por Escola Prisma | 23 jan, 2019 | Dicas da Escola Prisma para os Pais, Método Montessori |
Entender é a essência de amar. Nós achamos que amamos as crianças, mas raramente as compreendemos. Montessori uma vez escreveu:
Não é suficiente que a professora ame as crianças. Antes é necessário que ela ame e compreenda o universo.
Mais do que amar a criança é necessário amar e compreender como as coisas funcionam no mundo. Isso nos levará a compreender como a criança funciona, e essa compreensão abrirá caminho para o amor verdadeiro.
O título de um dos melhores livros de Maria Montessori é O Segredo da Infância. Na tradução para o português, A Criança. Mas o título original é precioso, porque neste livro, Montessori expõe e explica os segredos mais bem guardados da psicologia infantil.
Entre os segredos que Montessori descobre e comunica estão três, que nos parecem os mais importantes para a compreensão amorosa que devemos desenvolver para com nossos filhos:
Atividade Espontânea
A criança precisa poder escolher o que fazer. Ela não pode passar a vida seguindo nossas ordens e, ao mesmo tempo, ser feliz. Quando uma criança encontra uma gaveta e começa a abrir e fechar, repetidamente, ela está em uma atividade espontânea. A mesma coisa é verdade quando uma criança abre e fecha a torneira dezenas de vezes seguidas.
Nós nunca devemos interromper a criança em atividades espontâneas. A atividad espontânea é a chave para um desenvolvimento saudável, tanto do ponto de vista motor quanto nos aspectos psicológico e emocional. A criança que age espontaneamente e com liberdade tem uma chance muito maior de ser feliz. O adulto que compreende isso ama a criança melhor.
Independência Física
O objetivo mais importante da vida de uma criança de 0 a 6 anos de idade é a conquista da independência física, ou, como propunha Montessori, desenvolver a habilidade de fazer sozinho. A criança busca a independência física desde quando nasce.
O adulto que entende essa criança deixa de cometer três erros graves: interrompe demais (com elogios, sorrisos, chamados), impede demais (“não faça isso”, “aqui não”, “assim não”) e ajuda demais (por uma compaixão errada, sem compreensão das necessidades verdadeiras da criança).
Ordem e Previsibilidade
A criança pequena é uma recém-chegada no mundo. Para ela tudo é tão novo quanto seria para você se amanhã você acordasse em uma estação espacial, com gravidade zero e tudo. Por isso, ela precisa que as coisas se repitam e que haja estabilidade na vida. Só assim ela consegue entender o mundo e desenvolver coragem para perseguir seu desenvolvimento independente.
Para a criança é importante viver em um ambiente organizado, com as coisas sempre no mesmo lugar. Também é bom que as tarefas de seu dia a dia sejam feitas em sequências iguais ou muito parecidas diariamente. Finalmente, é fundamental que o adulto seja coerente em seu comportamento e só coloque para a criança os limites que precisam ser colocados – e que, ao mesmo tempo, nunca falhe em colocar esses limites.
Uma tarefa nada pequena…
Montessori disse que uma educação capaz de salvar a humanidade não é uma tarefa pequena. E não é mesmo. Atividade, Independência e Ordem podem parecer princípios simples, mas são a semente de um amor revolucionário. Entender a criança nos torna capazes de amá-la muito melhor. Nosso amor se torna muito mais verdadeiro. Compreender é o primeiro passo para amar de verdade, e nossas crianças merecem o amor mais genuíno possível.
Fonte: Lar Montessori, por Gabriel Salomão

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por Escola Prisma | 22 jan, 2019 | Método Montessori |
Veja os princípios básicos do Método Montessori
- Libertdade
- Atividade
- Independência
- Respeito a Individualidade
- Ambiente Preparado
- Disciplina ativa e consciente
Liberdade
A criança só se mostrará como é, verdadeiramente, e só demonstrará suas reais necessidades, se tiver liberdade para expressar-se e para agir. Isto não significa que à criança será permitido tudo, sem limites. Ao contrário, ela será orientada e impedida de fazer tudo aquilo que for prejudicial a si mesma, ao outro ou ao grupo. No entanto, a liberdade é necessária para que a criança possa ser e agir dentro de um ambiente preparado e adequado ao seu desenvolvimento.
