O ensino híbrido é uma tendência para o século XXI e com a pandemia do covid-19 essa metodologia tem sido muito buscada pelas instituições de ensino. Mas você sabe o que é e como aplicar o ensino híbrido na sua escola?
O ensino híbrido é uma proposta inovadora para a educação básica porque permite aplicar os benefícios da tecnologia em sala de aula. Neste modelo, o estudante tem acesso a aulas presenciais e online.
O objetivo é combinar as vantagens da educação presencial e a distância com o intuito de estimular as interações sociais e culturais e ainda proporcionar o contato com as ferramentas tecnológicas do campo da educação. O ensino híbrido pode ser adotado por escolas das diferentes séries da educação básica. No entanto, é mais comum no ensino fundamental e médio.
Benefícios do ensino híbrido
Para que alcance os objetivos a que se propõe, o uso da tecnologia no ambiente escolar deve ser acompanhado pelos educadores e conter um direcionamento pedagógico. Assim, é possível contribuir para o desenvolvimento de diferentes habilidades.
Confira alguns benefícios do ensino híbrido:
Aperfeiçoamento da criatividade
Estimula a capacidade de manter o foco e atenção
Aprendizagem para uso do computador e uso da internet
Conhecimentos sobre o campo da informática, softwares e hardwares
Aprendizado mais atualizado, que acompanha as atuais mudanças da sociedade.
Ensino Híbrido e o que você precisa saber sobre essa modalidade
Essa tendência da Educação alia a praticidade do ensino online com a força do presencial
O Ensino Híbrido é uma das maiores tendências da Educação do século 21
O Ensino Híbrido é uma das maiores tendências da Educação do século 21, que promove a integração entre o ensino presencial e propostas do ensino a distância (EAD). Ou seja, conecta a educação à tecnologia, que já está tão presente na vida do estudante. Nesse sentindo, a ideia é que as partes online (remoto) e offline (presencial) se conectem e complementem, proporcionando diferentes formas de potencializar o aprendizado dos alunos.
O estudante possui controle sobre, o modo, o ritmo e o local de estudos
Na parte online, o estudante possui controle sobre o tempo, o modo, o ritmo e o local de estudos. Por exemplo, ele pode estudar em sua casa, na escola, no laboratório de informática. Além disso, o aluno pode realizar pesquisas em seu celular, computador ou usando um tablet. O que importa é que, no online, ele controle o seu estudo, o que favorece a tomada de decisões e sua autonomia.
Encontros presenciais realizados nas escola
Já na parte offline, que são os encontros presenciais realizados nas escolas, pode ter diversos momentos: o estudante estudando em grupos ou com a turma, com ou sem a presença do professor, ou até mesmo em momentos individuais. O mais importante dessa parte é a valorização das relações entre alunos e professor e entre alunos e seus colegas de turma. O objetivo central é a qualidade na aprendizagem da aula.
Como funciona o ensino híbrido
No ensino híbrido são valorizadas as interações sociais no ambiente escolar e o aprendizado de forma individual a partir do contato com o ambiente virtual. É fundamental que os dois momentos sejam complementares. Dessa forma, poderão promover uma educação mais dinâmica e personalizada.
Na fase presencial os educadores estimulam o convívio social entre os alunos e com o professor. Já a parte dos exercícios digitais proporciona um pouco de autonomia ao estudante para escolher local e horário para o seu aprendizado, além de adquirir conhecimentos importantes para o seu desenvolvimento profissional.
Conceito de Ensino Híbrido
O ensino híbrido, conhecido também como blended learning, é a combinação do ensino presencial, que ocorre na sala de aula, com o ensino à distância, que utiliza tecnologias para a continuidade do ensino.
O Instituto Clayton Christensen aponta que pelo ensino híbrido é possível usar a tecnologia na cultura escolar para personalizar o processo de aprendizagem, sem abandonar o aspecto presencial das aulas mais tradicionais, e sim somando com o digital.
