Escola Montessori: entenda o que é e como funciona
Você provavelmente já ouviu falar do método Montessori de ensino. Apesar de existir há um século, o modelo pedagógico se tornou conhecido nos últimos anos. Se você não sabe direito do que estamos falando, calma. Abaixo vamos explicar o que é o método Montessori, como funciona e quais as vantagens de matricular sua criança em uma escola montessoriana.
Método Montessori: o que é e como surgiu
A pedagogia montessoriana é uma perspectiva educacional desenvolvida pela italiana Maria Montessori, em meados de 1907. A médica desenvolveu o método Montessori inicialmente para alunos portadores de distúrbios de comportamento e aprendizagem e, aos poucos, a metodologia foi aplicada para as demais crianças.
A psiquiatra acreditava que o desenvolvimento das crianças que possuíam algum tipo de transtorno era atrasado pela ausência de estímulos no ambiente em que as aulas eram realizadas, e, por isso, desenvolveu a metodologia que causou grande evolução na época.
Baseado na observação, o método montessoriano tem como principal objetivo, ajudar a criança a se desenvolver de maneira autônoma, entendendo que ela é capaz de aprender sozinha.
Quais são os princípios do método Montessori?
Oficialmente, não há nenhum conjunto de princípios estabelecidos sobre pedagogia montessoriana, porém, diversos documentos mostram as descobertas e ideias que Maria Montessori e seus colaboradores desenvolveram através de suas observações.
A metodologia busca compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade, desenvolvendo o amadurecimento social, intelectual e emocional dos alunos, baseando-se nos seguintes pilares:
Autoeducação;
Educação como ciência;
Educação cósmica;
Ambiente preparado;
Adulto preparado;
Criança equilibrada
Veja abaixo explicações de cada um dos pilares do Método Montessori:
Autoeducação
Ao observar alunos interagindo no ambiente da sala de aula, Montessori chegou a conclusão que toda criança pode aprender habilidades básicas sozinhas como: andar, falar, pegar, comer, reconhecer as pessoas, dentre outras.
O processo de desenvolvimento acontece quando a criança interage com outras pessoas, quando ela passa a lidar com as suas próprias dificuldades e aprende a superá-las no seu próprio tempo.
Mas, para que isso aconteça, a criança precisa ter a chance de experimentar, tentar e testar sem ser interrompida por adultos.
Educação como ciência
Educação como ciência é analisar e compreender o comportamento da criança e seu processo de aprendizagem.
Esse pilar busca trazer o foco para o estudante, pois é por meio dele que todo o processo educacional é baseado. Por isso, enquanto os alunos “brincam”, o adulto observa e analisa os atos do estudante.
Educação cósmica
De acordo com a pedagogia Montessoriana, esta é a melhor forma de ajudar a criança a compreender o mundo. Seguindo essa linha, o professor deve apresentar o conhecimento de maneira organizada – “cosmos” significa ordem – estimulando a imaginação do aluno e mostrando que tudo no universo tem a sua função, inclusive a criança, que deve entender o seu papel e como ela pode contribuir para melhorar o ambiente em que ela vive.
Ambiente preparado
Como dito anteriormente, a liberdade é um dos princípios essenciais do método Montessori. Sendo assim, o ambiente em que a criança circula – seja na escola ou em casa – deve ser preparado para que ela possa explorar, expressar e desenvolver a sua autonomia.
As prateleiras, cadeiras, estantes e brinquedos devem ficar na altura da criança, para que ela possa acessar as coisas e realizar tarefas básicas sozinhas como: beber água, brincar, ir ao banheiro, comer e dormir, sem precisar da ajuda de um adulto. Isso também pode ser feito com a ajuda de banquinhos.
Além de objetos na altura do alcance dos pequenos, o espaço é minimalista, contendo apenas o necessário para o desenvolvimento das atividades.
Adulto preparado
Todos os outros princípios só funcionam quando o adulto – tanto o professor quanto o responsável – participam do processo de desenvolvimento infantil seguindo as técnicas e ferramentas educativas Montessorianas.
O adulto preparado é aquele que observa e confia na criança, transmitindo ao mesmo tempo, a confiança de que ela pode fazer as coisas sozinhas mas que, caso necessite de ajuda, ela estará ali.
