Maria Montessori, a mulher que mudou sua vida e a educação

Maria Montessori, a mulher que mudou sua vida e a educação

Maria Montessori foi uma revolução em si mesma. Foi uma pedagoga italiana, educadora, cientista, médica, psiquiatra, filósofa, antropóloga, bióloga e psicóloga. De fortes convicções católicas e feministas, acabou se formando em 1986 como a primeira mulher médica na Itália. Foi contemporânea de Sigmund Freud e desenvolveu sua própria classificação de doenças mentais.

Entre 1898 e 1900 trabalhou com crianças consideradas perturbadas mentalmente. Ela percebeu que algumas das crianças simplesmente não tinham desenvolvido seus potenciais. Daí surgiu sua vocação para estudar as capacidades das crianças, algo que realizou durante 50 anos.

Uma de suas afirmações mais controversas é de que, durante os primeiros 3 anos de vida, o aprendizado é realizado sem esforço, de forma natural. Seu método se opõe ao clássico modelo prussiano de ensino, que surgiu devido à revolução industrial e foi impulsionado no ocidente até os nossos dias. Este método (de muitas formas) concebe a criança como um futuro trabalhador que recebe ordens.

No entanto, Maria Montessori concebia a educação de outra forma. Neste artigo vamos falar sobre algumas de suas ideias mais importantes.

 

O método Maria Montessori

O método Montessori aposta em aproveitar ao máximo os períodos mais favoráveis do desenvolvimento. Para isso, é necessário preparar cuidadosamente o ambiente e adaptá-lo às características físicas das crianças. Na medida do possível, é necessário manter a máxima semelhança com os espaços naturais que esta pedagoga tanto dedicou às crianças.

“Quando a criança faz exercícios segundo a necessidade de seu ‘presente sensível’, ela progride e alcança graus de perfeição que são imitáveis em outros momentos da vida”. – Maria Montessori-

Este modelo educativo aposta nos agrupamentos heterogêneos das crianças, respeitando ritmos e estilos pessoais. Alguns dos segredos do método Montessori são o interesse pelos períodos de crescimento sensível e a ênfase de que existe uma mente absorvente na infância que deve ser aproveitada ao máximo.

 

A seguir, veremos alguns dos componentes mais importantes deste método.

Componentes do método Montessori

O modelo de Maria Montessori conta com vários pontos para que o processo de descoberta do mundo por parte da criança seja o mais natural, autônomo e ajustado a sua idade. Isso é especialmente importante até os 3 anos de idade, época na qual estes componentes têm um papel ainda mais determinante.

 

Período do crescimento

Uma das ideias fundamentais deste modelo é de que existem diferentes tipos de psique e de mente nos diversos períodos da vida. Estas etapas têm características distintas e foram estudadas amplamente pela psicologia do desenvolvimento.

 

Períodos sensíveis

Outra das ideias mais importantes são os períodos sensíveis. São etapas nas quais o aprendizado pode ser realizado da forma mais simples possível. Se a criança não aproveitar a oportunidade, mais a frente será muito mais difícil adquirir certos conhecimentos ou habilidades.

 

A mente absorvente

Durante o período que vai entre 0 e 3 anos de idade, o aluno não tem memória nem capacidade de raciocínio, mas elas devem ser geradas. No entanto, nesta etapa a criança é capaz de realizar uma grande quantidade de aprendizados, já que seu cérebro é extremamente sensível.

 

Ambiente

Todos os objetos presentes na sala de aula devem ser selecionados expressamente para que tenham utilidade. Os alunos devem poder escolher todo tipo de ferramentas e estímulos para que seu desenvolvimento seja o mais completo possível.

 

Liberdade

As crianças precisam contar com a máxima liberdade dentro da sala de aula. Dessa forma, sua autonomia e seu desejo por aprender são estimulados.

 

Estrutura e organização

A estrutura e a ordem devem ser refletidas em classe. Assim, cada criança pode desenvolver sua própria inteligência e organização mental. Os materiais utilizados no ensino devem ser ordenados em função da dificuldade que apresentam.

 

Realidade e natureza

De acordo com Maria Montessori, deve-se fomentar que a criança tenha contato com a natureza, para que ela compreenda e aprecie sua ordem, hamonia e beleza. O principal objetivo é que a criança compreenda as leis naturais, que são o princípio de todas as ciências.

