Não Interrompa a Criança que se Concentra

Não Interrompa a Criança que se Concentra

Vivemos em uma cultura de interrupção. Adultos carregam em seus bolsos máquinas de interromper. A cada bipe, vibração ou luz piscando, a trilha de nossos pensamentos é interrompida, e nossas interações humanas também. Não é de estranhar, portanto, que não vejamos nada de mau em interromper uma criança, mesmo quando ela esteja concentrada em uma tarefa. Mas as crianças vivem muito melhor quando os adultos à sua volta compreendem a importância de não interromper.

Quando uma criança está focada no que faz, envolvida de verdade na tarefa à sua frente, aquilo é o melhor que ela pode fazer com o tempo de sua infância. Nada é mais poderoso para o desenvolvimento. Isso è indicado pelo fato de que as crianças que se concentram e não são interrompidas emergem da tarefa muito mais tranquilas.

Uma vez, eu estava na casa de dois amigos, conversando, e sua filha de 8 meses estava inquieta, tentando pegar as castanhas que comíamos. Por fim, os pais permitiram que ela pegasse as vasilhas e as castanhas. Uma a uma, ela passou todas as castanhas de uma vasilha para a outra. Por vinte e cinco minutos ela se manteve na tarefa, passando castanhas de uma vasilha para a outra.

Quando terminou, até eu, que conheço as explicações de Montessori, esperava que ela estivesse cansada. Ela não só estava bem disposta, como sorria, e não demonstrou nenhum sinal de desassossego até que chegasse sua hora de dormir.


A essência do dever do adulto é não interromper a criança em seus esforços.

Maria Montessori, em Mente Absorvente

Quando a criança está concentrada, o que ela está fazendo é importante. E ela está concentrada quando seus olhos olham para o que suas mãos fazem. Televisão não serve. Outra pessoa agindo não serve. Nenhuma tela serve. Para valer, a criança precisa estar em ação, atenta ao que está fazendo – aí tem foco, esforço e aprendizado.

O aprendizado sempre passa por fases que não devem ser interrompidas: A primeira, de exploração, seguida de um tipo de esforço repetido em uma direção, que pode estar errada, e aí vem a frustração. Depois disso o esforço muda de direção. Se estiver errado novamente, mais frustração. Mas em algum momento o esforço vai para o caminho certo, e o sucesso é alcançado. Qualquer processo de aprendizado passa por fases assim. Ou quase qualquer um.

O aprendizado só pode passar por todas essas fases se a criança puder ir até o final. Se ela precisa parar no meio, da próxima vez precisa retomar. E porque não está mais envolvida profundamente, não recorda todos os seus erros, mas recorda que da última vez, não conseguiu, e sua crença em si mesma é um pouco menor agora. Por outro lado, se ela tiver a chance de ir até o final, aprende duas coisas:

  • Primeiro, aquele desafio foi superado, e uma nova habilidade ou conhecimento foi adquirido.
  • Segundo, desafios podem ser superados, se houver esforço e foco, e a frustração é só uma parte do processo.

Claro, o segundo aprendizado é ainda mais importante que o primeiro.

A mente demora um pouco para desenvolver interesse, para entrar em movimento, para se aquecer num tema e atingir um estado de trabalho produtivo.

Se nesse meio tempo houver interrupção, não somente um período de trabalho útil é perdido, mas a interrupção também produz uma sensação idêntica ao cansaço.

Maria Montessori, O que Você Precisa Saber sobre Seu Filho

As crianças precisam de tempo. Alguém nos enganou e nos fez acreditar que tempo é luxo, que tempo é dinheiro. O sociólogo Antonio Candido é explícito: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido das nossas vidas”.

As crianças precisam de tempo ininterrupto como precisam de ar e de comida. Se nossas crianças param de respirar ou de comer, percebemos a urgência da situação. Precisamos encontrar caminhos para que elas tenham tempo suficiente também.

Tempo abundante. Para se envolverem sem medo da interrupção e do fracasso. Para conseguirem fazer sozinhas. E mais do que isso, para acreditarem que é possível aprender.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão



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Como a concentração se torna um hábito da criança

Como a concentração se torna um hábito da criança

As crianças, neste ponto como os adultos, vivem bem quando mente e corpo funcionam junto. Esse funcionamento está em clímax quando a criança se concentra.