Criança equilibrada
Para a metodologia, a criança equilibrada é aquela que se desenvolve naturalmente, respeitando cada fase do seu crescimento. O equilíbrio é a base de todo o pensamento montessoriano e a partir dele o processo educacional é desenvolvido.
Quando o aluno tem acesso a um ambiente preparado e dispõe da ajuda de um adulto, também preparado, ele passa a expressar características que são inatas, ou seja, naturais dele mesmo.
Como funciona uma escola Montessoriana
Imagine uma sala de aula onde as cadeiras, mesas, estantes, ou seja, em que tudo se encontra ao alcance do aluno. Brinquedos, em sua maioria de madeira, estão dispostos de maneira organizada, assim como outros materiais.
Nela, crianças de diferentes idades trabalham sozinhas com aquilo que mais lhes interessa e o professor, apenas observa o aluno e o auxilia, caso seja necessário. Ao final do dia, as crianças guardam suas atividades e retornam para suas casas.
Essa é uma possível rotina de uma escola Montessori, baseada na liberdade e que estimula a autonomia e autodisciplina do aluno através de atividades sensoriais e concretas.
Diferente das escolas tradicionais, as salas montessorianas agrupam crianças em uma faixa etária maior, seguindo a sequência: 2,5/3 a 6 anos, 6 a 9 anos, 9 a 12 anos ou de 6 a 9 anos de idade. Recém-nascidos até os 3 anos de idade e crianças de 12 a 18 anos podem ser reunidas de diferentes formas, dependendo da escola.
Vantagens de colocar o seu filho na escola Montessori
As escolas Montessori ao redor do mundo observaram que seus alunos se destacaram em alguns aspectos quando comparados às crianças que receberam outro tipo de educação.
Segue abaixo alguns exemplos:
Maior facilidade para aprender sozinhos;
Desenvolvem habilidades de iniciativa e persistência;
Adquirem senso de ordem;
Trabalham e brincam bem em grupo ou sozinhos;
Aperfeiçoam capacidade de percepção e observação;
Coordenação motora mais refinada;
Maior capacidade de ouvir o outro, possuindo maior sensibilidade com o próximo e consigo mesmo.
Uma fase determinante para que a criança adquira o gosto pelo conhecimento.
Educação Infantil é a porta de entrada para o universo escolar. Ciente dessa importância, a Escola Prisma, por meio da metodologia criada pela pedagoga Italiana, Maria Montessori, realiza uma série de atividades ao longo do ano. Todas as instalações da Escola Prisma foram projetados ou adaptados para facilitar ainda mais o aprendizado.
A meta da educação no Ensino Fundamental é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades, proporcionando-lhe o ajuste ao meio físico e social. Para tanto, a metodologia indicada é a da aprendizagem pela atividade: aprender fazendo, inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança são fatores determinantes da realização pessoal do educando.
Você provavelmente já ouviu falar do método Montessori de ensino. Apesar de existir há um século, o modelo pedagógico se tornou conhecido nos últimos anos. Se você não sabe direito do que estamos falando, calma. Abaixo vamos explicar o que é o método Montessori, como funciona e quais as vantagens de matricular sua criança em uma escola montessoriana como a nosso, a Escola Prisma de Educação Infantil, e Ensino Fundamental!
Ao matricular seu filho numa escola montessoriana, a família escolhe, também, uma prática educativa norteada pelo Sistema Montessori de Ensino, criado pela Dra Maria Montessori. Então, escolha o Método Montessori.
O Sistema Montessori de Ensino reúne diferentes aspectos para uma prática pedagógica que se apoia em ambientes estruturados para estimular a ação da criança e proporcionar um processo de auto educação, atividades manipulativas de livre escolha que respeitam a manifestação dos diferentes tipos de inteligência, classes de idades mistas com possibilidades de vivências sistemáticas que levam à construção da segurança, da autonomia, da cooperação mútua e da vivencia do verdadeiro espirito de uma comunidade, que sedimenta o surgimento do cidadão competente e ético.
A primeira infância (0 a 5 anos)
A primeira infância (0 a 5 anos) são os mais importantes anos na vida de uma pessoa. É neste período que todos os tipos de habilidades – físicas, cognitivas, emocionais, sociais e artísticas – se desenvolvem mais facilmente, o que servirá como base para a vida futura do indivíduo. A Dra. Maria Montessori sempre enfatizou a importância e a necessidade da educação precoce. Ela defendeu a existência de Períodos Sensíveis do Desenvolvimento, que são períodos que determinam o desenvolvimento da maioria de nossas habilidades.