As aulas presenciais têm como foco a interação entre professor e alunos. Os conteúdos e atividades são passados de forma online, e, assim, a aula presencial serve para tirar dúvidas, discutir assuntos e ainda desenvolver trabalhos e atividades. Quando se trata de aulas onlines, alunos podem ter acesso a plataformas EAD para realizar tarefas e ter acesso a conteúdos, individualmente.
Ensino híbrido, o que é e como implementá-lo na sua instituição?
Não é novidade que as tecnologias e metodologias de ensino passam por transformações constantes para atender a sociedade. Contudo, a presença tecnológica na educação tornou-se ainda mais necessária ao longo dos anos. A pandemia, em 2020, fez com que as instituições de ensino se adaptassem para dar conta de um novo cenário, com as aulas remotas.
E justamente por conta dessa necessidade de adaptação, viemos falar sobre uma metodologia que ganhou espaço nos últimos tempos: o ensino híbrido. Neste artigo, explicaremos os conceitos sobre o tema e de que maneira sua escola ou curso poderá implementá-lo no dia a dia. Quer saber mais? Confere com a gente!
Conheça alguns dos modelos de ensino híbrido:
Os modelos de rotação utilizam de diferentes espaços, dentro e fora da sala de aula, para que os alunos revezem entre si atividades de acordo com um horário pré-definido conforme foi orientado pelo professor. Seguindo o modelo de rotações, é possível aplicar:
Sala de aula invertida
o estudante tem contato com o conteúdo antes da aula, de forma com que se prepare para as atividades posteriores. Assim, o aluno traz uma bagagem de conhecimento para a aula e compartilha para o restante da turma.
Flex
No modelo flex, os estudantes alternam as modalidades de aprendizado de forma fluida e personalizada, tendo o ensino online como base principal. Aqui, cada aluno aprende no próprio ritmo e o professor mantém-se disponível para tirar dúvidas. Por ser um modelo disruptivo, que propõe uma organização incomum, ele é pouco conhecido no Brasil.
À la carte
No “à la carte”, o aluno estuda em um ou mais cursos online, além dos tradicionais na escola em formato presencial. Nessa modalidade, o aluno escolhe o que deseja cursar de acordo com sua própria conveniência e rotina.
Rotação individual
Como o próprio nome sugere, nesse modelo o aluno rotaciona individualmente entre diversas estações de ensino. O ideal, nesse caso, é que cada estação trabalhe o mesmo conteúdo utilizando recursos diferentes – como livros, vídeos, músicas e brincadeiras. Dessa maneira, o aluno poderá aprender o conteúdo proposto de diversas formas para fixá-lo de diferentes modos.
Virtual enriquecido
Esse modelo divide o aprendizado entre componentes online e offline. Apesar de o tempo de interação entre aluno e professor ser necessário, no modelo virtual enriquecido, o aluno não tem a obrigatoriedade de estar na instituição fisicamente todos os dias.
Rotação por estação
Na rotação por estação, os alunos são organizados em grupos que realizam tarefas de acordo com a proposta do professor para cada um deles – geralmente, na sala de aula física. Os grupos podem ser envolvidos com atividades online que, de certo modo, não demandam tanto acompanhamento do educador.
Laboratório rotacional
No laboratório rotacional, os alunos utilizam, além da sala de aula, os laboratórios com bastante frequência. O método busca aumentar a eficiência operacional e facilitar o aprendizado individual, apesar de não substituir as lições tradicionais aplicadas em sala de aula.
Em uma bela passagem do livro Segredo da Infância, Montessori conta que um dia, pensando que as crianças achariam graça, ela ensinou como assoar o nariz. Ninguém achou graça. As crianças olharam fascinadas, enquanto a professora dobrava o papel, usava, e descartava com elegância e cuidado. Quando ela terminou, as crianças irromperam em uma salva de palmas.
As crianças, diz Montessori, não se fascinaram só pela lição. Mas pela possibilidade de escapar da vergonha. Diariamente escutavam adultos dizendo que precisavam assoar o nariz, que estavam sujas, mas ninguém nunca se ocupou de ensinar como fazer isso, e sem aprender, as crianças não tinham como se libertar das broncas e humilhações diárias.