 

O educador

Na filosofia de Montessori, o educador adquire o papel de facilitador de aprendizagem. Neste modelo educativo, sua função não é transmitir conhecimentos que as crianças devem memorizar. Pelo contrário, ele tem que dar liberdade para que elas possam explorar seus próprios interesses.

Neste sentido, seu papel é complexo, já que deve fomentar o desejo de aprender das crianças sem interferir demais nelas.

 

A importância dos cantos

Maria Montessori incorpora em sua metodologia o uso dos cantos na sala de aula. Estes espaços são dirigidos para criar uma atmosfera da ordem para estimular a motricidade e a implicação das crianças na realização de tarefas muito úteis para sua vida diária. A seguir, veremos alguns exemplos de espaços utilizados nesta metodologia.

 

Canto da casinha

São espaços com objetos pessoais dos alunos que lhes proporcionam segurança e intimidade. Estas áreas da sala de aula são necessárias para a boa organização e para proporcionar estabilidade e ordem.

 

Canto da linguagem

Espaço para fomentar a fala, onde há colchonetes ou almofadas para as crianças. Também existem estantes ao alcance das crianças, onde podem encontrar contos e materiais de leitura.

 

Canto das sensações

Área das cores, dos sons, do tato e da coordenação. Este espaço pode ser ambientado com instrumentos musicais, cartolinas de várias cores, materiais de diferentes texturas ou diferentes jogos.

Fonte: A Mente é Maravilhosa

 

Corrija o Ambiente, Não a Criança

Corrija o Ambiente, Não a Criança

A criança tem uma relação com seu ambiente que é diferente da nossa… a criança o absorve. As coisas que ela vê não são só lembradas, elas formam parte de sua alma. Ela encarna, em si, tudo aquilo que seus olhos vêem e seus ouvidos escutam no ambiente. (Maria Montessori, Mente Absorvente)

Observo crianças e adultos há anos. Quase toda a comunicação entre adultos e crianças é baseada em ordens e negações. Falamos com as crianças mandando ou impedindo que façam alguma coisa. Montessori mostrou que existe uma forma de corrigir situações complicadas sem corrigir a criança, e de mudar comportamentos sem diminuir nossa comunicação inteira a uma constante tirania.

A criança se constrói a partir dos elementos disponíveis no seu ambiente. Por isso, modificando o ambiente, ajudamos a criança a se construir diferente e agir melhor.

O que significa, exatamente, modificar o ambiente? Quer dizer que observando a interação de nossos filhos com o ambiente, não corrigimos nossos filhos, mas o espaço onde eles estão, e a transformação ocorre por isso.

Pense, por exemplo, em uma criança que quebra copos de vidro o tempo todo. Você sabe que em Montessori sugerimos o uso do vidro com as crianças, e por isso não quer passar a usar plástico. Mas também não quer todos os seus copos quebrados.

Observando o ambiente, percebe que os copos ficam numa prateleira um pouco baixa demais, e que por isso seu filho pega os copos por cima, e não pela lateral, como deveria. Então, segura os copos de forma frágil e por isso os quebra com frequência.

Mudando a altura da prateleira, sem dizer nada à criança, você resolve o problema. Corrigiu o ambiente, não corrigiu a criança, e modificou a situação complicada.

O primeiro passo para corrigir o ambiente é ter um problema.

Isso parece fácil, porque achamos que temos muitos problemas. Mas nem sempre enxergamos os problemas com clareza, e isso nos impede de resolver. Se, em vez de pensar que seu filho quebra muitos copos, pensar que ele é desastrado, estará olhando para o problema errado, e aí é difícil resolver. Ele quebra copos. Isso pode ser resolvido. Encontre um problema que possa ser definido com clareza.

O segundo passo para corrigir o ambiente é saber o que há de bom na criança.

É frequente  que crianças mais velhas, de cinco ou seis anos, sigam menos rotinas rígidas – coisa que as de dois anos adoram – e prefiram criar novidades com frequência. Porque elas argumentam muito bem, é às vezes difícil direcioná-las para a rotina necessária. E é bem fácil perder a calma, e corrigir a criança. Em vez disso, nós podemos seguir um dos princípios de Montessori para o adulto, que diz:

Concentre-se em fortalecer e ajudar o desenvolvimento daquilo que é bom na criança, para que sua presença deixe cada vez menos espaço para o que é ruim.