Maria Montessori foi a primeira cientista da história a identificar o que conduz à concentração em crianças – e hoje nós sabemos que processos muito parecidos ocorrem com adultos, também.

A criança nasce com mente e corpo funcionando juntos. Montessori se referia a ambos por vontade e ação, respectivamente. Isso fica claro em um bebê: se ele estende o braço para mexer em um móbile, todo o seu ser está no braço, na mão, e no móbile.

Nem por um instante ele pensa na próxima amamentação. Nem por um instante se preocupa com a qualidade da soneca que vai dar mais tarde. Braço, mão, móbile. Ali estão sua vontade e sua ação – sua mente e seu corpo.

Para que as coisas continuem bem assim, a criança precisa ter a chance de continuar a desenvolver esforços significativos para ela: movimentar-se à vontade, por exemplo, andando, correndo, subindo e descendo, pegando em tudo que lhe interessar e for razoavelmente seguro.

Geralmente, quase universalmente, não é assim, e os adultos impedem as crianças de subir no sofá, tirar as frutas da fruteira, e correr na calçada. Isso separa a vontade (de se movimentar) e a ação (que é ficar parado, sendo uma criança “boazinha”).

É um dos maiores desastres de uma infância sem privações maiores. Mesmo assim, as crianças podem se recuperar, e essa recuperação, magnífica, é o que chamou a atenção de Montessori quando ela descobriu a concentração.

Ao longo dos primeiros seis anos de sua vida, a criança encontrará, e pode ser apresentada, de novo e de novo, a possibilidades de esforços interessantes. Quando encontra um que lhe atrai de verdade, que tem desafios na medida certa, que permite seu movimento, e que lhe agrada, a criança entra em um novo estado de espírito.

Ela esquece de seu entorno, recusa distrações, ignora o tempo e suas necessidades mais imediatas, para perseguir sua nova conquista.

Nesse momento, vontade e ação, mente e corpo, se encontram novamente, se reconhecem, e trabalham juntas de novo. Quanto mais oportunidades a criança tiver de esforços significativos, mais sua mente e seu corpo se acostumarão a trabalhar juntos. Mais e mais a concentração se tornará um hábito.

Em cada fase da infância, a criança precisa de diferentes possibilidades de esforços significativos. Em Montessori, identificamos essas diferentes etapas pelos períodos sensíveis das crianças. Em cada um deles, as crianças tem sensibilidades especiais para esforços distintos. Você pode ler sobre eles no link deste parágrafo.

Mas há uma outra maneira, ainda melhor, de descobrir do que o seu filho, ou a sua filha, precisam: observar. Olhar as crianças com atenção nos mostra o que elas estão tentando fazer. E o que elas estão tentando fazer, em geral, é o que elas precisam fazer. Por exemplo, se o seu filho estiver tentando amarrar os sapatos, há três grandes possibilidades:

  1. Ele pode estar tentando desenvolver coordenação motora fina;
  2. Pode ser que esteja buscando independência para se vestir;
  3. Pode ser que queira mesmo amarrar os sapatos.

É bom ter uma mente muito aberta na hora da observação, e observar mais de uma vez, observar com frequência. Se sua criança encontrar em você um adulto capaz de ajudá-la a se envolver em esforços significativos, a concentração vem “sozinha”, e se torna o melhor hábito da vida dela.

O Lar Montessori desenvolveu um curso sobre convivência pacífica com crianças, em que você aprenderá sobre concentração, esforços significativos, períodos sensíveis, e outros tantos temas importantes para o desenvolvimento do seu filho. Para conhecer e poder participar, clique na figura abaixo:

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

Escola Prisma e o Método Montessori

Escola Prisma e o Método Montessori

Método Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos criado ou idealizado inicialmente por Maria Montessori.

De acordo com sua criadora, o ponto mais importante do método é, não tanto seu material ou sua prática, mas a possibilidade criada pela utilização dele de se libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada, compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.

Montessori escreveu que o desenvolvimento se dá em “planos de desenvolvimento”, de forma que em cada época da vida predominam certas necessidades e comportamentos específicos. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança, Montessori pode traçar perfis gerais de comportamento e de possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação.

