O Que é Uma Escola Montessoriana e Como Ela Funciona? O Guia Completo da Escola Prisma! Descubra o que é e como funciona uma Escola Montessoriana. Entenda os princípios de Maria Montessori, o ambiente preparado e por que essa abordagem focada na autonomia e no respeito ao ritmo da criança é a escolha certa para o futuro do seu filho na Escola Prisma.
Ao buscar a melhor educação para seus filhos, muitos pais se deparam com o termo “Escola Montessoriana” e se perguntam: será que essa é a escolha certa?
Muito mais do que um simples método de ensino, a abordagem criada pela médica e educadora italiana Maria Montessori é uma filosofia de vida que há mais de um século transforma a educação global. Na Escola Prisma, em Juazeiro e Petrolina, vivenciamos essa filosofia diariamente, acreditando que cada criança possui um potencial único que deve ser respeitado e estimulado.
Se você valoriza a curiosidade natural, a autonomia e o desenvolvimento integral do seu filho, este guia é para você. Vamos explorar a fundo o que define uma Escola Montessoriana, como ela funciona na prática e por que ela prepara seu filho não apenas para a escola, mas para a vida.
O Que Define a Filosofia de uma Escola Montessoriana?
No coração de uma Escola Montessoriana está uma premissa revolucionária: a criança não é um recipiente vazio a ser preenchido com informações, mas sim a protagonista ativa de sua própria aprendizagem.
Maria Montessori, após anos de observação científica, concluiu que a educação deve ser um processo natural. Em vez de impor conhecimento de fora para dentro, nossa abordagem busca liberar o potencial interior que já existe em cada criança.
Isso não significa uma escola sem regras. Pelo contrário, é um sistema baseado na liberdade com responsabilidade. O respeito mútuo e a autodisciplina são pilares essenciais, construídos em um ambiente que cultiva a curiosidade intrínseca e o desejo genuíno de explorar o mundo.
Como Funciona uma Escola Montessoriana na Prática?
A mágica acontece através de dois elementos principais: um ambiente meticulosamente preparado e a liberdade guiada.
1. O Ambiente Preparado (A “Casa das Crianças”)
Na Escola Prisma, nossas salas de aula são planejadas para serem acessíveis e convidativas. Tudo está ao alcance da criança, fomentando a independência e o senso de ordem. Este ambiente é rico em materiais didáticos Montessori específicos, que não são brinquedos, mas ferramentas de desenvolvimento. Ao interagir com esses materiais de forma sensorial e prática, a criança desenvolve:
Coordenação motora fina e grossa.
Concentração profunda e foco.
Raciocínio lógico e capacidade de abstração.
Criatividade na resolução de problemas.
2. O Papel do Educador como Guia
O professor na Escola Montessoriana não é o centro das atenções. Ele é um guia atento e observador. Seu papel é identificar os interesses e necessidades de cada aluno e conectá-lo com o material ou atividade adequada no momento certo. A intervenção é mínima, apenas a necessária para garantir a segurança ou apresentar um novo desafio, permitindo que a criança faça suas próprias descobertas.
Quais São as Principais Características da Abordagem Montessori?
A singularidade da nossa escola se revela em cinco pilares fundamentais que garantem um desenvolvimento integral:
1. Ambiente Preparado e Organizado
Nossas salas são espaços bonitos, seguros e estimulantes, onde cada material tem seu lugar e propósito pedagógico. A organização externa ajuda a criança a construir sua organização interna (mental).
2. Autoeducação (Aprender Fazendo)
A criança é incentivada a ser a construtora do seu próprio conhecimento. Ela tem a liberdade de escolher suas atividades e trabalhar nelas pelo tempo que precisar. Esse processo constrói confiança e um amor duradouro pelo aprendizado.
3. Respeito Profundo ao Ritmo Individual
Não há comparações ou pressão para que todos aprendam a mesma coisa ao mesmo tempo. Na Escola Prisma, cada criança avança de acordo com suas próprias necessidades e maturidade, garantindo que o aprendizado seja significativo e sólido.
4. Classes Agrupadas (Multietárias)
Nossos ambientes misturam idades (ex: 3 a 6 anos, 6 a 9 anos). Essa convivência natural reflete a sociedade e promove a colaboração e a empatia. Os mais velhos solidificam seu conhecimento ao ensinar os mais novos, que, por sua vez, se sentem inspirados por seus pares.
5. Desenvolvimento Integral e Socioemocional
Vamos muito além do cognitivo. Preocupamo-nos com o desenvolvimento físico, social, emocional e ético. Habilidades como autoconsciência, empatia, colaboração e tomada de decisão responsável são cultivadas diariamente nas interações reais da sala de aula.
Perguntas Frequentes Sobre a Escola Montessoriana (FAQ)
Para clarear ainda mais suas dúvidas, respondemos às perguntas mais comuns dos pais:
Quais idades a Escola Montessoriana atende?
O método cobre desde o nascimento até a vida adulta, dividido em planos de desenvolvimento (0-3, 3-6, 6-12, 12-18 anos). A Escola Prisma oferece Educação Infantil e Ensino Fundamental, respeitando as características de cada uma dessas fases.
Como é a avaliação na Escola Montessoriana?
Não usamos provas tradicionais com notas. A avaliação é contínua, baseada na observação individualizada do guia sobre o progresso, escolhas, concentração e domínio dos materiais de cada criança. Relatórios detalhados e conversas com os pais substituem os boletins convencionais, focando no desenvolvimento global.
A Escola Montessoriana é indicada para todas as crianças?
Sim. A filosofia Montessori parte do princípio de que toda criança tem um potencial inato a ser desenvolvido. A abordagem flexível e individualizada permite que crianças com diferentes estilos de aprendizado, habilidades e necessidades se beneficiem enormemente de um ambiente que as respeita e as desafia no seu próprio nível.