Nossas crianças carecem de dignidade
Nossas crianças carecem de dignidade. Não por escolha, nem por natureza, mas porque assim como fez com o espaço para brincar e a liberdade para comer, dormir e beber água, a civilização adulta roubou da criança a dignidade e o orgulho. Com frases como “se comporta que nem gente, meu filho!” nós dizemos às crianças que elas são menos que gente. Com todas as ações que colocam as crianças em segundo plano, comunicamos que elas são menos que nós.
Oferecemos muitos objetos às nossas crianças. Papel para desenhar, blocos para montar, telas para assistir. Podemos oferecer a elas um presente maior – o maior de todos: dignidade para viver.
Políticas públicas que defendam crianças
A uma parte das crianças essa dignidade falta porque lhes faltam condições básicas de sobrevivência que forçam a humilhação diária. É dever coletivo lutar por políticas públicas que defendam essas crianças da humilhação e do sofrimento.
Quanto às outras, podemos tomar algumas atitudes imediatas que ajudem as crianças a recuperar a dignidade perdida.
Devemos ensinar ensinando, e não corrigindo
Como Montessori fez, nós devemos ensinar ensinando, e não corrigindo. Essa é uma lição que Montessori dá e que eu aprendi também com uma de minhas formadoras, Marion Wallis. Se uma criança precisa aprender alguma coisa, devemos ensinar. Corrigir não ensina. Punir também não. Montessori dizia, sobre notas escolares, que um zero “humilha e ofende, mas não ensina nada”. Vamos pensar em alguns exemplos:
Em vez de ralhar com a criança porque ela bateu a porta, podemos mostrar a ela como fechar a porta com delicadeza. Uma, duas, ou mais vezes.
Em lugar de corrigir de novo e de novo, cada vez mais impaciente, os exercícios que a criança faz errados na tarefa de casa, podemos parar a tarefa com delicadeza e ensinar, com calma e paciência, aquilo que a criança ainda não aprendeu. Claro que o melhor é que não haja tarefa, porque não se pode esperar que uma família domine, ao mesmo tempo, análise sintática de orações subordinadas e sistemas de equações (embora a ideia seja incrível).
Podemos substituir a bronca: “sua camiseta está ao contrário!” por uma aula: “Olha só, para você ver se a camiseta está do lado certo, precisa colocar a etiqueta para trás. Ela nunca fica para frente, tudo bem?”. Ainda melhor, por uma demonstração, em que a criança possa ver como se coloca uma camiseta do lado certo, e aí tenha tempo para treinar, várias vezes.
A dignidade é o maior presente
Ela não termina na demonstração, nem na lição. A dignidade se fortalece quando a criança tem a chance de existir sem ser impedida. Por exemplo, quando pode contar com a nossa confiança para coisas como:
Subir uma escada (com um objeto na mão);
Colocar um prato de porcelana na mesa ou dentro da pia (e lavar a louça);
Arrumar a própria mochila (sem que a gente verifique depois).
Claro, a dignidade continua importante quando as crianças são mais velhas e fazem coisas mais complexas ou arriscadas, como:
Mexer uma panela de legumes ou carne refogada;
Caminhar sozinha vários metros na nossa frente, na rua;
Acender o fogo do fogão, ou de uma fogueira;
Preparar uma lista de compras, colocar as coisas no carrinho, fazer as contas do gasto, pagar e conferir o troco;
Ter uma dúvida, pesquisar, chegar a uma resposta e só nos contar depois de tudo resolvido.
A dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além
E ainda na adolescência, a dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além do que a comunidade pensa que podem fazer, porque um punhado de adultos e colegas acredita neles, e:
Trabalham para juntar dinheiro por um objetivo específico;
Servem como voluntários em um projeto local;
Viajam com outros adolescentes e um adulto, mas sem a família;
Engajam-se por mudanças sociais ou ambientais de forma séria e dedicada.