Atividade
É agindo no ambiente e interagindo por meio de atividades úteis e construtivas que a criança constrói o seu conhecimento.
Independência
Agindo com liberdade, a criança vai se tornando independente, isto é, capaz de agir por si, de construir sua autonomia em todas as dimensões, o que é a base do ser crítico, do ser produtivo e do ser responsável.
Respeito à individualidade
É preciso entender a criança como um ser em busca da sua identidade própria, respeitar seu ritmo próprio, suas características pessoais e sua autonomia.
Ambiente preparado
O ambiente deve ser preparado de acordo com o nível de desenvolvimento da criança. Um ambiente montessoriano é rico em atividades que favoreçam as experiências de aprendizagem. Trata-se de um espaço de interlocução e de construção de conhecimento.
Disciplina ativa e consciente
A disciplina é um meio pelo qual a criança pode desenvolver-se interiormente, tendo a possibilidade de construir bem a sua personalidade e de desenvolver a sua aprendizagem. Ativa, porque a criança deve disciplinar-se para o movimento, em atividade. Consciente, porque a criança apropria-se desse processo, entendendo as razões pelas quais deve ter o autodomínio de suas atitudes.

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por Escola Prisma | 29 nov, 2018 | Dicas da Escola Prisma para os Pais, Educação Infantil, Método Montessori |
Como seria se todas as crianças pudessem passar por escolas montessorianas? Esta semana, talvez tenhamos dado um passo nessa direção.
Jeff Bezos, fundador da Amazon e ex-aluno de uma escola montessoriana, se comprometeu a dedicar us$2.000.000.000,00 para famílias sem-teto e para a construção de “escolas de alta qualidade inspiradas em Montessori”.
Considerando que metade desse valor vá para Montessori, se fosse exclusivamente para a formação de professores de alta qualidade, seria possível formar 250.000 professores, o suficiente para quase nove milhões de crianças.
Em seu comunicado sobre a notícia, a American Montessori Society disse:
Nós defendemos que esta é uma oportunidade para aumentar a percepção pública de Montessori, especialmente entre um grande leque de tomadores de decisão, incluindo aqueles responsáveis pelas políticas públicas de educação e os repórteres que têm entrado em contato com nosso escritório depois do comunidado do Sr. Bezos, para saberem mais.
A Amazon, empresa fundada por Jeff Bezos, tem sido duramente criticada por práticas abusivas contra seus funcionários. A doação de Jeff Bezos não deve apagar isso. Um outro problema, levantado por várias vozes relevantes em Montessori, é que nenhuma organização montessoriana foi contatada por Bezos, o que nos leva a crer que seja possível que as escolas inspiradas em Montessori não incluam professores com formação de alta qualidade – a parte mais importante da escola.
Vamos torcer para que o contato que as organizações estão fazendo, em grupo, com Bezos, conduza a uma excelente utilização da verba que, se fosse usada meio a meio para formações e compra de materiais, permitiria atender mais de cinco milhões de crianças pequenas.
“A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta.” Maria Montessori, em A Criança
Escrito por gabrielmsalomao
por Escola Prisma | 27 nov, 2018 | Educação Infantil, Método Montessori |
Os princípios do Método Maria Montessori de educação é aplicável a todos, mesmo em casa e não havendo à disposição os materiais didáticos que fazem parte do método escolar.
De acordo com Maria Montessori, o centro da aprendizagem é a própria criança que, com sua curiosidade natural, explora e dá ainda mais vazão à sua necessidade de aprender, se tiver à sua disposição um ambiente adequado, variado e estimulante.
As crianças devem ser livres para escolherem os materiais, os brinquedos e as ferramentas que preferirem usar em cada etapa de seu crescimento, pois, cada experiência é uma oportunidade de aprendizagem.
Aqui estão algumas reflexões sobre o Método Montessori para inspirar pais, educadores e professores.