A parceria família-escola é fundamental. Os pais são convidados a compreender os princípios do método e a estender essa filosofia de respeito e autonomia para o ambiente doméstico, criando uma coerência que potencializa o desenvolvimento da criança.
Conclusão: O Caminho para um Futuro Autônomo e Realizado
A Escola Montessoriana não é uma moda passageira; é uma abordagem educacional sólida, com resultados comprovados ao redor do mundo na formação de indivíduos criativos, autônomos, seguros e preparados para os desafios do século XXI.
Ao escolher a Escola Prisma, você está escolhendo um ambiente que valoriza a singularidade do seu filho e oferece as ferramentas para que ele construa a si mesmo.
A Educação Montessori: Origem e Teoria por Trás do Método que Transforma Vidas na Escola Prisma | Descubra a origem e a teoria da Educação Montessori. Entenda como a visão de Maria Montessori sobre o desenvolvimento humano e as tendências naturais da criança moldam a prática pedagógica na Escola Prisma, em Juazeiro e Petrolina.
Em um mundo em constante e rápida transformação, onde o futuro é muitas vezes imprevisível, a pergunta que ecoa na mente de todos os pais é: “Como preparar meu filho para a vida?”. Na Escola Prisma, acreditamos que a resposta não está em métodos educacionais do passado, focados em memorização e competição, mas sim em uma abordagem que olha para o ser humano em sua totalidade.
Essa abordagem é a Educação Montessori. Mas de onde ela vem? Qual é a teoria que sustenta essa prática que encanta famílias ao redor do mundo há mais de um século?
Neste artigo, convidamos você a mergulhar na origem e teoria da Educação Montessori. Vamos explorar a visão revolucionária de Maria Montessori sobre o desenvolvimento infantil e entender por que esse método continua sendo a resposta mais atual e eficaz para formar adultos capazes, felizes e contribuintes para a sociedade.
Qual é a Visão de Educação no Método Montessori?
Diferente da educação tradicional, que muitas vezes fragmenta o aprendizado em disciplinas e séries isoladas, a visão de educação no método Montessori é holística. Para Maria Montessori, a educação e a criança são inseparáveis.
Não medimos o sucesso apenas por notas em provas. Nosso objetivo na Escola Prisma é auxiliar o desenvolvimento natural da criança desde a infância até a idade adulta, visando a formação de um ser humano completo. É um processo pessoal e único, que não se pauta pela idade cronológica, mas sim pelos estágios de desenvolvimento individuais de cada aluno.
Maria Montessori, através de décadas de observação científica de crianças em diversas culturas, identificou princípios universais do comportamento humano. Ela percebeu que a educação deve ser uma ajuda à vida, adaptando-se às necessidades de cada fase do crescimento, e não o contrário.
Como o Desenvolvimento Humano Ocorre na Interação com o Ambiente?
Uma das descobertas centrais de Montessori é que o desenvolvimento humano na interação com o ambiente é fundamental. A criança não é um recipiente vazio a ser preenchido com informações; ela é uma exploradora nata, construindo seu próprio conhecimento através da experiência sensorial.
Desde bebês, os humanos absorvem o mundo tocando, provando, ouvindo e observando. Na Escola Prisma, reconhecemos e valorizamos essa necessidade. É por isso que nosso ambiente é meticulosamente preparado.
A educação Montessori se baseia em três pilares essenciais:
Um Ambiente Preparado: Rico em materiais que convidam à exploração e à descoberta independente.
Um Adulto Preparado: O professor como um guia observador, que conecta a criança ao ambiente e sabe o momento certo de intervir ou de se afastar.
Liberdade com Responsabilidade: A criança tem a liberdade de escolher seu trabalho e de repeti-lo quantas vezes forem necessárias, desenvolvendo foco e autodisciplina.
Quando a criança está livre para interagir com um ambiente preparado, sua energia se canaliza de forma produtiva e pacífica. A necessidade de intervenções comportamentais diminui drasticamente, pois ela está engajada em sua própria autoconstrução.
O Que São os Planos de Desenvolvimento e Por Que São Importantes?
Montessori observou que o crescimento não é uma linha reta e constante. Ele ocorre em ciclos, que ela chamou de Planos de Desenvolvimento. São quatro estágios distintos (0-6, 6-12, 12-18 e 18-24 anos), cada um com suas próprias características, necessidades e “períodos sensíveis” para aprendizados específicos.
Imagine cada plano como uma onda: começa com um renascimento, seguido por uma rápida progressão de desenvolvimento, atinge um pico e depois desacelera. A educação tradicional, linear e igual para todos, muitas vezes ignora esses fluxos naturais.
O currículo da Escola Prisma é desenhado para responder a essas necessidades únicas de cada plano. Acompanhamos a criança em seus ritmos naturais, oferecendo o suporte e os desafios adequados para cada fase, garantindo que ela atinja seu potencial máximo em cada etapa da vida.
Por Que a Educação que Olha as Tendências Humanas é Tão Eficaz?
Maria Montessori identificou que todos nós nascemos com certas tendências humanas universais. São impulsos naturais que nos guiaram ao longo da evolução e continuam a nos impulsionar hoje. Uma educação eficaz não luta contra essas tendências; ela as utiliza como ferramentas de aprendizado.
Na Escola Prisma, nosso ambiente e nossa prática pedagógica são desenhados para satisfazer e nutrir essas tendências:
Exploração: Alimentamos a curiosidade natural da criança com um ambiente rico e a liberdade para investigar.
Ordem e Orientação: Oferecemos um ambiente organizado e previsível, que dá segurança à criança para compreender o mundo ao seu redor.
Comunicação: Estimulamos a expressão oral, a escuta ativa, a leitura e a escrita criativa como formas de conexão.
Atividade e Movimento: Reconhecemos que o aprendizado envolve o corpo e a mente. Nossas salas de aula permitem a liberdade de movimento com propósito.
Manipulação e Trabalho: A criança aprende tocando e fazendo. Os materiais Montessori permitem que ela concretize conceitos abstratos através de suas próprias mãos.
