialmente importante diante de uma sociedade que está mergulhada no comportamento imediatista, da superficialidade das relações, do consumismo, do egoísmo e tantos outros comportamentos que se distanciam muitas vezes do que podemos relacionar com uma vida saudável.

Da mesma forma que nos preocupamos com o bem-estar físico de nossos filhos, é preciso preocuparmos com seu bem-estar emocional, com a forma como elas protegem suas emoções e como se relacionam com o mundo ao seu redor.

 

Mas quais são essas habilidades sociemocionais? São as habilidades mais complexas da inteligência, porem não emaranhas, tais como pensar antes de agir e reagir, colocar-se no lugar do outro, capacidade de superar perdas e frustrações, a interpretação de comportamentos e sentimentos (os próprios e os dos outros), a emoção e olhar contemplativo, autoconfiança, autoestima, autocrítica, postura empreendedora entre outras.

Todas essas funções/ habilidades são capazes de levar as crianças a desenvolverem relações intra e interpessoais saudáveis, embasadas na ética, honestidade, sem esperar demais a contrapartida, que respeite as diferentes perspectivas, o debater e não impor ideias, a resolução de conflitos, o trabalho em equipe e tantas outra que contribuirão para que os filhos sejam líderes de si mesmo, que atendam às necessidades do mercado de trabalho, não apenas as técnicas como as sociais e que enfrentem de forma saudável os desafios da vida.

 

É fundamental que as famílias invistam na saúde emocional de seus filhos, contribuindo para a prevenção de depressão, estresse, ansiedade, fobias, agressividade entre outros transtornos psicológicos.

Para isso, é importante que compreenda que as crianças precisam vivenciar a sua infância, necessitam inventar, correr riscos, frustrar-se, ter tempo para brincar e se encantar com a vida. O envolvimento da família no desenvolvimento de seus filhos é essencial, pois ela é parte insubstituível na vida de seu filho

Fonte: Escola da Inteligencia por Augusto Cury

Família: união feita por afeto, confiança e respeito

Família: união feita por afeto, confiança e respeito

Quais laços formam uma família? Quais relações são construídas no seio familiar?

Uma família é formada não apenas pela relação de sangue que os membros têm, mas sim pelos laços de amor, carinho que se estabelece entre eles.

As relações que são construídas pelas pessoas nesse ambiente devem ser pautadas na confiança, mais do que isso, devem ser estabelecidas por meio da conversa, do toque, do abraço, das demonstrações de afeto, da troca de experiências e da aprendizagem que se dá entre essas ligações.

É na família que surgem os primeiros aprendizados e é dela que recebemos os exemplos para nosso comportamento e atitudes.

Ela promove a educação das gerações mais novas, das suas tradições, cultura e valores, transmite posicionamentos, opiniões e reflexões sobre o mundo e a sociedade em que vive.

A personalidade de cada indivíduo recebe forte influência da sua família. Todos somos parte de uma família, e todos carregamos em nós não apenas o DNA dela, mas um pouco do que ela é.

 

A relação pais e filhos

Desenvolver relações saudáveis entre pais e filhos é essencial dentro do ambiente familiar.

A preocupação maior dos pais deve ser desenvolver relações de amizade com seus filhos, de tornarem-se amigos e com isso despertar a admiração entre ambos.

Pais que despertam encantamento em seus filhos conseguem estabelecer relação de respeito e deixar marca eterna em seu ser.

A família é como uma planta, necessita ser regada, nutrida constantemente. Invista em tempo diário para o convívio familiar.

A presença nos momentos importantes, o acompanhamento no cotidiano escolar, o auxílio nas lições de casa, o passeio no parque, as brincadeiras nos tempos livres são atitudes que nutrem a família e que são parte das tarefas diárias de pais ídolos de seus filhos.

Os erros e as experiências de vida são outros aspectos a serem compartilhados entre os membros da família. Pais não devem sentir-se envergonhados ao pedir desculpas pelos seus erros, ou mesmo assumi-los frente aos seus filhos.

Compartilhar as próprias experiências e incentivar que seus filhos façam o mesmo contribuem para o fortalecimento das crianças frente aos desafios que surgirão ao longo da vida.

 

A importância do legado familiar

O legado que pais devem deixar para seus filhos está longe das questões financeiras, de posses, valores, bens, mas próximo da educação que deixarão com eles.

Ensine seus filhos a desenvolver habilidades socioemocionais, a desenvolver as funções nobres da mente, a falar sobre seus medos e não viver na escuridão de si mesmo, a expor suas ideias e conviver em harmonia com o outro, a ser empático e carismático em suas relações, a pensar antes de agir, a enfrentar os desafios de forma inteligente e aprender com seus próprios erros.

A família é o berço do amor, da compreensão, do afeto, é o lugar onde as pessoas devem encontrar apoio, lições e aprendizados, mas que acima de tudo, as relações sejam saudáveis e de convivência harmônica.

Os filhos não precisam de pais gigantes, mas de seres humanos que falem a sua linguagem e sejam capazes de penetrar-lhes o coração.

Fonte: Escola da Inteligencia por Augusto Cury

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