Se a criança não for exposta a estímulos e experiências adequadas durante tais períodos, o desenvolvimento das respectivas habilidades pode ficar seriamente comprometido ou pode não acontecer. Para saber mais sobre os Períodos Sensíveis do Desenvolvimento, Além de possibilitar às crianças o desenvolvimento de suas habilidades, talentos e aptidões inatas, o Método Montessori apresenta muitas outras vantagens em comparação com o sistema de ensino tradicional.
Educação Tradicional
A educação tradicional é baseada na transmissão de informações do professor para a criança, que “aprende” de forma passiva, através de estratégias como a repetição, conteúdos sem qualquer conexão com sua realidade. Existe um único método de ensino que não respeita a individualidade das crianças e ao qual todas devem se adaptar. Os diálogos, o movimento e toda a espontaneidade das crianças são desencorajados e exigir das crianças uma atitude passiva, imóvel e silenciosa significa, basicamente, contradizer os princípios da natureza sobre como os processos de aprendizagem e desenvolvimento ocorrem.
Tudo isso frequentemente torna a escola e a aprendizagem desinteressantes e enfadonhas para as crianças. Essa percepção, em alguns casos, pode levar à evasão escolar e/ou ao desencantamento sobre o próprio processo de aprendizagem. A razão pela qual muitas pessoas desistem da educação é porque ela não alimenta o seu espírito e não desperta paixão. O ser humano tem, naturalmente, uma ânsia por conhecer e o desencantamento sobre a aprendizagem é uma das mais graves consequências do modelo tradicional de educação. Aprender pode e deve ser divertido e prazeroso!
O Método Montessori
Já o método Montessori não impõe aprendizados, atividades ou conteúdos sobre a criança. Ao contrário, ele permite que a natureza da criança siga o seu curso ao desenvolver-se espontaneamente, a partir de interações com o ambiente. É dado à criança um ambiente rico em possibilidades de aprendizagem e liberdade, para que ela escolha aquilo que deseja aprender, em seu próprio ritmo. O papel do professor é apenas observar a criança, preparar o ambiente e guia-la em seu processo de aprendizagem, de modo que ela possa encontrar tudo o que precisa para se desenvolver em cada estágio.
Outro aspecto importante do método Montessori é que o método montessori visa preparar a criança para a vida. Para isso, as atividades visam o desenvolvimento da autonomia e devem, o tanto quanto possível, retratar a vida. A aprendizagem social e emocional é também um aspecto muito importante do método Montessori. Diferente do ensino tradicional que utiliza métodos coercivos – como ameaças, punições e recompensas – o método Montessori, por sua vez, utiliza o diálogo e bom relacionamento entre professor e aluno. Acredita-se que a criança tem dentro de si uma pulsão por aprender e se desenvolver e isso é uma motivação suficiente, não sendo necessária a utilização de métodos coercivos.
Criatividade e o Talento
A Dra. Montessori também verificou através de muitos anos de observação que quando a criança tem suas necessidades de desenvolvimento atendidas, ela naturalmente apresenta um comportamento pacífico, amoroso e cooperativo. Há algumas décadas, o maior diferencial para o sucesso profissional e social era ter um curso superior. No entanto, segundo projeções da UNESCO, nos próximos trinta anos mais pessoas terão formação superior do que em toda a história da humanidade. Isso nos força a rever nossos conceitos sobre o que é a educação ideal, visto que o diploma universitário pode não mais ser um diferencial e, então, outras qualidades podem ser consideradas essenciais, como a criatividade e o talento.
O talento humano é extremamente diverso e as pessoas têm diferentes aptidões. Deve ser o papel da escola propiciar oportunidades para que os talentos se revelem. Um aspecto fundamental do método Montessori é que ele possibilita à criança o desenvolvimento de importantes habilidades para a vida, assim como o desenvolvimento de seus talentos e aptidões inatas, no momento mais adequado para que este desenvolvimento ocorra, aproveitando os períodos sensíveis durante a primeira infância.
O ensino híbrido é uma tendência para o século XXI e com a pandemia do covid-19 essa metodologia tem sido muito buscada pelas instituições de ensino. Mas você sabe o que é e como aplicar o ensino híbrido na sua escola?