1. Ambiente e ordem
Maria Montessori acreditava que as crianças aprendem melhor em um ambiente arrumado. O conselho é criar seções diferentes em uma prateleira para armazenar livros, quebra-cabeças, jogos, bonecas, carrinhos, etc, tudo separadamente.
É aconselhável escolher recipientes como cestas e caixas que devem ser colocadas a uma altura facilmente alcançável pelas crianças. Também é importante ensinar a criança a arrumar cada brinquedo em seu lugar depois de tê-lo usado.
Os pais devem apenas deixar à disposição os brinquedos adequados para cada idade e deixar que a criança seja livre para escolher o que quiser, mas manter a ordem e brincar com uma coisa de cada vez é muito importante.
2. Movimento e Aprendizagem
De acordo com Maria Montessori, as crianças precisam se concentrar em algumas atividades que exigem o uso e o movimento das mãos. Pense na cena clássica em que uma criança aprende a empilhar cubos um em cima dos outros. Nesta atividade, que parece um jogo, a criança não está apenas se divertindo, mas está aprendendo a importância da concentração e da coordenação.
3. Livre escolha
Maria Montessori acreditava que a liberdade de escolha foi o mais importante processo mental do ser humano. As crianças aprendem muito mais e absorvem mais informações quando elas são deixadas livres para fazerem suas próprias escolhas.
A liberdade de escolha não significa liberdade para fazer o que quiser, sem regras. Trata-se de uma liberdade que leva a criança à capacidade de escolher a coisa certa a fazer. E para a criança a coisa certa é decidir o que fazer para atender as suas próprias necessidades e dar um novo passo no seu processo de crescimento.
4. Estimular o interesse
A criança aprende melhor se viver em um ambiente estimulante e cheio de objetos interessantes que atraiam a sua atenção. Mas isso não significa comprar a loja inteira de brinquedos. Crianças amam os nossos objetos do dia a dia como peneiras, panelas, colheres de pau.
Fique atento a não dar objetos muito pequenos que possam ser perigosos para os “menorzinhos”. Se puder, ofereça vários livros diferentes, materiais para fazer novos pequenos objetos artesanais (como por exemplo o rolo do papel higiênico, potinhos de iogurte etc), deixe ferramentas para desenhar e colorir à disposição da criança e tudo o que possa estimular a sua criatividade.
Até mesmo uma música clássica ou relaxante pode ser útil durante o jogo e a aprendizagem.
5. Recompensas
Maria Montessori não gostava de sistemas de ensino baseados em prêmios e punições porque ela acreditava que a melhor recompensa para a criança é ter conseguido aprender a fazer sozinha uma coisa nova, graças a sua curiosidade e a sua força de vontade.
De acordo com o Método Montessori, o verdadeiro prêmio é ser capaz de atingir a meta: completar um quebra-cabeça, regar a planta sem deixar a água cair.
Nisso, um alerta: deixe a criança errar e acertar sozinha. O problema atual dos pais é não conseguir manter a ansiedade e querer ajudar a criança a completar sua tarefa. Deixa a criança fazer sozinha, ela é muito mais capaz do que você supõe.
6. Atividades práticas
A aprendizagem das crianças de acordo com o Método Montessori, se dá especialmente através de atividades práticas durante os anos pré-escolares. As atividades práticas ajudam o seu filho a estimular os sentidos do tato, visão e audição, essenciais para aprender a ordem, a concentração e a independência.
Deixe teus filhos ajudarem a limpar a casa, a cozinharem, cuidar da horta, até mesmo a costurar, pregar um botão com uma agulha não pontiaguda.
7. Grupos com crianças de diferentes idades
Na escola montessoriana as crianças estão distribuídas em diferentes classes com base na idade, mas Maria Montessori acreditava muito na formação de grupos mistos com crianças de diferentes idades porque sentia que isso era um estímulo para a aprendizagem.
Por exemplo, as crianças mais jovens ficam intrigadas com o que as mais velhas fazem e pedem ajuda a estas. Por sua vez a criança mais velha fica feliz em ensinar o que ela faz e já aprendeu. Este conselho é muito importante para os pais que têm crianças de diferentes idades.