Perceba que o presente da dignidade pode vir com vários embrulhos diferentes. O mais importante não é o pacote, nesse caso, mas o que ele carrega. A depender de seu contexto social, familiar e político, as crianças sob sua responsabilidade podem nutrir e fortalecer a dignidade de maneiras diferentes.
O importante não é que elas façam qualquer coisa dos exemplos acima, mas que elas possam contar com a nossa colaboração para aprender, em vez da nossa correção, e que saibam que podem fazer coisas difíceis, porque nós acreditamos nelas e vamos permitir que tentem, e errem até ter sucesso.
A força que as crianças ganham quando são tratadas assim surpreendeu até mesmo Maria Montessori, que estava acostumada a ser surpreendida pelas crianças. Terminamos com palavras dela:
“Por muito tempo permaneci em dúvida, incrédula… Mas finalmente eu compreendi. As crianças tinham sua dignidade, […] e sentiam orgulho de mostrar o melhor que podiam fazer”.
Maria Montessori, em O Segredo da Infância
Montessori: Viver em Paz com Crianças
Ajudar adultos a oferecerem dignidade para suas crianças é uma das motivações principais de meu trabalho. Foi com essa forma de libertação em mente que criei o curso Montessori: Viver em Paz com Crianças, a partir de leituras de toda a obra de Maria Montessori e conversas com centenas de famílias. Veja o que alguns participantes já disseram sobre o curso:
Gente, tô chocada com essa aula. Que visão fantástica do mundo. Faz tanto sentido. Lembrei da opressão da minha infância. Cada dia me apaixono mais por Montessori.
Thaís Serafim
Excelente aula. Gostei muito de ter sido mencionada a fonte das informações em Português e Italiano.
Veja o Porque Alguns Adultos se Ajoelham Diante das Crianças
Ficar de joelhos é uma forma universal de demonstrar respeito e reverência. Mas nem sempre é por isso que os adultos se ajoelham diante das crianças.
MariaMontessori escreveu que as crianças são superiores a nós, adultos, em razão de sua inocência e das maravilhosas possibilidades abertas em seu futuro.
A criança se esforça dia e noite para a construção do ser humano, e parte do nada, de um bebê inerte e impotente, para depois de anos de trabalho alcançar um estágio elevado de independência e lucidez.
Por si só, isso justificaria que nós nos colocássemos de joelhos diante delas. Mas há uma outra razão, um pouco menos nobre, mas muito mais prática.
As crianças nos escutam melhor quando estamos ajoelhados.
Escutam melhor mesmo, fisicamente, porque o som parte de uma fonte muito mais próxima de seus ouvidos. Mas também escutam melhor no sentido de prestar mais atenção, e entender mais.
Quando estamos em pé, as crianças veem muito mais o nosso queixo e a parte de dentro de nossas narinas, do que a expressão em nosso rosto, por exemplo. E uma parte muito importante da comunicação não é verbal. Nós entendemos muito olhando o rosto de quem fala conosco.
Se juntarmos as duas coisas: uma transmissão melhor do som porque o falante e o ouvinte estão próximos, com as expressões faciais mais nítidas, já bastaria para a criança nos entender melhor quando ajoelhamos.
Mas acontece que, quando ajoelhamos, tomamos mais cuidado com o que dizemos, e isso torna as coisas ainda mais interessantes.
Quando falamos em pé, nossos filhos não nos veem, mas nós também não vemos nossos filhos. Ninguém percebe as emoções de ninguém. Quando nos damos o trabalho de ajoelhar, isso exige uma pequena pausa na pressa, na raiva, ou na ansiedade.
E essa pausa nos dá clareza. Depois, quando já estamos ajoelhados, e começamos a falar, vemos as expressões no rosto de nossa criança, e também entendemos muito mesmo quando ela não fala nada. Sabemos o que sente, um pouco do que pensa, e se entendeu o que nós dissemos.
Costumo dizer que a revolução da criança acontece com os adultos todos ajoelhados. Temos motivos de sobra para ficar de joelhos. Só ficando de joelhos nós podemos montar um bom ambiente infantil, porque olhamos para ele do ponto de vista da criança.