Uma criança de cinco ou seis anos tem uma capacidade intelectual invejável. Elas gostam de pensar. Se puderem pensar e organizar seus pensamentos, tudo em sua vida fica mais fácil. Sabendo disso, você pode fazer uma tabela para a rotina do seu filho.

Se ele puder participar dessa confecção, e a tabela ficar presa à parede em uma altura que ele possa enxergar, você não precisará disputar com argumentos a obediência à rotina. Bastará se referir à tabela e pedir que a criança mesma encontre o próximo passo do dia. Se nós soubermos em que a criança é boa fica muito mais fácil achar soluções sem correção.

Um passo permanente para corrigir o ambiente é observar a criança

O ambiente montessorianos nunca fica pronto. Montessori nos dizia para tomar cuidado constante e ser meticulosos com ele. O ambiente, como o adulto, segue a criança. Porque a criança é viva, e está em constante transformação, o ambiente é vivo e se transforma também.

Para manter o ambiente adequado à criança, e para conseguir que, através do ambiente, os erros da criança se corrijam sozinhos, é indispensável observar a criança continuamente.

Observar a criança significa parar e olhar profundamente. Para isso, é necessário tirar um tempo exclusivo para a observação. Respirar duas, três vezes, ter um bloquinho e uma caneta, anotar o que parecer interessante. Perceber o que está dando certo e o que não parece bem.

Enxergar em que nossas crianças têm sucesso e quais desafios ainda é necessário superar. A partir da observação, que deve acontecer com a maior frequência possível, é possível entender a criança, e da compreensão vem a transformação.

Erro, grande amigo

Nós partimos sempre do princípio de que o erro é ruim, e porque é ruim deve ser eliminado. Não é verdade. O erro é um companheiro de jornada, e deve ser superado porque nos tornamos mais perfeitos. Não é um inimigo, mas um inseparável colega daquele que busca melhorar a cada dia.

A correção da criança transforma o erro em uma ameaça e uma humilhação. A correção do ambiente transforma o erro em uma etapa do aprendizado e do desenvolvimento. Sem o medo do erro, o aprendizado fica muito mais próximo, e pelo reconhecimento do erro como companheiro de jornada, caminhamos em paz.

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Como ajudar a criança a se concentrar – e porque isso importa

Como ajudar a criança a se concentrar – e porque isso importa

Seu filho passa dez minutos brincando no banho, e isso o faz dormir melhor. Você decide deixar que ele brinque com as panelas, e fica mais fácil estudar depois. Crianças que têm mais liberdade para brincar também são crianças de convivência suave.

Crianças de qualquer temperamento e personalidade, uma vez concentradas, são mais felizes, têm mais iniciativa, mais sucesso no que fazem, lidam melhor com frustração e compreendem melhor orientações. Por quê? E como ajudar a criança a se concentrar?

 

A criança que se concentra é imensamente feliz.

A frase é de Maria Montessori, mas poderia ser de qualquer grande universidade contemporânea. A concentração é uma das características-chave do desenvolvimento infantil, e embora isso tenha sido descoberto pela primeira vez no começo do século XX, recentemente a concentração foi relacionada a um grupo de funções cerebrais chamadas funções executivas e diretamente relacionada a um desenvolvimento emocional positivo, a melhor desempenho acadêmico e a uma socialização mais saudável. Por que isso acontece?

 

Quando a criança se concentra, penetra em uma realidade interior que não é acessada sem concentração. Sem concentração, a criança precisa só fazer coisas. Precisa dar conta de tarefas, cumprir ordens, obedecer, controlar-se. Mas não entra em contato com o que acontece dentro dela mesma. Está ocupada demais fora.

 

Quando se concentra, acontece o contrário. O mundo exterior só existe até as mãos dela. O interior aparece. Ela lida com a sua resiliência, com frustrações, com novos desafios, com a sensação de sucesso e vitória, e a sensação de fracasso, lida com pensamentos, emoções, com seu discurso interior… E na medida em que compreende melhor o que acontece dentro dela, consegue viver melhor fora.