As atividades que podem ser feitas dentro de um grupo misto podem incluir: desenho, jardinagem, esportes, brincadeiras de rua etc. Um dos princípios subjacentes ao método Montessori é deixar as crianças interagirem com as próprias crianças de diferentes idades, para que elas aprendam umas com as outras.
8. Importância do contexto
É importante, de acordo com o Método Montessori, que os temas e os conceitos a serem aprendidos sejam colocados no contexto certo. Desta forma, as crianças vão entender e lembrar melhor deles. Exemplos concretos são mais fáceis de entender do que conceitos abstratos.
Este princípio prega além do mais que é essencial que as crianças aprendam fazendo em vez de (tentarem) aprender simplesmente escutando a lição.
9. O papel do professor
Para Maria Montessori o papel do professor é o de gerir e facilitar as atividades dos alunos. Não é uma pessoa que dá uma palestra falando sobre os tópicos que ensina, é um auxiliar no processo de aprendizagem que a criança pode alcançar sozinha.
10. Independência e autodisciplina
O Método Montessori encoraja as crianças a desenvolverem a independência e autodisciplina. Com o tempo, as crianças vão aprender a reconhecer quais são as suas paixões e suas inclinações e te farão entender o estilo de aprendizagem que elas preferem.
Algumas crianças gostam de leitura, enquanto outras são mais propensas a atividades práticas. Maria Montessori buscou unir, de uma forma equilibrada, todos os aspectos da aprendizagem, de modos que os princípios básicos do seu método, possam ser aplicados por todos.
No entanto, na Itália, país de origem de Maria Montessori, para ser um professor montessoriano, é necessário passar por uma formação montessoriana, mas isso não impede que muitos docentes misturem ou usem o método nos aspectos em que acreditam. Muitos destes aspectos também podem aplicados em casa. O Método Montessori é genial e vai além da aprendizagem escolar pois, viver é aprender, certo?

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por Escola Prisma | 27 nov, 2018 | Dicas da Escola Prisma para os Pais, Maria Montessori, Método Montessori |
Instituição baseada no método foi a escolha de William e Kate Middleton para o pequeno George, 2 anos
Foi a italiana Maria Montessori quem desenvolveu a metodologia de ensino que leva seu nome, para colocar em prática os preceitos filosóficos nos quais acreditava. Maria se formou em medicina e, ainda jovem, foi trabalhar com crianças que tinham necessidades especiais. A partir dessa experiência, desenvolveu um novo método pedagógico, que foi aplicado primeiro em escolas de educação infantil na Itália e depois se espalhou para o mundo.
Quais são os princípios montessorianos
Há três itens básicos que caracterizam a filosofia montessoriana:
- Educação para a paz:
o que não significa um pacifismo subserviente, mas ativo, da construção de um cidadão que participe da sociedade e que trabalhe com foco no bem-estar comum. A escola montessoriana não se preocupa apenas em dar conhecimento, mas em como esse conhecimento vai ser utilizado na sociedade.
- Educação é ciência:
a pedagogia deve se basear em preceitos científicos capazes de respeitar as leis do desenvolvimento da criança e suas fases evolutivas.
- Educação cósmica:
o respeito à estreita relação entre a natureza e a sociedade humana, mantendo a harmonia da vida. É um princípio relacionado à espiritualidade, mas sem nenhuma conexão religiosa.
Na prática, como isso funciona?
Existe um ingrediente fundamental na metodologia de ensino montessoriana, que é a autoeducação.
É a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem, ou seja, é ela quem diz quando está pronta para o próximo passo. Como? Tendo à sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos à medida que ela demonstra interesse. O ensino das cores é um exemplo disso.
O primeiro material ao qual a criança tem acesso contém apenas as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Depois de ter interagido o suficiente, ela passa para um segundo material, com onze cores.
Quando se sentir preparada, interage com um terceiro material, com mais cores ainda, organizadas de acordo com uma gradação. É assim, passo a passo, que o conhecimento vai se aprofundando.
Nesse processo os materiais disponíveis são de suma importância e muitos deles foram desenvolvidos pela própria Maria Montessori. O mais famoso é o cubo dourado, que materializa o sistema decimal. A ideia é que a criança possa manipular, sentir as diferenças entre unidade, dezena e centena – em termos de tamanho, de peso, de visão, adquirindo uma noção matemática por meio de uma experiência concreta.