Repetição e Exatidão: A liberdade para repetir uma atividade leva à mestria, à precisão e à alegria do controle sobre o próprio aprendizado.
Abstração: Partimos sempre do concreto para construir uma base sólida que permita o raciocínio abstrato e a generalização.
Autoaperfeiçoamento: O objetivo final é que a criança desenvolva o controle interno e a busca contínua pelo seu próprio crescimento.
Conclusão: Uma Educação para o Presente e o Futuro
A Educação Montessori: Origem e Teoria não é apenas um capítulo da história da pedagogia; é uma filosofia viva e pulsante que fundamenta cada dia na Escola Prisma. Ao compreendermos as raízes desse método, vemos que ele foi desenhado para o ser humano real, com todas as suas potencialidades e necessidades.
Na Escola Prisma, em Juazeiro ou em Petrolina, honramos o legado de Maria Montessori oferecendo uma educação que respeita o ritmo de cada criança, estimula sua autonomia e a prepara não apenas para os desafios acadêmicos, mas para a vida.
Educação Montessoriana na Primeira Infância | Do estímulo apresentado às crianças ao modo de impor limites, passando pelo papel do professor, entenda melhor o Método Montessori de ensino.
“Ajuda-me a fazer sozinho”. O lema, cravado pela médica e educadora italiana MariaMontessori, é uma bela síntese do método de ensino criado por ela e que, por isso, foi batizado com seu sobrenome.
A educação montessoriana baseia-se na autonomia dos alunos, mas com a observação e o auxílio pontuais do professor nos momentos necessários.
Venha entender melhor como ela funciona e por que está tão em alta – até o príncipe George e a princesa Charlotte, do Reino Unido, estudam em escolas montessorianas.
Conversamos com Dayse Canano, psicóloga especializada no Método Montessori, diretora e coordenadora da Escola Petra do Rio de Janeiro, e com Katia Beltrame, coordenadora pedagógica de educação infantil do Colégio Sion de Curitiba, para desvendar esse universo.
Princípios montessorianos
Antes de irmos para o ensino em si, é legal entender que Maria Montessori definiu três princípios para o método. Eles têm tudo a ver com o que ocorre em sala de aula.
Paz
O aluno montessoriano é educado para ser um cidadão do mundo, que respeite a sociedade. Todo o conhecimento tem aplicação para o bem-estar comum fora dos muros da escola;
Ciência
É provado pela ciência que a criança tem fases evolutivas – e elas são respeitadas pela pedagogia montessoriana. Nenhuma etapa deve ser pulada;
Harmonia
O ensino montessoriano tem como objetivo a harmonia das pessoas com a natureza, o que significa a harmonia com a própria vida.
Estímulo é tudo
As salas de aula e os materiais didáticos montessorianos são coloridos e estimulantes, um verdadeiro convite ao saber. Isso não é à toa, como explica Katia: “Na educação infantil, o norteador é a educação dos sentidos.
É uma fase em que as crianças estão bem abertas para a exploração sensorial, então o ambiente é todo preparado para esse trabalho, porque o sensorial é muito importante. A partir dele vêm o domínio de si, o respeito pelo ambiente”.
Dayse afirma que o mobiliário montessoriano, específico para o tamanho das crianças, é cientificamente preparado. “Há mesas únicas, mesas duplas, mesas para grupos e circulares, para o lanche.
As estantes ficam em uma altura adequada para elas e não têm portas”, detalha. “A disposição de tudo é organizada pelo professor de acordo com as necessidades do grupo. Nada é fixo”.
O papel do professor no ensino Montessoriano
Diante dessa organização e dos materiais à sua disposição – selecionados criteriosamente pelo professor, sempre de acordo com as necessidades e interesses da turma –, a criança tem a livre escolha de trabalhar com o que mais lhe interessar. O que está longe de ser uma atividade “solta”.
“O professor observa e acompanha tudo e atua como um mediador entre a criança, o material e o ensinamento que resulta dessa interação”, esclarece Katia. Dayse complementa: “O professor é o guia que vai junto. Ele dá crédito ao potencial da criança”.
Ajuda nessa dinâmica os materiais serem autocorretivos
Um jogo de encaixe, por exemplo, só funciona se as peças forem colocadas nos lugares corretos; ao notar isso, a crianças vai, entre erros e acertos, conseguir concluí-lo e passar naturalmente para as próximas etapas do aprendizado.
“Cada material tem um objetivo, que é levar ao interesse pelo material seguinte”, sintetiza Dayse.
A estas alturas, muitos pais podem pensar: “Mas e se meu filho ou minha filha ‘cismar’ com em um material e não quiser largar dele? Como vai evoluir?”.
Segundo as especialistas, não há risco disso acontecer, devido à própria natureza investigativa humana e ao fato de o método não colocar obstáculos na livre interação entre as crianças.
Como Katia coloca, “uma criança acaba puxando a outra para as novidades e os professores mediam os interesses, auxiliando nessa evolução”.
Como ficam os limites diante dessa liberdade toda?
A liberdade de aprender não impede que os limites sejam muito bem estabelecidos no MétodoMontessori.
Especialmente no Ensino Infantil, o professor atua com psicologia e gentileza nos momentos certos, mostrando que determinado comportamento não é socialmente aceito – o que é bem assimilado pela criança, já que ela está em um ambiente e uma filosofia que prega o respeito entre todos, como dito anteriormente.
“Os alunos obedecem não porque são reprimidos, mas porque alguém – o professor – conversa e explica os motivos pelos quais eles não devem ter atitudes que prejudiquem a harmonia e a paz”, diz Dayse.
Até nisso as crianças se autorregulam. “As regras são combinadas entre professor e alunos constantemente, a turma incorpora isso e elas próprias se corrigem quando alguma sai dos eixos. O perfil de respeito é muito forte”, acrescenta Katia.