 

A concentração está mesmo relacionada à felicidade. Mas é mais que isso. Ela está relacionada a propósito. Quando a criança se concentra, não faz as coisas por fazer. Faz porque as coisas fazem sentido. E isso é raro nas vidas das crianças e dos adultos. Num mundo em que na maior parte do tempo se faz coisas porque elas têm que ser feitas, ou porque queremos nos distrair, a concentração é um portal. Para um mundo diferente. Para um desenvolvimento saudável.

 

A criança sabe de tudo isso. Intuitivamente. Lá dentro. Porque nasceu para se concentrar e se desenvolver da melhor maneira que puder. Por isso ela busca as panelas. Por isso ela tira as calças assim que consegue colocá-las. Por isso ela demora com os brinquedos no banho.

 

Nós podemos ajudar a criança a se concentrar. Em um texto sobre o assunto, explicamos como:

Como nasce a concentração? A concentração nasce do trabalho. Um trabalho muito especial, que envolva as mãos, a mente e o coração. Que seja interessante, agradável e envolva movimento. De todos os tipos possíveis de trabalho, os que conduzem mais facilmente à concentração são as atividades de independência – que em Montessori nós chamamos de atividades de Vida Prática.

 

As atividades de Vida Prática são as que permitem à criança se tornar independente do adulto. A criança sempre quer fazer coisas. Nos primeiros seis anos de vida o que mais quer é aprender a fazer as coisas sozinha. Para isso, precisa de nossa ajuda. Nós podemos:

Abaixar ítens da casa para que fiquem acessíveis para a criança.

  • Bandejas, travessas, utensílios de cozinha. Livros, roupas, sapatos. Vassouras, rodos, panos. Regadores para plantas, esponjas de banho, sabonete em pedaços.

 

Demonstrar como se usa cada um desses ítens.

  • Atividades de cortar, regar, lavar, limpar…
  • Podemos demonstrar em silêncio, para que a criança não se distraia com nossa voz, ou podemos falar sobre o que vamos fazer, com poucas palavras, e então fazer em silêncio.
  • Devemos demonstrar devagar, como se alguém estivesse nos ensinando a fazer algo muito, muito complexo.
  • E aí devemos convidar a criança para fazer.

 

As coisas que a criança já sabe usar devem ficar disponíveis para ela, enquanto houver interesse.

  • O interesse depende do desafio. Quando não houver mais desafio, o interesse desaparece.
  • Isso é um sinal de que podemos oferecer um desafio mais complexo naquela direção.

 

Depois que a criança estiver trabalhando, não interrompa.

  • “Nunca interrompa uma criança em alguma coisa que ela acha que pode fazer sozinha” – Montessori
  • “Nunca interrompa uma criança que progride, não importa quão lentamente” – Montessori

 

A criança não vai se concentrar de uma vez.

No começo pode ser um desafio entender que a criança deseja de verdade se concentrar, e pode ser um desafio maior ainda achar atividades que promovam a concentração. Não se intimide. A criança não vai se concentrar de uma vez.

Primeiro ela vai se interessar, depois se tranquilizar, aí começar a ter algum foco, e só então se concentrar de verdade. A tranquilidade já é um presente precioso.

Para ajudar você, escolhi alguns vídeos do incrível Voila Montessori, que estão numa playlist abaixo. Não se limite às ideias dos vídeos. Siga sua criança e os interesses dela.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

 

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E você, ainda tem alguma dúvida sobre os benefícios do Método Montessori adotado por nós da Escola Prisma? Escreva sua dúvida em nossa seção de comentários que nós vamos te ajudar.

 

Cinco Atitudes de Professores Montessorianos que Podemos Adotar em Casa

Cinco Atitudes de Professores Montessorianos que Podemos Adotar em Casa

Os Professores Montessorianos passam por uma formação profissional extensa e exigente!

Isso mesmo! O professor montessoriano passa por uma formação profissional extensa e exigente, e desenvolve atitudes muito diferentes das comuns com as crianças. Ele aprende a falar da forma apropriada, a respeitar esforços das crianças, a não interromper, a mediar conflitos e prevenir que eles aconteçam… é uma transformação na forma de ver o ser humano.