Outro ingrediente fundamental para a autoeducação é construir um ambiente que propicie a aprendizagem e a vivência. Por isso, na sala de aula, tudo fica ao alcance dos pequenos – mas de forma organizada, é claro. Existe a estante da linguagem, a estante da matemática e os materiais sensoriais.
E em cada espaço desses, tudo fica arrumado de acordo com o grau de dificuldade. Quanto mais ao alto – no máximo na altura da criança – e à esquerda, mais fácil é o material, e quanto mais a direita e mais baixo, mais difícil. Essa sequência de dificuldade acompanha a lógica da própria escrita (que vai da esquerda para a direita), fazendo com que a criança entenda o espaço de uma forma bastante intuitiva.
O que está mais alto, na altura dos olhos da crianças, é o que ela enxerga primeiro. À medida em que progride, ela precisa se abaixar para acessar lições mais complexas.
Também por causa da autoeducação, as crianças são divididas em grupos, nos quais convivem com colegas de idades diferentes. Geralmente, as crianças ficam juntas de 1 a 3 anos, de 3 a 6, de 6 a 9 e de 9 a 12 anos e assim por diante.
Isso porque o desenvolvimento não acontece de forma homogênea entre todas as crianças e as necessidades de cada uma variam de acordo com esse processo. Assim, elas podem conviver com outras crianças, com até 3 anos de diferença, que podem estar sintonizadas com as mesmas necessidades dela.
Outro ponto importante é que as escolas montessorianas adotam um currículo multidisciplinar, o que quer dizer que por meio de uma só experiência é possível trabalhar diferentes disciplinas. Ao aprender ritmo, aprende-se música e matemática junto, por exemplo.
E qual é o papel do professor?
Como é a própria criança que escolhe em que estação quer estar, o professor é, antes de tudo, um observador, treinado para perceber como a criança interage com o material.
“Em espanhol, no lugar de ‘professor’, as pessoas falam em ‘guia Montessori’, eu gosto muito desse termo”, comenta a diretora pedagógica do colégio Prima (SP), Edimara de Lima . Quando a criança não sai do mesmo material, cabe ao professor observar, para investigar o motivo pelo qual isso acontece: ela tem medo do insucesso, do novo, ela não se arrisca?
É esse tipo de percepção sensível que o educador precisa ter. Quando um dos alunos chega e fica parado e não escolhe nada, também cabe ao professor convidá-lo e ajudá-lo a escolher uma atividade.
“Manter o ambiente organizado, por exemplo, também é função das crianças, mas é, principalmente, uma função do professor. Se a criança sempre encontra o material em um mesmo lugar, ela tem tendência a devolvê-lo lá”, completa Edimara.
Será que funciona para o meu filho?
Antes de mais nada, o tipo de escola que a criança vai frequentar deve ser uma escolha da família. Edimara diz que quando perguntam a ela se o método Montessori é bom para qualquer criança, ela responde que sim, mas faz uma ressalva: “A escola tem que ser coerente com os valores e objetivos da família.
Uma criança de uma família mais rígida, pouco flexível, não vai se dar tão bem em uma escola montessoriana”, aconselha. É preciso olhar a escola como algo que vai muito além do projeto cognitivo. É preciso se perguntar que tipo de homens essa escola está formando, qual é a filosofia por trás do ensino.
Para o Montessori, não é importante o primeiro lugar na Fuvest, uma pontuação enorme no Enem… Estamos preocupados em formar gente que saiba escolher, que assuma suas escolhas, que tenha o bem comum sempre como o norte da sua vida.”, afirma Edimara.
Para ela, o que vai contar no futuro para quem passou por uma escola montessoriana é justamente a liberdade de fazer suas próprias escolhas. “A diferença do Montessori não está tanto no nível cognitivo, mas acho que são jovens que sabem sustentar e justificar suas escolhas. Sabem que uma escolha demanda uma responsabilidade e isso vai de uma série de outras posturas”, resume.
Por Naíma Saleh

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