Avaliação não é sinônimo de notas
O que rege os boletins montessorianos são conceitos – e não notas! A avaliação é diária, com anotações sobre os avanços pedagógicos, a relação com os outros e com o mundo.
São feitos pareceres descritivos sobre o que o aluno conquistou, o que está desenvolvendo e o que ainda falta atingir.
Isso é o que se apresenta para os pais. Claro que, por uma questão de exigências burocráticas, os conceitos são convertidos em notas para possibilitar as devidas certificações, mas elas – as notas – não fazem diferença na avaliação contínua do Ensino Infantil.
A continuidade do Método Montessori após o Ensino Infantil
No Brasil, existem poucas escolas que seguem o MétodoMontessori até o Ensino Médio. O que normalmente se vê é o método ir até o Ensino Fundamental e acabar por aí.
Mesmo que a etapa seguinte siga outra filosofia de ensino, o que fica da montessoriana nos alunos é para sempre – e aqui estamos falando de capacidade de aprendizado.
Tanto Katia quando Dayse contam que ex-alunos das escolas onde trabalham são campeões de olimpíadas de áreas variadas do conhecimento e sempre demonstram gratidão pela base humana e harmônica que tiveram.
Dayse avisa aos pais que, ao escolher o ensino montessoriano, “estão colocando os filhos em uma escola libertadora”. E Katia resume, para finalizar: “É uma educação para a vida”.
Em uma bela passagem do livro Segredo da Infância, Montessori conta que um dia, pensando que as crianças achariam graça, ela ensinou como assoar o nariz. Ninguém achou graça. As crianças olharam fascinadas, enquanto a professora dobrava o papel, usava, e descartava com elegância e cuidado. Quando ela terminou, as crianças irromperam em uma salva de palmas.
As crianças, diz Montessori, não se fascinaram só pela lição. Mas pela possibilidade de escapar da vergonha. Diariamente escutavam adultos dizendo que precisavam assoar o nariz, que estavam sujas, mas ninguém nunca se ocupou de ensinar como fazer isso, e sem aprender, as crianças não tinham como se libertar das broncas e humilhações diárias.
Nossas crianças carecem de dignidade
Nossas crianças carecem de dignidade. Não por escolha, nem por natureza, mas porque assim como fez com o espaço para brincar e a liberdade para comer, dormir e beber água, a civilização adulta roubou da criança a dignidade e o orgulho. Com frases como “se comporta que nem gente, meu filho!” nós dizemos às crianças que elas são menos que gente. Com todas as ações que colocam as crianças em segundo plano, comunicamos que elas são menos que nós.
Oferecemos muitos objetos às nossas crianças. Papel para desenhar, blocos para montar, telas para assistir. Podemos oferecer a elas um presente maior – o maior de todos: dignidade para viver.
Políticas públicas que defendam crianças
A uma parte das crianças essa dignidade falta porque lhes faltam condições básicas de sobrevivência que forçam a humilhação diária. É dever coletivo lutar por políticas públicas que defendam essas crianças da humilhação e do sofrimento.
Quanto às outras, podemos tomar algumas atitudes imediatas que ajudem as crianças a recuperar a dignidade perdida.
Devemos ensinar ensinando, e não corrigindo
Como Montessori fez, nós devemos ensinar ensinando, e não corrigindo. Essa é uma lição que Montessori dá e que eu aprendi também com uma de minhas formadoras, Marion Wallis. Se uma criança precisa aprender alguma coisa, devemos ensinar. Corrigir não ensina. Punir também não. Montessori dizia, sobre notas escolares, que um zero “humilha e ofende, mas não ensina nada”. Vamos pensar em alguns exemplos:
Em vez de ralhar com a criança porque ela bateu a porta, podemos mostrar a ela como fechar a porta com delicadeza. Uma, duas, ou mais vezes.
Em lugar de corrigir de novo e de novo, cada vez mais impaciente, os exercícios que a criança faz errados na tarefa de casa, podemos parar a tarefa com delicadeza e ensinar, com calma e paciência, aquilo que a criança ainda não aprendeu. Claro que o melhor é que não haja tarefa, porque não se pode esperar que uma família domine, ao mesmo tempo, análise sintática de orações subordinadas e sistemas de equações (embora a ideia seja incrível).
Podemos substituir a bronca: “sua camiseta está ao contrário!” por uma aula: “Olha só, para você ver se a camiseta está do lado certo, precisa colocar a etiqueta para trás. Ela nunca fica para frente, tudo bem?”. Ainda melhor, por uma demonstração, em que a criança possa ver como se coloca uma camiseta do lado certo, e aí tenha tempo para treinar, várias vezes.
A dignidade é o maior presente
Ela não termina na demonstração, nem na lição. A dignidade se fortalece quando a criança tem a chance de existir sem ser impedida. Por exemplo, quando pode contar com a nossa confiança para coisas como:
Subir uma escada (com um objeto na mão);
Colocar um prato de porcelana na mesa ou dentro da pia (e lavar a louça);
Arrumar a própria mochila (sem que a gente verifique depois).
Claro, a dignidade continua importante quando as crianças são mais velhas e fazem coisas mais complexas ou arriscadas, como:
Mexer uma panela de legumes ou carne refogada;
Caminhar sozinha vários metros na nossa frente, na rua;
Acender o fogo do fogão, ou de uma fogueira;
Preparar uma lista de compras, colocar as coisas no carrinho, fazer as contas do gasto, pagar e conferir o troco;
Ter uma dúvida, pesquisar, chegar a uma resposta e só nos contar depois de tudo resolvido.
A dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além
E ainda na adolescência, a dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além do que a comunidade pensa que podem fazer, porque um punhado de adultos e colegas acredita neles, e:
Trabalham para juntar dinheiro por um objetivo específico;
Servem como voluntários em um projeto local;
Viajam com outros adolescentes e um adulto, mas sem a família;
Engajam-se por mudanças sociais ou ambientais de forma séria e dedicada.