A compreensão mais completa do desenvolvimento permite a utilização dos recursos mais adequados a cada fase e, claro, a cada criança individualmente.

Dando suporte a todo o resto, os seis pilares educacionais de Montessori são*:

  1. Autoeducação
  2. Educação como ciência
  3. Educação Cósmica
  4. Ambiente Preparado
  5. Adulto Preparado
  6. Criança Equilibrada

AUTOEDUCAÇÃO

Trata-se da ideia radical de que a criança é capaz de aprender sozinha. Todas as crianças aprendem algumas coisas sozinhas: andar, falar, comer, pegar, reconhecer voz e aparência, receber e fazer carinho… Mas em muitos casos, nós mal nos apercebemos disso.

Em Montessori, nós confiamos na criança. Sabemos que se ela puder contar com o meio adequado, pode desenvolver quase tudo de forma independente e livre. Por isso, usamos materiais específicos, que são feitos para (1) serem manipulados pela criança, (2) trabalhando um novo desafio de cada vez e (3) dando a ela a chance de perceber seus próprios erros.

Com liberdade cada vez maior de escolha, e total liberdade para repetir quantas vezes quiser cada exercício, a criança autoeduca-se constantemente e com sucesso.

EDUCAÇÃO CÓSMICA

Há muitas formas de se manter desperto o interesse da criança pelo mundo. Uma das mais belas é perceber que todas as coisas estão profundamente conectadas e dependem umas das outras para existir.

Isso permite à criança desenvolver um senso de gratidão para com tudo o que há no mundo e perceber a ordem subjacente à natureza e ao universo. Havendo ordem, há relações entre as coisas, e havendo relações, sempre é possível fazer mais uma pergunta.

Estruturar a parte da educação que tem a ver com a transmissão do conhecimento pela via das perguntas e das histórias é um dos papéis do educador montessoriano, que deve ser profundamente encantado pelo universo, para manter desperto o desejo da criança de saber sempre mais.

EDUCAÇÃO COMO CIÊNCIA

A estrutura escolar mais comum hoje deriva de uma organização da época da Revolução Industrial e foi baseada em hierarquias rígidas e relações de poder verticalizadas – e não naquilo que era melhor para o desenvolvimento da criança.

Montessori era psiquiatra, e começou uma transformação na educação quando desenvolveu o Método da Pedagogia Científica (hoje chamado de Método Montessori).

Por meio da constante observação das ações da criança, nós descobrimos, histórica e diariamente, o que ajuda o seu desenvolvimento e quais são as características de uma educação que, mesmo sendo mais eficiente do que a tradicional do ponto de vista do conteúdo trabalhado, colabora constantemente para a construção do equilíbrio interior e da felicidade na vida da criança e do adolescente.

AMBIENTE PREPARADO

Feche seus olhos, pense na natureza e encontre, no seu cenário imaginado, a água. É muito provável que ela esteja no chão, perto de tudo o que é importante para a vida – comida, abrigo, local de dormir.

A civilização tirou tudo aquilo que é essencial à vida do alcance físico da criança. Nosso esforço em Montessori é devolver à criança o que lhe pertence, com ambientes de liberdade e independência, onde tudo seja organizado, oferecido e preparado para a ação infantil.

É importante que o ambiente da criança fale com ela, que seja do seu tamanho, simples, minimalista mesmo, e que contenha objetos interessantes e importantes para sua caminhada de vida rumo à independência do adulto.

ADULTO PREPARADO

Todos os outros princípios só funcionam quando o adulto que interage com a criança se esforça para, ele também, transformar-se interiormente. Montessori dizia que precisávamos abandonar o orgulho de sermos adultos, e a ira contra a criança que não se conforma às nossas idealizações, planos e vontades.

Para ela (em um livro chamado A Criança) é necessário que nós nos humilhemos e passemos a incorporar a caridade em todas as nossas ações para com a criança. O adulto preparado é um observador que confia na criança e busca nos atos dela as indicações de suas necessidades.

Depois, pela configuração do ambiente e pelas interações, tenta oferecer os meios para que a criança as satisfaça.

Esse adulto nunca ajuda mais do que o mínimo necessário, abstém-se de colaborar sempre que a criança acredita que pode agir sozinha e garante, a todo momento, que sua presença possa ser sentida caso seja necessária.