Claro, algumas dessas atitudes só são necessárias na escola, onde há muitas crianças o tempo todo. Mas algumas das mais importantes atitudes do professor montessoriano são, na essência, simples, e podem ser usadas em casa com sucesso, para a nossa felicidade e a da criança.

 

Neste texto, vamos ver cinco atitudes importantes dos professores montessorianos e como trazer cada uma delas para casa, para o benefício de nossos filhos.

1. Não interromper a criança. Confiar nela.

Todos os adultos interrompem as crianças mais do que deveriam. Mas os professores montessorianos fazem isso muito menos. Montessori sugeria nunca interromper uma criança em alguma coisa que ela acredita que é capaz de fazer sozinha.

Mesmo quando nós não acreditamos, precisamos confiar na criança. Se ela acredita, confiamos na criança. E muitas vezes nos surpreendemos. Em outras, precisaremos mesmo ajudar, e aí damos o mínimo de ajuda necessário para que a criança retome a crença em si e continue por si só a partir de então.

 

2. Falar baixo, devagar e olhar nos olhos.

É o oposto do que geralmente se faz com as crianças, não é? Nós falamos rápido, em pé, e repetimos rápido e várias vezes até a criança conseguir processar esse monte de ordens repetidas e obedecer, humilhada.

Professores montessorianos resistem ao impulso de acreditar que “porque eu sou adulto, a criança deve obedecer”, e se esforçam para conquistar a admiração e a vontade de ouvir da criança, com uma abordagem gentil, agradável e sedutora.

Mesmo quando precisam colocar limites, fazem isso falando devagar, baixo, e olhando nos olhos das crianças. Isso, felizmente, faz com que as crianças compreendam muito melhor o que dizemos a elas.

 

3. Mostrar de novo, e de novo, e de novo…

Montessori dizia que tínhamos de ser incansáveis na apresentação daquilo que a criança não absorveu ainda. Incansáveis. Isso quer dizer mostrar de novo, e de novo. Muitas vezes, porque convidamos nossos filhos para cozinhar por cinco vezes, no ano passado, e ele não aceitou, julgamos pelo resto dos dias que ele “não gosta de cozinhar”.

Não é verdade. Pode ser que ele não estivesse com vontade em nenhuma das cinco vezes. Pode ser que o prato não o agradasse. Pode ser que ele tivesse outra ocupação em mente. Convidamos de novo, e de novo, e de novo. Até que a criança tenha a chance de ter a experiência, vivenciar, e aprofundar-se ou não nela.

 

4. Observar, organizar e agir.

Professores montessorianos começam o dia com um plano que indica coisas que podem fazer com várias das crianças de sua sala. Esse plano pode ser esquecido ou abandonado a qualquer momento.

O que comanda os dias não é o planejamento, mas o comportamento das crianças reais (não as da tabela, não as do Pinterest). Nós, em casa, podemos observar também. Talvez não com o mesmo nível de detalhes, mas podemos olhar nossos filhos e tentar descobrir do que eles precisam, mais do que o que eles merecem, ou o que nós queremos que eles recebam.

Encontrar do que é que precisam, o que mostram precisar por meio de seus comportamentos, é a chave para uma convivência que seja pacífica e produtiva.

 

5. Corrigir o ambiente, não a criança.

Entre professores montessorianos, fala-se muito do ambiente. Uns pedem para ver fotos do ambiente do outro, e têm ideias incríveis por detalhes mínimos que viram em outros espaços. Isso acontece porque esses professores sabem que o segredo de quase todo o bem estar de uma sala está no ambiente preparado.

Os professores não tentam mudar os comportamentos das crianças, eles mudam o ambiente e o seu próprio comportamento para satisfazer as necessidades das crianças, e o comportamento muda como consequência do resto, e não por “força de vontade” ou “disciplina”.

As nossas casas não são salas montessorianas, mas é realmente possível alterar nossos ambientes para ajudar nossas crianças a viverem melhor. Se fizermos isso, teremos muito menos ocasião para querer as corrigir, inclusive.

Os professores montessorianos são profissionais da infância, mas muito daquilo que fazem é resultado de “muita observação, e muito bom senso”, como dizia Montessori, e isso todos nós podemos ter.

 

Experimente essas atitudes, com confiança e curiosidade.