O ensino híbrido é uma proposta inovadora para a educação básica porque permite aplicar os benefícios da tecnologia em sala de aula. Neste modelo, o estudante tem acesso a aulas presenciais e online.
O objetivo é combinar as vantagens da educação presencial e a distância com o intuito de estimular as interações sociais e culturais e ainda proporcionar o contato com as ferramentas tecnológicas do campo da educação. O ensino híbrido pode ser adotado por escolas das diferentes séries da educação básica. No entanto, é mais comum no ensino fundamental e médio.
Benefícios do ensino híbrido
Para que alcance os objetivos a que se propõe, o uso da tecnologia no ambiente escolar deve ser acompanhado pelos educadores e conter um direcionamento pedagógico. Assim, é possível contribuir para o desenvolvimento de diferentes habilidades.
Confira alguns benefícios do ensino híbrido:
Aperfeiçoamento da criatividade
Estimula a capacidade de manter o foco e atenção
Aprendizagem para uso do computador e uso da internet
Conhecimentos sobre o campo da informática, softwares e hardwares
Aprendizado mais atualizado, que acompanha as atuais mudanças da sociedade.
Ensino Híbrido e o que você precisa saber sobre essa modalidade
Essa tendência da Educação alia a praticidade do ensino online com a força do presencial
O Ensino Híbrido é uma das maiores tendências da Educação do século 21
O Ensino Híbrido é uma das maiores tendências da Educação do século 21, que promove a integração entre o ensino presencial e propostas do ensino a distância (EAD). Ou seja, conecta a educação à tecnologia, que já está tão presente na vida do estudante. Nesse sentindo, a ideia é que as partes online (remoto) e offline (presencial) se conectem e complementem, proporcionando diferentes formas de potencializar o aprendizado dos alunos.
O estudante possui controle sobre, o modo, o ritmo e o local de estudos
Na parte online, o estudante possui controle sobre o tempo, o modo, o ritmo e o local de estudos. Por exemplo, ele pode estudar em sua casa, na escola, no laboratório de informática. Além disso, o aluno pode realizar pesquisas em seu celular, computador ou usando um tablet. O que importa é que, no online, ele controle o seu estudo, o que favorece a tomada de decisões e sua autonomia.
Encontros presenciais realizados nas escola
Já na parte offline, que são os encontros presenciais realizados nas escolas, pode ter diversos momentos: o estudante estudando em grupos ou com a turma, com ou sem a presença do professor, ou até mesmo em momentos individuais. O mais importante dessa parte é a valorização das relações entre alunos e professor e entre alunos e seus colegas de turma. O objetivo central é a qualidade na aprendizagem da aula.
Como funciona o ensino híbrido
No ensino híbrido são valorizadas as interações sociais no ambiente escolar e o aprendizado de forma individual a partir do contato com o ambiente virtual. É fundamental que os dois momentos sejam complementares. Dessa forma, poderão promover uma educação mais dinâmica e personalizada.
Na fase presencial os educadores estimulam o convívio social entre os alunos e com o professor. Já a parte dos exercícios digitais proporciona um pouco de autonomia ao estudante para escolher local e horário para o seu aprendizado, além de adquirir conhecimentos importantes para o seu desenvolvimento profissional.
Conceito de Ensino Híbrido
O ensino híbrido, conhecido também como blended learning, é a combinação do ensino presencial, que ocorre na sala de aula, com o ensino à distância, que utiliza tecnologias para a continuidade do ensino.
O Instituto Clayton Christensen aponta que pelo ensino híbrido é possível usar a tecnologia na cultura escolar para personalizar o processo de aprendizagem, sem abandonar o aspecto presencial das aulas mais tradicionais, e sim somando com o digital.
As aulas presenciais têm como foco a interação entre professor e alunos. Os conteúdos e atividades são passados de forma online, e, assim, a aula presencial serve para tirar dúvidas, discutir assuntos e ainda desenvolver trabalhos e atividades. Quando se trata de aulas onlines, alunos podem ter acesso a plataformas EAD para realizar tarefas e ter acesso a conteúdos, individualmente.
Ensino híbrido, o que é e como implementá-lo na sua instituição?
Não é novidade que as tecnologias e metodologias de ensino passam por transformações constantes para atender a sociedade. Contudo, a presença tecnológica na educação tornou-se ainda mais necessária ao longo dos anos. A pandemia, em 2020, fez com que as instituições de ensino se adaptassem para dar conta de um novo cenário, com as aulas remotas.