Perceba que o presente da dignidade pode vir com vários embrulhos diferentes. O mais importante não é o pacote, nesse caso, mas o que ele carrega. A depender de seu contexto social, familiar e político, as crianças sob sua responsabilidade podem nutrir e fortalecer a dignidade de maneiras diferentes.
O importante não é que elas façam qualquer coisa dos exemplos acima, mas que elas possam contar com a nossa colaboração para aprender, em vez da nossa correção, e que saibam que podem fazer coisas difíceis, porque nós acreditamos nelas e vamos permitir que tentem, e errem até ter sucesso.
A força que as crianças ganham quando são tratadas assim surpreendeu até mesmo Maria Montessori, que estava acostumada a ser surpreendida pelas crianças. Terminamos com palavras dela:
“Por muito tempo permaneci em dúvida, incrédula… Mas finalmente eu compreendi. As crianças tinham sua dignidade, […] e sentiam orgulho de mostrar o melhor que podiam fazer”.
Maria Montessori, em O Segredo da Infância
Montessori: Viver em Paz com Crianças
Ajudar adultos a oferecerem dignidade para suas crianças é uma das motivações principais de meu trabalho. Foi com essa forma de libertação em mente que criei o curso Montessori: Viver em Paz com Crianças, a partir de leituras de toda a obra de Maria Montessori e conversas com centenas de famílias. Veja o que alguns participantes já disseram sobre o curso:
Gente, tô chocada com essa aula. Que visão fantástica do mundo. Faz tanto sentido. Lembrei da opressão da minha infância. Cada dia me apaixono mais por Montessori.
Thaís Serafim
Excelente aula. Gostei muito de ter sido mencionada a fonte das informações em Português e Italiano.
EaD Educação a distância (em inglês: distance education) é uma modalidade de educação mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão fisicamente presentes em um ambiente presencial de ensino-aprendizagem.
EaD História
A EaD, em sua forma empírica, é conhecida desde o século XIX. Entretanto, somente nas últimas décadas passou a fazer parte das atenções pedagógicas. A EaD surgiu da necessidade do preparo profissional e cultural de milhões de pessoas que, por vários motivos, não podiam frequentar um estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com as tecnologias disponíveis em cada momento histórico, as quais influenciam o ambiente educativo e a sociedade.
A EaD também é considerada um recurso que contempla as necessidades de desenvolvimento da autonomia do aluno. O desenvolvimento da autonomia é considerado, por teóricos tais como Jean Piaget e Constance Kamii, peça chave do processo de aprendizagem, no qual o aluno é o foco e o professor possui papel secundário, pois apenas orienta o aluno que por sua vez escolhe o ritmo e a maneira como quer estudar e aprender, de acordo com suas necessidades pessoais.
Os séculos XVII e XVIII
Com a Revolução Científica iniciada no século XVII, as cartas comunicando informações científicas inauguraram uma nova era na arte de ensinar. Um primeiro marco da educação a distância foi o anúncio publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728, pelo professor de taquigrafia Cauleb Phillips.
O século XIX
Em 1833, um anúncio publicado na Suécia já se referia ao ensino por correspondência, e na Inglaterra, em 1840, Isaac Pitman sintetizou os princípios da taquigrafia em cartões postais que trocava com seus alunos. No entanto, o desenvolvimento de uma ação institucionalizada de educação a distância teve início a partir da metade do século XIX.
Em 1856, em Berlim, Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt fundaram a primeira escola por correspondência destinada ao ensino de línguas. Posteriormente, em 1873, em Boston, Anna Eliot Ticknor criou a Society to Encourage Study at Home. Em 1891, Thomas. Foster iniciou em Scarnton (Pensilvânia) o International Correspondence Institute, com um curso sobre medidas de segurança no trabalho de mineração.
Em 1891, a administração da Universidade de Wisconsin aceitou a proposta de seus professores para organizar cursos por correspondência nos serviços de extensão universitária. Um ano depois, o reitor da Universidade de Chicago, William R. Harper, que já havia experimentado a utilização da correspondência na formação de docentes para as escolas dominicais, criou uma Divisão de Ensino por Correspondência no Departamento de Extensão daquela Universidade.
Por volta de 1895, em Oxford, Joseph W. Knipe, após experiência bem-sucedida preparando por correspondência duas turmas de estudantes, a primeira com seis e a segunda com trinta alunos, para o Certificated Teacher’s Examination, iniciou os cursos de Wolsey Hall utilizando o mesmo método de ensino. Já em 1898, em Malmö, na Suécia, Hans Hermod, diretor de uma escola que ministrava cursos de línguas e cursos comerciais, ofereceu o primeiro curso por correspondência, dando início ao famoso Instituto Hermod.
EaD na História Moderna
No final da Primeira Guerra Mundial, surgiram novas iniciativas de ensino a distância em virtude de um considerável aumento da demanda social por educação. O aperfeiçoamento dos serviços de correio, a agilização dos meios de transporte e, sobretudo, o desenvolvimento tecnológico aplicado ao campo da comunicação e da informação influíram decisivamente nos destinos da educação a distância.
Em 1922, a União Soviética organizou um sistema de ensino por correspondência que em dois anos passou a atender 350 mil usuários. A França criou em 1939 um serviço de ensino por via postal para a clientela de estudantes deslocados pelo êxodo.
A partir daí, começou a utilização de um novo meio de comunicação, o rádio, que penetrou também no ensino formal. O rádio alcançou muito sucesso em experiências nacionais e internacionais, tendo sido bastante explorado na América Latina nos programas de educação a distância do Brasil, Colômbia, México, Venezuela, entre outros.
Após as décadas de 1960 e 1970, a educação a distância, embora mantendo os materiais escritos como base, passou a incorporar articulada e integradamente o áudio e o videocassete, as transmissões de rádio e televisão, o videotexto, o computador e, mais recentemente, a tecnologia de multimeios, que combina textos, sons, imagens, assim como mecanismos de geração de caminhos alternativos de aprendizagem (hipertextos, diferentes linguagens) e instrumentos para fixação de aprendizagem com feedback imediato (programas tutoriais informatizados) etc.