Volte para dividir a alegria de uma convivência mais tranquila e as revelações do comportamento natural de seus filhos quando deixados em liberdade em um ambiente realmente preparado para eles. Espero você!

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

 

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Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria maneira de sentir, ver e pensar. Poucas pretensões podem ser tão erradas como tentar substituí-la pela forma como nos sentimos, vemos ou pensamos, porque as crianças nunca serão cópias dos seus pais. As crianças são filhas do mundo e são feitas de sonhos, esperanças e ilusões que se acumulam nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há alguns meses saiu uma notícia que nos desconcerta e nos convida a refletir. No Reino Unido, muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que aos 6 possam fazer um teste, que lhes permite ter acesso às melhores escolas. Um suposto “futuro promissor” pode causar a perda da infância.

De que adianta uma criança saber os nomes das luas de Saturno, se não sabe como lidar com a sua tristeza ou raiva? Eduquemos crianças sábias nas emoções, crianças cheias de sonhos, e não de medos.

Hoje em dia, muitos pais continuam com a ideia de “acelerar” as habilidades de seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, colocá-los para dormir ao som de Mozart enquanto ainda estão no útero. Pode ser que essa necessidade de criar filhos aptos para o mundo esteja a educar filhos aptos apenas para si mesmos. Criaturas que com apenas 5 ou 6 anos sofrem o estresse de um adulto.

 

Os nossos filhos e a competitividade do ambiente

Todos sabemos que nas sociedades em mudança e competitivas são necessárias pessoas capazes de se adaptarem a todas as exigências. Também não temos dúvidas de que crianças britânicas que conseguem entrar nas melhores escolas, conseguirão amanhã um bom trabalho.

No entanto, também é necessário perguntar … Terá valido a pena todo o custo emocional? O perder a infância? O seguir as orientações de seus pais desde os 5 anos?

As crianças são feitas de sonhos e devem ser tratadas com cuidado. Se lhes dermos obrigações de adultos enquanto ainda são apenas crianças, arrancamos-lhes as asas, fazendo-as perderem a sua infância.

 

Respeitar o tempo, o afeto e os sonhos

A nossa obrigação mais importante é dar às crianças um “raio de luz”, para depois seguirmos o nosso caminho.
Maria Montessori

A curiosidade é a maior motivação do cérebro de uma criança, por conseguinte, é conveniente que os pais e educadores sejam facilitadores de aprendizagem, e não agentes de pressão. Vejamos agora abordagens interessantes sobre a parentalidade que respeita os ciclos naturais da criança e suas necessidades.

 

Pais sem pressa – Slow Parenting

O “Slow Parenting” (pais sem pressa) é um verdadeiro reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a desacelerar, a sermos mais conscientes do que nos rodeia. Portanto, no que se refere à criança, promovemos um modelo mais simplificado, de paciência, com respeito aos ritmos da criança em cada fase de desenvolvimento.

 

Os eixos básicos que definem o Slow Parenting serão:

  • A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo;
  • Nós não somos “amigos” de nossos filhos, somos suas mães e pais. Nosso dever é amá-los, orientá-los, ser seu exemplo e facilitar a maturidade sem pressão;
  • Lembre-se sempre de que “menos é mais”. Que a criatividade é a arma dos filhos, um lápis, papel e um campo têm mais poder do que um telefone ou um computador;
  • Compartilhe tempo com seus filhos em espaços tranquilos.

 

Parentalidade respeitadora consciente

Embora o mais conhecido desta abordagem seja o uso de reforço positivo sobre a punição, este estilo educativo inclui muitas outras dimensões que valem a pena conhecer.

 

Devemos educar sem gritar.

O uso de recompensas nem sempre é apropriado: corremos o risco de nossos filhos se acostumarem a esperar sempre recompensas, sem entenderem os benefícios intrínsecos do esforço, realização pessoal.

Dizer “não” e estabelecer limites não vai gerar nenhum trauma, é necessário. O forte uso da comunicação, escuta e paciência. Uma criança que se sente cuidada e valorizada é alguém que se sente livre para manter os sonhos da infância e moldá-los até a idade adulta.

Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e asas às suas expectativas.

Fonte: A Mente é Maravilhosa por por Valeria Sabater

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