Só de joelhos podemos ter uma boa conversa com elas, de igual para igual. E é de joelhos que elas nos entendem mais e nós entendemos mais delas.
No começo dá trabalho. É mudar um hábito. Mas experimente. Da próxima vez que precisar dizer algo importante aos seus filhos, ajoelhe-se. Veja como tudo muda. E volte para contar como foi!
Os criadores da Amazon, do Google e da Wikipedia estudaram com o Método Montessori. Jeff Bezos criador da Amazon criou um fundo para abrir escolas que aplicarão o mesmo método no qual ele foi educado. O Método Montessori.
O que algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo têm em comum?
Comecemos pelo homem mais rico do planeta, criador da Amazon: o americano Jeff Bezos, cuja fortuna está avaliada em US$ 140,2 bilhões, segundo a revista Forbes.
Ele é dono de 16% da Amazon, gigante do e-commerce, que fundou em uma garagem em Seattle em 1994 e se tornou um sucesso estrondoso no mercado.
Sergey Brin e Larry Page, criadores do Google por sua vez, são dois outros empreendedores que souberam moldar sua criatividade para criar o mecanismo de busca da internet por excelência: o Google.
Eles também estão entre as pessoas mais ricas do globo, nas posições 12 e 13, respectivamente. Somadas, as fortunas de ambos ultrapassam os US$ 96 bilhões.
"Parte do treinamento de não seguir ordens e regras nos motivou a pensar de maneira diferente", disse Larry Page, do Google.
Outros empreendedores criativos e bem sucedidos são Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, e Will Wright, designer de videogames e criador do popular jogo SimCity.
Num setor muito diferente, encontramos Beyoncé, uma artista que soube cativar o público, tornando-se uma estrela da música e uma referência feminista - além de ser uma das mulheres mais bem pagas da indústria.
Aqui na Escola Prisma com o Método Montessori é a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem. Conhecer a criança: identificar suas características, seu potencial, suas necessidades. Ter a certeza de que ela aprende fazendo.
Uma fase determinante para que a criança adquira o gosto pelo conhecimento. Educação Infantil é a porta de entrada para o universo escolar. Ciente dessa importância, a Escola Prisma, por meio da metodologia criada pela pedagoga Italiana, Maria Montessori, realiza uma série de atividades ao longo do ano. Todas as instalações da Escola Prisma foram projetados ou adaptados para facilitar ainda mais o aprendizado.
A meta da educação no Ensino Fundamental é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades, proporcionando-lhe o ajuste ao meio físico e social. Para tanto, a metodologia indicada é a da aprendizagem pela atividade: aprender fazendo, inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança são fatores determinantes da realização pessoal do educando.
Nós vivemos em um mundo de ruído. Quase o tempo todo temos barulho: os carros nas ruas, as máquinas em casa, as telas na intimidade dos quartos e das camas.
Nossas crianças não escapam, e afogam-se constantemente na poluição sonora das cidades, das escolas e de nossas casas. Isso produz uma destruição silenciosa da saúde das crianças e afeta várias de suas capacidades cerebrais.
Os números são claríssimos. Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas, uma casa ou uma escola não podem ter ruídos acima de 50 decibéis – o equivalente ao ruído de duas pessoas conversando, ou uma biblioteca em funcionamento. Este número não é aleatório. Acima daí, começamos a sentir stress.
Se o volume sobe mais um pouco, podemos ter liberação de hormônios relativos ao stress no corpo, e passamos logo a apresentar alterações na pressão sanguínea. Se o barulho for duradouro e rotineiro, perdas cognitivas importantes começam a ocorrer, na concentração e na memória, principalmente.
Eu sempre gostei do silêncio. Então, quando visitei uma escola montessoriana bastante ruidosa, anos atrás, fiquei preocupado e decidi medir o volume da sala. Na média, 65 decibéis. Algo entre o barulho de um escritório e o de um liquidificador. Em alguns picos, a sala produzia mais ruído do que um liquidificador (acima de 75 decibéis).