E justamente por conta dessa necessidade de adaptação, viemos falar sobre uma metodologia que ganhou espaço nos últimos tempos: o ensino híbrido. Neste artigo, explicaremos os conceitos sobre o tema e de que maneira sua escola ou curso poderá implementá-lo no dia a dia. Quer saber mais? Confere com a gente!
Conheça alguns dos modelos de ensino híbrido:
Os modelos de rotação utilizam de diferentes espaços, dentro e fora da sala de aula, para que os alunos revezem entre si atividades de acordo com um horário pré-definido conforme foi orientado pelo professor. Seguindo o modelo de rotações, é possível aplicar:
Sala de aula invertida
o estudante tem contato com o conteúdo antes da aula, de forma com que se prepare para as atividades posteriores. Assim, o aluno traz uma bagagem de conhecimento para a aula e compartilha para o restante da turma.
Flex
No modelo flex, os estudantes alternam as modalidades de aprendizado de forma fluida e personalizada, tendo o ensino online como base principal. Aqui, cada aluno aprende no próprio ritmo e o professor mantém-se disponível para tirar dúvidas. Por ser um modelo disruptivo, que propõe uma organização incomum, ele é pouco conhecido no Brasil.
À la carte
No “à la carte”, o aluno estuda em um ou mais cursos online, além dos tradicionais na escola em formato presencial. Nessa modalidade, o aluno escolhe o que deseja cursar de acordo com sua própria conveniência e rotina.
Rotação individual
Como o próprio nome sugere, nesse modelo o aluno rotaciona individualmente entre diversas estações de ensino. O ideal, nesse caso, é que cada estação trabalhe o mesmo conteúdo utilizando recursos diferentes – como livros, vídeos, músicas e brincadeiras. Dessa maneira, o aluno poderá aprender o conteúdo proposto de diversas formas para fixá-lo de diferentes modos.
Virtual enriquecido
Esse modelo divide o aprendizado entre componentes online e offline. Apesar de o tempo de interação entre aluno e professor ser necessário, no modelo virtual enriquecido, o aluno não tem a obrigatoriedade de estar na instituição fisicamente todos os dias.
Rotação por estação
Na rotação por estação, os alunos são organizados em grupos que realizam tarefas de acordo com a proposta do professor para cada um deles – geralmente, na sala de aula física. Os grupos podem ser envolvidos com atividades online que, de certo modo, não demandam tanto acompanhamento do educador.
Laboratório rotacional
No laboratório rotacional, os alunos utilizam, além da sala de aula, os laboratórios com bastante frequência. O método busca aumentar a eficiência operacional e facilitar o aprendizado individual, apesar de não substituir as lições tradicionais aplicadas em sala de aula.
Em uma bela passagem do livro Segredo da Infância, Montessori conta que um dia, pensando que as crianças achariam graça, ela ensinou como assoar o nariz. Ninguém achou graça. As crianças olharam fascinadas, enquanto a professora dobrava o papel, usava, e descartava com elegância e cuidado. Quando ela terminou, as crianças irromperam em uma salva de palmas.
As crianças, diz Montessori, não se fascinaram só pela lição. Mas pela possibilidade de escapar da vergonha. Diariamente escutavam adultos dizendo que precisavam assoar o nariz, que estavam sujas, mas ninguém nunca se ocupou de ensinar como fazer isso, e sem aprender, as crianças não tinham como se libertar das broncas e humilhações diárias.
Nossas crianças carecem de dignidade
Nossas crianças carecem de dignidade. Não por escolha, nem por natureza, mas porque assim como fez com o espaço para brincar e a liberdade para comer, dormir e beber água, a civilização adulta roubou da criança a dignidade e o orgulho. Com frases como “se comporta que nem gente, meu filho!” nós dizemos às crianças que elas são menos que gente. Com todas as ações que colocam as crianças em segundo plano, comunicamos que elas são menos que nós.
Oferecemos muitos objetos às nossas crianças. Papel para desenhar, blocos para montar, telas para assistir. Podemos oferecer a elas um presente maior – o maior de todos: dignidade para viver.
Políticas públicas que defendam crianças
A uma parte das crianças essa dignidade falta porque lhes faltam condições básicas de sobrevivência que forçam a humilhação diária. É dever coletivo lutar por políticas públicas que defendam essas crianças da humilhação e do sofrimento.