Atualmente, o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos de quase todo o mundo, tanto em nações industrializadas quanto em países em desenvolvimento. Novos e mais complexos cursos são desenvolvidos, tanto no âmbito dos sistemas de ensino formal quanto nas áreas de treinamento profissional.
A educação a distância foi utilizada inicialmente como recurso para superação de deficiências educacionais, para a qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos. Hoje, cada vez mais foi também usada em programas que complementam outras formas presenciais, face a face, de interação, e é vista por muitos como uma modalidade de ensino alternativo que pode complementar parte do sistema regular de ensino presencial. Por exemplo, a Universidade Aberta oferece comercialmente somente cursos a distância, sejam cursos regulares ou profissionalizantes.
EaD no mundo
A Suécia registrou sua primeira experiência em 1833, com um curso de contabilidade. Na mesma época, fundou-se na Alemanha em 1856 o primeiro instituto de ensino de línguas por correspondência. O modelo de ensino foi iniciado na Inglaterra em 1840 e, em 1843, foi criada a Phonografic Corresponding Society.
Fundada em 1969, a Open University mantém um sistema de consultoria, auxiliando outras nações a implementar uma educação a distância de qualidade. Também no século XIX, a EaD foi iniciada nos Estados Unidos na Illinois Wesleyan University.
Já no século XX, em 1974, a Universidade Aberta Allma Iqbal no Paquistão iniciou a formação de docentes via EaD. A partir de 1980, a Universidade Aberta de Sri Lanka passou a atender setores importantes para o desenvolvimento do país: profissões tecnológicas e formação docente. Na Tailândia, a Universidade Aberta Sukhothiai Thommathirat tem cerca de 400 mil estudantes em diferentes setores e modalidades.
Criada em 1984, a Universidade de Terbuka na Indonésia surgiu para atender forte demanda de estudos superiores, e prevê chegar a cinco milhões de estudantes. Já na Índia, criada em 1985, a Universidade Nacional Aberta Indira Gandhi tem objetivo de atender a demanda de ensino superior[4].
A Austrália é um dos países que mais investe em EaD, mas não tem nenhuma universidade especializada nesta modalidade. Nas universidades de Queensland, New England, Macquary, Murdoch e Deakin, a proporção de estudantes a distância é maior ou igual à de estudantes presenciais.
Na América Latina programas existentes incluem o Programa Universidade Aberta, inserido na Universidade Autônoma do México (criada em 1972), a Universidade Estatal a Distância da Costa Rica (de 1977), a Universidade Nacional Aberta da Venezuela (também de 1977) e a Universidade Estatal Aberta e a Distância da Colômbia (criada em 1983).
EaD no Brasil
No Brasil, desde a fundação do Instituto Radiotécnico Monitor, em 1939, hoje Instituto Monitor, depois do Instituto Universal Brasileiro, em 1941, e o Instituto Padre Reus em 1974, várias experiências de educação a distância foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso. As experiências brasileiras, governamentais e privadas, foram muitas e representaram, nas últimas décadas, a mobilização de grandes contingentes de recursos.
Os resultados do passado não foram suficientes para gerar um processo de aceitação governamental e social da modalidade de educação a distância no país. Porém, a realidade brasileira já mudou e o governo brasileiro criou leis e estabeleceu normas para a modalidade de educação a distância no país.
Em 1904, escolas internacionais, que eram instituições privadas, ofereciam cursos pagos, por correspondência. Em 1934, Edgard Roquette-Pinto instalou a Rádio-Escola Municipal no Rio de Janeiro no projeto para a então Secretaria Municipal de Educação do Distrito Federal dirigida por Anísio Teixeira integrando o rádio com o cinema educativo (Humberto Mauro), a biblioteca e o museu escolar numa pioneira proposta de educação a distância.
Estudantes tinham acesso prévio a folhetos e esquemas de aulas. Utilizava também correspondência para contato com estudantes. Já em 1939 surgiu em São Paulo o Instituto Monitor, na época ainda com o nome Instituto Rádio Técnico Monitor. Dois anos mais tarde surge a primeira Universidade do Ar, que durou até 1944. Entretanto, em 1947 surge a Nova Universidade do Ar, patrocinada pelo SENAC, SESC e emissoras associadas.
Durante a década de 1960, com o Movimento de Educação de Base (MEB), Igreja Católica e Governo Federal utilizavam um sistema rádio-educativo: educação, conscientização, politização, educação sindicalista, etc.. Em 1970 surge o Projeto Minerva, um convênio entre Fundação Padre Landell de Moura e Fundação Padre Anchieta para produção de textos e programas.
Dois anos mais tarde, o Governo Federal enviou à Inglaterra um grupo de educadores, tendo à frente o conselheiro Newton Sucupira: o relatório final marcou uma posição reacionária às mudanças no sistema educacional brasileiro, colocando um grande obstáculo à implantação da Universidade Aberta e a Distância no Brasil.
Na década de 1970, a Fundação Roberto Marinho começou a oferecer o telecurso, um programa de educação supletiva a distância para ensino fundamental e ensino médio. Essa foi uma maneira de incluir para educar, disponibilizando aulas transmitidas através da emissora de televisão Rede Globo para milhares de brasileiros que precisavam concluir o ensino básico, já que a televisão era o principal meio de comunicação no Brasil, com a maior cobertura.
Entre as décadas de 1970 e 1980, fundações privadas e organizações não-governamentais iniciaram a oferta de cursos supletivos a distância, no modelo de teleducação, com aulas via satélite complementadas por kits de materiais impressos, demarcando a chegada da segunda geração de EaD no país.