As crianças, é claro, apresentavam todos os sintomas de uma vida interior inquieta: não se concentravam, derrubavam coisas o tempo todo, vez por outra brigavam entre si, falavam muito alto e gritavam. As professoras, em desespero porque eram igualmente afetadas pelo stress decorrente do barulho, também estavam inquietas, ansiosas e adicionavam à poluição sonora a sua própria voz, alta e onipresente.
Eu também fiquei desesperado, e descobri o volume da sala porque usei um decibelímetro no celular. Então, usamos algumas estratégias para diminuir o volume da sala, sem pedir silêncio às crianças: reorganizamos os ambientes para favorecer grupos menores por toda a sala, em vez de grupos grandes em áreas concentradas; criamos núcleos de trabalho fechados, onde as crianças pudessem entrar e se concentrar sem serem incomodadas por colegas, e treinamos, entre os adultos, movimentos mais lentos, uma fala mais baixa e mais essencial, e técnicas de respiração atenta. Na manhã seguinte, a sala parecia outra, mas eu me dei seis meses antes de acreditar.
Seis meses depois, sem nenhuma outra alteração na escola:
O desempenho acadêmico das crianças havia aumentado consideravelmente;
As crianças apresentavam um humor melhor e mais tranquilidade;
Os conflitos haviam diminuído até quase desaparecerem da sala;
As professoras, antes cansadas, agora conseguiam observar e criar;
E, bom, os materiais não caíam mais o tempo todo.
Esses são os benefícios de pouco ruído, que evidenciam com transparência os malefícios do excesso de barulho.
Crianças que vivem ou estudam em ambientes barulhentos por anos a fio podem apresentar dificuldades no desenvolvimento da fala e da escrita, advindas de um processamento ruim daquilo que se escuta. Além disso, os batimentos cardíacos de crianças em ambientes barulhentos são significativamente mais acelerados.
Nós mal percebemos quanto ruído há à nossa volta, até fazermos silêncio. Em Montessori, fazemos o Jogo do Silêncio, que consiste em parar todos os movimentos voluntários do corpo, ficar imóvel, e fazer silêncio por um período, que varia de alguns segundos a um minuto.
Para adultos, podemos chegar a dois, três, quinze minutos de cada vez. Quando silenciamos, descobrimos quanto ruído existe no mundo à nossa volta, e compreendemos a importância de criar nossas crianças com mais silêncio e tranquilidade.
Não é difícil fazer com que nossas casas sejam mais silenciosas. Nós ainda podemos ouvir música e ver televisão, e ainda podemos falar alto. Mas algumas coisas ajudam:
Desligar a televisão quando nãoestamos assistindo, nem ouvindo com atenção, e deixar de lado a televisão como companhia.
Ter períodos do dia sem áudios: tv, música ou qualquer tela.
Perceber quando nossas crianças estão concentradas, ou tentando ficar, e diminuir o volume de nossas vozes e dos ruídos ambientais.
Em locais muito barulhentos, janelas anti-ruído merecem ser consideradas.
Mudanças para vizinhanças menos afetadas podem ser consideradas, quando possível.
Se o problema for fora de sua casa, há legislação para proteger você. Pesquise qual o volume máximo permitido em sua cidade, e quem pode produzir tanto barulho, mesmo durante o dia. Poluição sonora é poluição. Aja como você agiria se um escapamento soltasse fumaça dentro de sua sala dia e noite.
Promover uma cultura do silêncio é um favor que fazemos às nossas crianças. Isso não quer dizer inibir sua expressão, mas justamente o contrário: inibir a produção excessiva de ruído precisamente para que a expressão daquilo que é importante possa sempre ter espaço para acontecer.
Se nós pudermos reduzir a presença excessiva do ruído na vida de nossos filhos, iniciaremos uma revolução, uma resistência pacífica à cultura do barulho, abrindo espaço para a criação de um novo mundo, onde todos possam ouvir – e não precisem ouvir de tudo, o tempo todo.