Quanto às outras, podemos tomar algumas atitudes imediatas que ajudem as crianças a recuperar a dignidade perdida.
Devemos ensinar ensinando, e não corrigindo
Como Montessori fez, nós devemos ensinar ensinando, e não corrigindo. Essa é uma lição que Montessori dá e que eu aprendi também com uma de minhas formadoras, Marion Wallis. Se uma criança precisa aprender alguma coisa, devemos ensinar. Corrigir não ensina. Punir também não. Montessori dizia, sobre notas escolares, que um zero “humilha e ofende, mas não ensina nada”. Vamos pensar em alguns exemplos:
Em vez de ralhar com a criança porque ela bateu a porta, podemos mostrar a ela como fechar a porta com delicadeza. Uma, duas, ou mais vezes.
Em lugar de corrigir de novo e de novo, cada vez mais impaciente, os exercícios que a criança faz errados na tarefa de casa, podemos parar a tarefa com delicadeza e ensinar, com calma e paciência, aquilo que a criança ainda não aprendeu. Claro que o melhor é que não haja tarefa, porque não se pode esperar que uma família domine, ao mesmo tempo, análise sintática de orações subordinadas e sistemas de equações (embora a ideia seja incrível).
Podemos substituir a bronca: “sua camiseta está ao contrário!” por uma aula: “Olha só, para você ver se a camiseta está do lado certo, precisa colocar a etiqueta para trás. Ela nunca fica para frente, tudo bem?”. Ainda melhor, por uma demonstração, em que a criança possa ver como se coloca uma camiseta do lado certo, e aí tenha tempo para treinar, várias vezes.
A dignidade é o maior presente
Ela não termina na demonstração, nem na lição. A dignidade se fortalece quando a criança tem a chance de existir sem ser impedida. Por exemplo, quando pode contar com a nossa confiança para coisas como:
Subir uma escada (com um objeto na mão);
Colocar um prato de porcelana na mesa ou dentro da pia (e lavar a louça);
Arrumar a própria mochila (sem que a gente verifique depois).
Claro, a dignidade continua importante quando as crianças são mais velhas e fazem coisas mais complexas ou arriscadas, como:
Mexer uma panela de legumes ou carne refogada;
Caminhar sozinha vários metros na nossa frente, na rua;
Acender o fogo do fogão, ou de uma fogueira;
Preparar uma lista de compras, colocar as coisas no carrinho, fazer as contas do gasto, pagar e conferir o troco;
Ter uma dúvida, pesquisar, chegar a uma resposta e só nos contar depois de tudo resolvido.
A dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além
E ainda na adolescência, a dignidade se fortalece quando os jovens podem ir além do que a comunidade pensa que podem fazer, porque um punhado de adultos e colegas acredita neles, e:
Trabalham para juntar dinheiro por um objetivo específico;
Servem como voluntários em um projeto local;
Viajam com outros adolescentes e um adulto, mas sem a família;
Engajam-se por mudanças sociais ou ambientais de forma séria e dedicada.
Perceba que o presente da dignidade pode vir com vários embrulhos diferentes. O mais importante não é o pacote, nesse caso, mas o que ele carrega. A depender de seu contexto social, familiar e político, as crianças sob sua responsabilidade podem nutrir e fortalecer a dignidade de maneiras diferentes.
O importante não é que elas façam qualquer coisa dos exemplos acima, mas que elas possam contar com a nossa colaboração para aprender, em vez da nossa correção, e que saibam que podem fazer coisas difíceis, porque nós acreditamos nelas e vamos permitir que tentem, e errem até ter sucesso.
A força que as crianças ganham quando são tratadas assim surpreendeu até mesmo Maria Montessori, que estava acostumada a ser surpreendida pelas crianças. Terminamos com palavras dela:
“Por muito tempo permaneci em dúvida, incrédula… Mas finalmente eu compreendi. As crianças tinham sua dignidade, […] e sentiam orgulho de mostrar o melhor que podiam fazer”.
Maria Montessori, em O Segredo da Infância
Montessori: Viver em Paz com Crianças
Ajudar adultos a oferecerem dignidade para suas crianças é uma das motivações principais de meu trabalho. Foi com essa forma de libertação em mente que criei o curso Montessori: Viver em Paz com Crianças, a partir de leituras de toda a obra de Maria Montessori e conversas com centenas de famílias. Veja o que alguns participantes já disseram sobre o curso:
Gente, tô chocada com essa aula. Que visão fantástica do mundo. Faz tanto sentido. Lembrei da opressão da minha infância. Cada dia me apaixono mais por Montessori.