A maior parte das Instituições de Ensino Superior brasileiras mobilizou-se para a EaD com o uso de novas tecnologias da comunicação e da informação somente na década de 1990. Em 1992, foi criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92), podendo atingir três campos distintos: a ampliação do conhecimento cultural com a organização de cursos específicos de acesso a todos, a educação continuada, reciclagem profissional às diversas categorias de trabalhadores e àqueles que já passaram pela universidade; e o ensino superior, englobando tanto a graduação como a pós-graduação.
Em 1994, teve início a expansão da Internet no ambiente universitário. Dois anos depois, surgiu a primeira legislação específica para educação a distância no ensino superior. As bases legais para essa modalidade foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional n°9.394, de 20 de dezembro de 1996[6], regulamentada pelo decreto n°9.057[8], de 25 de maio de 2017, e a Portaria Normativa n° 11, de 20 de junho de 2017.
Revogando as normativas anteriores e estabelecendo novas regras para a educação a distância no Brasil, como abertura de novas Instituições de Educação Superior, expansão de Polos e funcionamento dos cursos na modalidade EaD.
Tecnologias
Na educação a distância, professores e alunos estão conectados, interligados, por tecnologias da informação e comunicação (TICs) chamadas telemáticas, como a internet e em especial as hipermídias, mas também podem ser utilizados outros recursos de comunicação, tais como carta, rádio, televisão, vídeo, CD-ROM, telefone, fax, celular, iPod, notebook etc.
Veja algumas das tecnologias usadas na EAD.
Antena parabólica domiciliar
Material didático via correspondência
Televisão portátil
Televisor doméstico – tecnologia básica da EaD
Notebook – tecnologia atual para expandir o EaD
Aparelho de Fax. Auxílio ao EaD
Celulares modernos tornam-se aplicativos para EaD
Aplicativos destinados ao EaD
Tablet
Aspecto ideológico
A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas vias, suas possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas como uma modalidade alternativa para superar limites de tempo e espaço. Seus referenciais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do Século XXI publicados pela UNESCO, que são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
Assim, a Educação deixa de ser concebida como mera transferência de informações e passa a ser norteada pela contextualização de conhecimentos úteis ao aluno. Na educação a distância, o aluno é desafiado a pesquisar e entender o conteúdo, de forma a participar da disciplina.
Sistemática
O Ensino a Distância (EAD), embora forneça uma gama de ferramentas tecnológicas que estreite laços e minimizem obstáculos antes intransponíveis pelas distâncias físicas e o tempo real, é um espaço onde interagem pessoas com diversas necessidades que são mediadas por outras, que de igual modo, estão envolvidas no processo de ensino e aprendizagem.
É nessa perspectiva, que assumem fundamental importância nesse processo, professores e tutores de apoio presencial, como facilitadores engajados no processo educativo proposto pela EAD.
De acordo com Preti (1996), respeitando a autonomia da aprendizagem de cada aluno, o professor e o tutor aparecem como grandes responsáveis pela efetivação do curso em todos os níveis, e estará constantemente orientando, dirigindo e supervisionando o processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
Portanto, esse papel apresenta-se ampliado, não se limitando a aspectos de apoio logístico e burocrático dos cursos, uma vez que estes aparecem na pesquisa, como profissionais multidisciplinares, também responsáveis pela recorrente motivação e acolhimento, capazes de estimular laços de pertencimento dos alunos EAD com seus cursos e polos de apoio presencial.
Assim sendo, o papel do professor não pode se limitar apenas a determinadas tarefas que podemos considerar engessadas, o papel deste profissional se amplia, devendo ter o papel de motivador. Nesta perspectiva, Rosini (2007) complementa que é função básica para um bom modelo de EAD, lidar com a geração de conhecimento, sua preocupação permanente é o modo como esse conhecimento é apreendido e incorporado pelos alunos. Professores e tutores nesse meio, são agentes motivadores e orientadores que acompanham esse processo e traçam as melhores alternativas para êxito dos alunos.
Por fim, segundo Silva et all (2014), o modelo de Educação a Distância impõe o aprimoramento de técnicas e estratégias que possam fortalecer e manter os alunos em permanente foco. Respeitando a importância de todos os agentes do processo educativo no ensino EAD, ressalta-se o papel do professor e do tutor presencial, como mediadores pedagógicos e não apenas como facilitadores dos processos administrativos e burocráticos relacionados aos cursos. Desta forma, esses agentes funcionam como o elo de ligação entre o sistema EAD, instituição e corpo discente.
Metodologias utilizadas
No ensino a distância não deve haver diferença entre a metodologia utilizada no ensino presencial. As metodologias mais eficientes no ensino presencial são também as mais adequadas ao ensino a distância. O que muda, basicamente, não é a metodologia de ensino, mas a forma de comunicação.
Isso implica afirmar que o simples uso de tecnologias avançadas não garante um ensino de qualidade, segundo as mais modernas concepções de ensino. As estratégias de ensino devem incorporar as novas formas de comunicação e, também, incorporar o potencial de informação da Internet.
A Educação apoiada pelas novas tecnologias digitais foi enormemente impulsionada assim que a banda larga começou a se firmar, e a Internet passou a ser potencialmente um veículo para a comunicação a distância.
A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas vias, suas possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas como uma modalidade alternativa para superar limites de tempo e espaço.
A UNESCO publicou um documento que orienta a aprendizagem móvel ou m-learning, Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel, neste documento, é possível entender melhor o assunto da aprendizagem móvel.
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
O ambiente virtual de aprendizagem ou LMS (Learning Management System) é um software baseado na Internet que facilita a gestão de cursos no ambiente virtual. Existem diversos programas disponíveis no mercado de forma gratuita ou não. O Blackboard é um exemplo de Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA pago e o Moodle é um sistema gratuito e de código aberto.
Todo o conteúdo, interação entre os alunos e professores são realizado dentro deste ambiente. De acordo com Clark e Mayer(2007), os ambientes virtuais são elementos fundamentais na tarefa de ensino, porém carecem de suporte pedagógico adequado em relação ao processo de aprendizagem.