Vivemos em uma cultura de interrupção. Adultos carregam em seus bolsos máquinas de interromper. A cada bipe, vibração ou luz piscando, a trilha de nossos pensamentos é interrompida, e nossas interações humanas também. Não é de estranhar, portanto, que não vejamos nada de mau em interromper uma criança, mesmo quando ela esteja concentrada em uma tarefa. Mas as crianças vivem muito melhor quando os adultos à sua volta compreendem a importância de não interromper.
Quando uma criança está focada no que faz, envolvida de verdade na tarefa à sua frente, aquilo é o melhor que ela pode fazer com o tempo de sua infância. Nada é mais poderoso para o desenvolvimento. Isso è indicado pelo fato de que as crianças que se concentram e não são interrompidas emergem da tarefa muito mais tranquilas.
Uma vez, eu estava na casa de dois amigos, conversando, e sua filha de 8 meses estava inquieta, tentando pegar as castanhas que comíamos. Por fim, os pais permitiram que ela pegasse as vasilhas e as castanhas. Uma a uma, ela passou todas as castanhas de uma vasilha para a outra. Por vinte e cinco minutos ela se manteve na tarefa, passando castanhas de uma vasilha para a outra.
Quando terminou, até eu, que conheço as explicações de Montessori, esperava que ela estivesse cansada. Ela não só estava bem disposta, como sorria, e não demonstrou nenhum sinal de desassossego até que chegasse sua hora de dormir.
A essência do dever do adulto é não interromper a criança em seus esforços.
Maria Montessori, em Mente Absorvente
Quando a criança está concentrada, o que ela está fazendo é importante. E ela está concentrada quando seus olhos olham para o que suas mãos fazem. Televisão não serve. Outra pessoa agindo não serve. Nenhuma tela serve. Para valer, a criança precisa estar em ação, atenta ao que está fazendo – aí tem foco, esforço e aprendizado.
O aprendizado sempre passa por fases que não devem ser interrompidas: A primeira, de exploração, seguida de um tipo de esforço repetido em uma direção, que pode estar errada, e aí vem a frustração. Depois disso o esforço muda de direção. Se estiver errado novamente, mais frustração. Mas em algum momento o esforço vai para o caminho certo, e o sucesso é alcançado. Qualquer processo de aprendizado passa por fases assim. Ou quase qualquer um.
O aprendizado só pode passar por todas essas fases se a criança puder ir até o final. Se ela precisa parar no meio, da próxima vez precisa retomar. E porque não está mais envolvida profundamente, não recorda todos os seus erros, mas recorda que da última vez, não conseguiu, e sua crença em si mesma é um pouco menor agora. Por outro lado, se ela tiver a chance de ir até o final, aprende duas coisas:
Primeiro, aquele desafio foi superado, e uma nova habilidade ou conhecimento foi adquirido.
Segundo, desafios podem ser superados, se houver esforço e foco, e a frustração é só uma parte do processo.
Claro, o segundo aprendizado é ainda mais importante que o primeiro.
A mente demora um pouco para desenvolver interesse, para entrar em movimento, para se aquecer num tema e atingir um estado de trabalho produtivo.
Se nesse meio tempo houver interrupção, não somente um período de trabalho útil é perdido, mas a interrupção também produz uma sensação idêntica ao cansaço.
Maria Montessori, O que Você Precisa Saber sobre Seu Filho
As crianças precisam de tempo. Alguém nos enganou e nos fez acreditar que tempo é luxo, que tempo é dinheiro. O sociólogo Antonio Candido é explícito: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido das nossas vidas”.
As crianças precisam de tempo ininterrupto como precisam de ar e de comida. Se nossas crianças param de respirar ou de comer, percebemos a urgência da situação. Precisamos encontrar caminhos para que elas tenham tempo suficiente também.
Tempo abundante. Para se envolverem sem medo da interrupção e do fracasso. Para conseguirem fazer sozinhas. E mais do que isso, para acreditarem que é possível aprender.