CRIANÇA EQUILIBRADA

A criança nasce com o que Montessori chamou de guia interior. Existe, na criança pequena, algo que indica qual o tipo de esforço necessário nessa fase da vida (andar, pular, correr, falar, aprender isso ou aquilo).

Se esse guia puder efetivamente direcionar a ação da criança e os adultos souberem oferecer os meios adequados para o desenvolvimento, a criança alcança um estado emocional e psicológico de graça.

Ela alcança o equilíbrio interior e torna-se, primeiro, muito mais concentrada, e em seguida a um só tempo mais feliz, generosa, esforçada, cheia de iniciativa e independência e consideração pelo outro.

A bem da verdade, o equilíbrio natural da criança pequena é o único e verdadeiro objetivo de todo o trabalho montessoriano, é aqui que queremos chegar e é daqui que partimos para todo o trabalho educacional.

Todos os princípios do método Montessori devem funcionar em união, para que a criança se desenvolva de forma completa e equilibrada. É necessário compreender a criança para identificar nela os sinais da eficiência daquilo que lhe está sendo oferecido. De acordo com Montessori, “uma das provas da correção do processo educacional é a felicidade da criança”.

O método Montessori tem sido utilizado em escolas por todo o mundo, desde o berçário até o Ensino Médio. Além disso, aplica-se Montessori em escolas especiais, clínicas de psicopedagogia e lares mundo afora.

Clínicas de repouso aproveitam características do método montessoriano para o tratamento de demência e Alzheimer e iniciativas empresariais aplicam princípios do método para o melhor desenvolvimento de seus negócios.

Algumas das maiores personalidades do mundo moderno foram educacadas em Montessori. Entre eles, estão os fundadores da Google, e Gabriel García Marquez, prêmio Nobel de Literatura. Veja seus depoimentos sobre a educação montessoriana:

Sergey Brin (co-fundador do Google):

“Cheguei no país com seis anos e imediatamente fui para uma escola Montessori. […] Eu realmente acho que me beneficiei da educação Montessori, que de algumas maneiras dá aos alunos muito mais liberdade para fazer as coisas do seu jeito, e para descobrir.

Interessante que meu parceiro Larry Page também tenha ido a um jardim de infância e pré-escola Montessori; é algo que temos em comum. Eu acho mesmo que algum crédito da vontade de ir atrás de seus interesses… você pode ligar isso àquela educação Montessori”.

Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel de Literatura):

“Não creio que haja um método melhor que o montessoriano para sensibilizar as crianças sobre as belezas do mundo e para despertar sua curiosidade para os segredos da vida”.

Você encontra abaixo vídeos com com explicações sobre o método Montessori. O compartilhamento é livre e desejável, mas agradecemos por você não editar os vídeos de nenhuma maneira.



Os pilares que escolhemos expor aqui são uma escolha de sistematização entre várias possíveis. Aprendi vários desses princípios com Edimara de Lima, diretora da escola onde estudei, e ainda hoje acredito que faz sentido sistematizar Montessori assim. A explicação que está acima é a mais recente. Se você quiser a que esteve disponível nesta página antes, clique aqui.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

Características de uma Escola Montessori

Características de uma Escola Montessori

20 Características Essenciais de uma Escola Montessori

Na Escola Prisma, nosso compromisso com o Método Montessori transforma a educação, indo muito além da sala de aula. Baseado na observação científica de Maria Montessori, nosso ambiente é cuidadosamente preparado para nutrir a autonomia e o potencial inato de cada criança.

Estes 20 pilares práticos, que sustentaram o Método por décadas de observação, são a espinha dorsal do que você encontra diariamente nas salas da Escola Prisma. Eles definem os limites e a área de excelência sobre a qual a formação integral do seu filho é construída.