O professor como mediador na EaD
Nesse processo de aprendizagem, assim como no ensino regular o orientador ou o tutor da aprendizagem atua como “mediador”, isto é, aquele que estabelece uma rede de comunicação e aprendizagem multidirecional, através de diferentes meios e recursos da tecnologia da comunicação, não podendo assim se desvincular do sistema educacional e deixar de cumprir funções pedagógicas no que se refere à construção da ambiência de aprendizagem.
Essa mediação tem a tarefa adicional de vencer a distância física entre educador e o educando, que deverá ser autodisciplinado e automotivado para que possa superar os desafios e as dificuldades que surgirem durante o processo de ensino-aprendizagem.
Hoje se tem uma educação diferenciada como: presencial, semipresencial e educação a distância. A presencial são os cursos regulares onde professores e alunos se encontram sempre numa instituição de ensino. A semipresencial, acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, utilizando tecnologia da informação[12].
As pessoas se deparam a cada dia com novos recursos trazidos por esta tecnologia que evolui rapidamente, atingindo os ramos das instituições de ensino. Falar de educação hoje, tem uma abrangência muito maior, e fica impossível não falar na educação sem nos remetermos à educação a distância, com todos os avanços tecnológicos proporcionando maior interatividade entre as pessoas. Utilizando os meios tecnológicos a EaD veio para derrubar tabus e começar uma nova era em termos de educação.
Esse tipo de aprendizagem não é mais uma alternativa para quem não faz uso da educação formal, mas se tornou uma modalidade de ensino de qualidade que possibilita a aprendizagem de um número maior de pessoas.
Antes a EaD não tinha credibilidade, era um assunto polêmico e trazia muitas divergências, mas hoje esse tipo de ensino vem conquistando o seu espaço. Porém, não é a modalidade de ensino que determina o aprendizado, seja ela presencial ou a distância, aprendizagem se tornou hoje sinônimo de esforço e dedicação de cada um.
Perspectivas atuais
Cabe às instituições que promovem o ensino a distância buscar desenvolver seus programas de acordo com os quatro pilares da educação, definidos pela Unesco.
Aprender a conviver diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de aceitar a diversidade, conviver com as diferenças, estabelecer relações cordiais com a diversidade cultural respeitando-a e contribuindo para a harmonia mundial.
No Brasil, em 2018, do total de 8,3 milhões de universitários em instituições públicas e privadas, o porcentual de matriculados na EaD é de 21,2% (em 2008 era 7%), índice que avança para 46,8% nos cursos de licenciatura. Em 2023, projeções da Abmes indicam que será equivalente o número de ingressantes nas duas modalidades, com leve decréscimo no presencial.
E-learning
O termo e-Learning é fruto de uma combinação ocorrida entre o ensino com auxílio da tecnologia e a educação a distância. Ambas modalidades convergiram para a educação online e para o treinamento baseado em Web, que ao final resultou no e-Learning.
O e-Learning configura-se como uma ferramenta importante para estudantes e professores porque permitem que a informação seja transmitida e atualizada rapidamente, o que possibilita a criação de comunidades virtuais de aprendizagem para favorecer a comunicação individual ou grupal, facilitar um acesso mais flexível aos materiais educativos e permitir a autoaprendizagem, para que o indivíduo se torne o centro de seus próprios conhecimentos.
Aplicações
Existem diversas aplicações da educação a distância. O ensino de ciências jurídicas e língua portuguesa já possuem aplicações bastante fundamentadas. Em 2006 foi lançado o projeto wikiversidade, ainda em fase experimental. Trata-se de um grande projeto de ensino colaborativo mediado pela internet com várias aplicações inclusive o nível superior.
Ensino jurídico a distância
O ensino jurídico a distância é o ensino da ciência do Direito a Distância, ou a aplicação da educação a distância a esta ciência.
O ensino jurídico por transmissão de imagens via satélite é largamente utilizado no Brasil por empresas de ensino jurídico, que erigem canais de TV digital via satélite para transmitir aulas para todo o território. Estas aulas tem o objetivo principal de preparação para concursos públicos, sendo uma área comercialmente lucrativa, visto que o ensino jurídico nas universidades nem sempre é de bom nível.
O ensino jurídico a distância é pouco utilizado pelas universidades brasileiras como alternativa e auxílio na formação dos estudantes para a vida prática profissional. É inegável a vantagem que existiria na associação de universidades públicas e particulares para a produção e distribuição de conteúdo jurídico.
Língua portuguesa
O professor Sérgio Guidi foi um dos pioneiros no ensino a distância público no Brasil. De 1988 a 1993 o professor de Língua Portuguesa da Universidade Católica de Santos, em São Paulo, manteve cursos de atualização em Português Instrumental a Distância. Destinava-se a profissionais que tinham na língua portuguesa ferramenta de trabalho mas, em razão da ocupação laboriosa não podiam frequentar uma escola regular.
Através do sistema MINITEL, que no Brasil era chamado videotexto, dez capítulos de atualização na língua portuguesa foram criados como: grafia correta de palavras, acentuação gráfica, uso correto de expressões. Certificados eram emitidos para todo o país. Na Universidade Católica a elaboração dos conteúdos ficava a cargo do Laboratório de Telemática, fechado em 1995 pelo então diretor da Faculdade de Comunicação, professor Marco Antonio Batan.
O ensino de física a distância
Quando usamos a sigla E.A.D. para descrever uma modalidade de ensino, geralmente, junto dela ela, notamos dúvidas e até mesmo um certo preconceito. Ao conhecermos uma nova tecnologia que nos faz vislumbrar novas possibilidades do seu emprego na educação, normalmente se passa por três fases: A euforia inicial de um universo de possibilidades de sua aplicação em sala de aula; a depressão subsequente, muitas vezes, pela falta de aplicabilidade prática e de recursos para aplicação do mesmo; A fase pragmática que revê a aplicação da tecnologia de forma mais adequada e criteriosa.