Thaís Serafim
Excelente aula. Gostei muito de ter sido mencionada a fonte das informações em Português e Italiano.
Vivemos em uma cultura de interrupção. Adultos carregam em seus bolsos máquinas de interromper. A cada bipe, vibração ou luz piscando, a trilha de nossos pensamentos é interrompida, e nossas interações humanas também. Não é de estranhar, portanto, que não vejamos nada de mau em interromper uma criança, mesmo quando ela esteja concentrada em uma tarefa. Mas as crianças vivem muito melhor quando os adultos à sua volta compreendem a importância de não interromper.
Quando uma criança está focada no que faz, envolvida de verdade na tarefa à sua frente, aquilo é o melhor que ela pode fazer com o tempo de sua infância. Nada é mais poderoso para o desenvolvimento. Isso è indicado pelo fato de que as crianças que se concentram e não são interrompidas emergem da tarefa muito mais tranquilas.
Uma vez, eu estava na casa de dois amigos, conversando, e sua filha de 8 meses estava inquieta, tentando pegar as castanhas que comíamos. Por fim, os pais permitiram que ela pegasse as vasilhas e as castanhas. Uma a uma, ela passou todas as castanhas de uma vasilha para a outra. Por vinte e cinco minutos ela se manteve na tarefa, passando castanhas de uma vasilha para a outra.
Quando terminou, até eu, que conheço as explicações de Montessori, esperava que ela estivesse cansada. Ela não só estava bem disposta, como sorria, e não demonstrou nenhum sinal de desassossego até que chegasse sua hora de dormir.
A essência do dever do adulto é não interromper a criança em seus esforços.
Maria Montessori, em Mente Absorvente
Quando a criança está concentrada, o que ela está fazendo é importante. E ela está concentrada quando seus olhos olham para o que suas mãos fazem. Televisão não serve. Outra pessoa agindo não serve. Nenhuma tela serve. Para valer, a criança precisa estar em ação, atenta ao que está fazendo – aí tem foco, esforço e aprendizado.
O aprendizado sempre passa por fases que não devem ser interrompidas: A primeira, de exploração, seguida de um tipo de esforço repetido em uma direção, que pode estar errada, e aí vem a frustração. Depois disso o esforço muda de direção. Se estiver errado novamente, mais frustração. Mas em algum momento o esforço vai para o caminho certo, e o sucesso é alcançado. Qualquer processo de aprendizado passa por fases assim. Ou quase qualquer um.
O aprendizado só pode passar por todas essas fases se a criança puder ir até o final. Se ela precisa parar no meio, da próxima vez precisa retomar. E porque não está mais envolvida profundamente, não recorda todos os seus erros, mas recorda que da última vez, não conseguiu, e sua crença em si mesma é um pouco menor agora. Por outro lado, se ela tiver a chance de ir até o final, aprende duas coisas:
Primeiro, aquele desafio foi superado, e uma nova habilidade ou conhecimento foi adquirido.
Segundo, desafios podem ser superados, se houver esforço e foco, e a frustração é só uma parte do processo.
Claro, o segundo aprendizado é ainda mais importante que o primeiro.
A mente demora um pouco para desenvolver interesse, para entrar em movimento, para se aquecer num tema e atingir um estado de trabalho produtivo.
Se nesse meio tempo houver interrupção, não somente um período de trabalho útil é perdido, mas a interrupção também produz uma sensação idêntica ao cansaço.
Maria Montessori, O que Você Precisa Saber sobre Seu Filho
As crianças precisam de tempo. Alguém nos enganou e nos fez acreditar que tempo é luxo, que tempo é dinheiro. O sociólogo Antonio Candido é explícito: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido das nossas vidas”.
As crianças precisam de tempo ininterrupto como precisam de ar e de comida. Se nossas crianças param de respirar ou de comer, percebemos a urgência da situação. Precisamos encontrar caminhos para que elas tenham tempo suficiente também.
Tempo abundante. Para se envolverem sem medo da interrupção e do fracasso. Para conseguirem fazer sozinhas. E mais do que isso, para acreditarem que é possível aprender.