Os 20 Pilares Práticos da Transformação

  1. Trabalho Individual: A concentração e o desenvolvimento de forma independente são prioridade, garantindo que a criança respeite seu próprio ritmo.
  2. Repetição do Exercício: A criança é livre para repetir o trabalho quantas vezes desejar, sem interferência, pois a repetição voluntária leva à mestria e à concentração plena.
  3. Liberdade de Escolha: A criança escolhe os materiais concretos nas estantes, o que impulsiona a motivação e apropriação do processo de aprendizado.
  4. Verificação dos Erros: O material é autocorreção! A criança percebe e corrige seus próprios erros na interação com o trabalho, desenvolvendo autonomia e persistência.
  5. Análise dos Movimentos: O ambiente incentiva o movimento. Nossos exercícios de Vida Prática auxiliam a criança a desenvolver coordenação motora, precisão e controle corporal.
  6. Exercícios de Silêncio: Um momento fundamental para a concentração e o domínio pessoal. As crianças alcançam o ápice da calma e do autocontrole.
  7. Boas Maneiras nos Contatos Sociais: Nossas crianças aprendem, na prática diária, a ter cortesia, gentileza e a cuidar umas das outras e dos visitantes.
  8. Ordem no Ambiente: A sala Montessori é um local de ordem sublime e intencional. Tudo está no lugar, limpo e organizado, o que auxilia a criança a desenvolver uma mente organizada.
  9. Meticuloso Asseio Pessoal: As atividades de Vida Prática ensinam a criança a cuidar de si e do ambiente, desde lavar as mãos até abotoar roupas, cultivando a independência.
  10. Educação dos Sentidos: A base material da pedagogia. A criança manipula materiais concretos para refinar a percepção de dimensões, cores, texturas e sons.
  11. Escrita Isolada da Leitura: Ensinamos a escrita formal primeiro, por ser uma expressão mais simples, utilizando materiais concretos e fonéticos.
  12. Escrita Anterior à Leitura: A criança compõe palavras ao aprender os sons das letras antes de conseguir decifrar textos longos, respeitando o processo natural do desenvolvimento.
  13. Leitura sem Livros: A criança aprende a ler a partir do seu ambiente e de comandos de ação, executando ordens curtas: ela, literalmente, aprende fazendo.
  14. Disciplina na Atividade Livre: A liberdade de escolha é o pilar, mas dentro dela, a criança desenvolve uma surpreendente autodisciplina e responsabilidade social.
  15. Abolição dos Prêmios e Castigos: Não usamos recompensas ou punições externas. O reforço está na alegria intrínseca da atividade e na solução de problemas.
  16. Abolição dos Silabários: O aprendizado de linguagem é fonético e concreto, utilizando o Alfabeto Móvel e as Letras de Lixa, e não métodos tradicionais de memorização silábica.
  17. Abolição das Lições Coletivas: A maior parte do ensino é individualizada, com lições breves e objetivas, garantindo o respeito ao ritmo e interesse de cada aluno.
  18. Abolição de Programas e Exames Rígidos: Respeitamos o ritmo da criança em detrimento de um currículo inflexível. A avaliação é feita por observação contínua da atividade livre.
  19. Abolição de Brinquedos e Guloseimas: Nosso ambiente contém apenas materiais com propósito definido. Não usamos doces ou objetos recreativos sem objetivo para manipular ou premiar comportamentos.
  20. Abolição da Cátedra da Professora: O professor é o guia e vive no mesmo nível das crianças, com o ambiente pertencendo integralmente aos alunos.

Quer ver esses 20 pilares em ação? Convidamos você a conhecer a Escola Prisma e a descobrir o poder transformador do Método Montessori na vida do seu filho.

 

Propósito, Missão, Visão e Valores da Escola Prisma

Na Escola Prisma, em Juazeiro da Bahia, acreditamos que a educação vai muito além da sala de aula e dos livros. Ela é a base para a formação de seres humanos completos, capazes de construir um futuro brilhante para si e para a sociedade. É com essa convicção profunda que guiamos cada decisão, cada aula e cada interação em nossa escola.

Nossas diretrizes de Propósito, Missão, Visão e Valores são o alicerce que sustenta a excelência pedagógica da Escola Prisma e o compromisso inabalável com o desenvolvimento integral de cada aluno. Elas refletem quem somos, o que fazemos e para onde estamos caminhando, inspirando toda a nossa comunidade escolar – alunos, famílias e educadores.

Nosso Propósito

O propósito da Escola Prisma é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades. Buscamos capacitar cada criança a ser um agente ativo no mundo, proporcionando-lhe a habilidade de se ajustar, interagir e transformar o meio físico e social com inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança. Nosso objetivo é preparar indivíduos que sejam não apenas academicamente excelentes, mas também cidadãos conscientes, éticos e felizes.

Veja mais em Nosso Propósito

Os primeiros três anos são os mais importantes da vida do seu filho

Os primeiros três anos são os mais importantes da vida do seu filho

O que uma criança faz nos primeiros três anos é mais importante do que tudo o que ela faz depois, pelo resto da vida. Isso não quer dizer que não haja oportunidades para mudar as coisas mais tarde, mas o começo da vida tem efeitos mais profundos e duradouros do que quase qualquer esforço posterior.

A criança nasce com a predisposição para se adaptar a qualquer cenário que encontre. Seu cérebro vem cheio de neurônios, mas com pouquíssimas sinapses. Em bom português: o cérebro está lá, mas flexível o suficiente para formar todas as suas ligações a partir das experiências vividas pela criança.

Desde cores e cheiros até dinâmicas emocionais e percepção de segurança no mundo. O cérebro tem sede de experiências, e a personalidade da criança se forma a partir da matéria prima de tudo aquilo que ela vive, de fascinante e de terrível. As consequências disso duram a vida toda.

 

Se é verdade que o destino de uma vida não é traçado por completo nos primeiros anos, também é verdade que a influência desses anos dura para sempre.

A criança de zero a três anos atravessa enormes desafios e faz conquistas importantes. Para cada uma delas, vamos fazer uma abordagem inicial aqui, e recomendamos que você estude muito mais a fundo:

 

O nascimento

criança deve nascer em paz. Em um ambiente no qual os pais se sintam seguros, e com adultos que compreendam que, para além da segurança básica da vida da criança, é fundamental proteger o seu bem-estar nessa chegada ao mundo.

Luz, temperatura, contato com o corpo da mãe, respeito ao tempo e ao corpo são aspectos que devem estar sempre presentes em nossas considerações de um parto que seja uma cerimônia de boas-vindas.

 

Alimentar-se

Quando chega perto dos seis meses, a criança passa a complementar a amamentação com alimentos sólidos. É importante que a criança possa conhecer alimentos de verdade, não seja nutrida só de industrializados com sabores misturados e artificiais, e que possa conquistar autonomia gradativa em uma relação íntima e saudável com a comida.

Seus tempos, sua fome, seus gostoso devem ser respeitados, mesmo diante da necessidade de se apresentar novidades e de uma alimentação equilibrada e regular.

 

Falar

Quando começa a falar, a criança precisa ser escutada. Precisa que falemos com ela, sim, mas mais que isso, é necessário interagir. Ela fala também, e nós mostramos que entendemos. Nós contamos histórias do dia e da vida, dizemos o que fazemos com ela (no banho) e para ela (na cozinha) e cantamos junto.

Mas quando ela fala palavras, nós nos devemos nos esforçar para entender, traduzir e executar, quando necessários, seus pedidos, para que ela perceba que suas palavras têm efeito no mundo. Conversar e ouvir, além de falar, são atitudes importantes para a construção de uma relação saudável com a comunicação.

 

Caminhar

Caminhar é a primeira independência da criança que a leva para longe de nós. E ela deve poder ir quão longe quanto quiser, e retornar. Nós podemos seguir de vez em quando, mas em geral, nós esperamos, para que essa independência seja genuína.

As crianças precisam caminhar muito, para além das paredes da casa. Caminhadas longas, lentas e cheias de pausas são perfeitas para os de dois anos. Carregar coisas enquanto caminham, subir e descer degraus, escalar e correr são evoluções da caminhada simples, e devem ser respeitadas.

Uma criança precisa de chances para se desenvolver plenamente. Se pudermos entender as necessidades de nossos filhos, e oferecer a eles três primeiros anos brilhantes, a vida tem uma chance muito maior de ser uma enorme aventura, cheia de desafios, mas cheia de amor e felicidade.

Está em nossas mãos garantir, não só para nossos filhos, mas para todas as crianças do mundo, que os anos mais importantes de suas vidas serão considerados com toda a reverência necessária. Assim, daremos a eles a chance de construir, com esforços de que só as crianças são capazes, uma nova humanidade, muito mais feliz.

Fonte: Lar Montessori, por Gabriel Salomão

 

 

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