Maria Montessori, a mulher que mudou sua vida e a educação

Maria Montessori, a mulher que mudou sua vida e a educação

Maria Montessori foi uma revolução em si mesma. Foi uma pedagoga italiana, educadora, cientista, médica, psiquiatra, filósofa, antropóloga, bióloga e psicóloga. De fortes convicções católicas e feministas, acabou se formando em 1986 como a primeira mulher médica na Itália. Foi contemporânea de Sigmund Freud e desenvolveu sua própria classificação de doenças mentais.

Entre 1898 e 1900 trabalhou com crianças consideradas perturbadas mentalmente. Ela percebeu que algumas das crianças simplesmente não tinham desenvolvido seus potenciais. Daí surgiu sua vocação para estudar as capacidades das crianças, algo que realizou durante 50 anos.

Uma de suas afirmações mais controversas é de que, durante os primeiros 3 anos de vida, o aprendizado é realizado sem esforço, de forma natural. Seu método se opõe ao clássico modelo prussiano de ensino, que surgiu devido à revolução industrial e foi impulsionado no ocidente até os nossos dias. Este método (de muitas formas) concebe a criança como um futuro trabalhador que recebe ordens.

No entanto, Maria Montessori concebia a educação de outra forma. Neste artigo vamos falar sobre algumas de suas ideias mais importantes.

 

O método Maria Montessori

O método Montessori aposta em aproveitar ao máximo os períodos mais favoráveis do desenvolvimento. Para isso, é necessário preparar cuidadosamente o ambiente e adaptá-lo às características físicas das crianças. Na medida do possível, é necessário manter a máxima semelhança com os espaços naturais que esta pedagoga tanto dedicou às crianças.

“Quando a criança faz exercícios segundo a necessidade de seu ‘presente sensível’, ela progride e alcança graus de perfeição que são imitáveis em outros momentos da vida”. – Maria Montessori-

Este modelo educativo aposta nos agrupamentos heterogêneos das crianças, respeitando ritmos e estilos pessoais. Alguns dos segredos do método Montessori são o interesse pelos períodos de crescimento sensível e a ênfase de que existe uma mente absorvente na infância que deve ser aproveitada ao máximo.

 

A seguir, veremos alguns dos componentes mais importantes deste método.

Componentes do método Montessori

O modelo de Maria Montessori conta com vários pontos para que o processo de descoberta do mundo por parte da criança seja o mais natural, autônomo e ajustado a sua idade. Isso é especialmente importante até os 3 anos de idade, época na qual estes componentes têm um papel ainda mais determinante.

 

Período do crescimento

Uma das ideias fundamentais deste modelo é de que existem diferentes tipos de psique e de mente nos diversos períodos da vida. Estas etapas têm características distintas e foram estudadas amplamente pela psicologia do desenvolvimento.

 

Períodos sensíveis

Outra das ideias mais importantes são os períodos sensíveis. São etapas nas quais o aprendizado pode ser realizado da forma mais simples possível. Se a criança não aproveitar a oportunidade, mais a frente será muito mais difícil adquirir certos conhecimentos ou habilidades.

 

A mente absorvente

Durante o período que vai entre 0 e 3 anos de idade, o aluno não tem memória nem capacidade de raciocínio, mas elas devem ser geradas. No entanto, nesta etapa a criança é capaz de realizar uma grande quantidade de aprendizados, já que seu cérebro é extremamente sensível.

 

Ambiente

Todos os objetos presentes na sala de aula devem ser selecionados expressamente para que tenham utilidade. Os alunos devem poder escolher todo tipo de ferramentas e estímulos para que seu desenvolvimento seja o mais completo possível.

 

Liberdade

As crianças precisam contar com a máxima liberdade dentro da sala de aula. Dessa forma, sua autonomia e seu desejo por aprender são estimulados.

 

Estrutura e organização

A estrutura e a ordem devem ser refletidas em classe. Assim, cada criança pode desenvolver sua própria inteligência e organização mental. Os materiais utilizados no ensino devem ser ordenados em função da dificuldade que apresentam.

 

Realidade e natureza

De acordo com Maria Montessori, deve-se fomentar que a criança tenha contato com a natureza, para que ela compreenda e aprecie sua ordem, hamonia e beleza. O principal objetivo é que a criança compreenda as leis naturais, que são o princípio de todas as ciências.

 

O educador

Na filosofia de Montessori, o educador adquire o papel de facilitador de aprendizagem. Neste modelo educativo, sua função não é transmitir conhecimentos que as crianças devem memorizar. Pelo contrário, ele tem que dar liberdade para que elas possam explorar seus próprios interesses.

Neste sentido, seu papel é complexo, já que deve fomentar o desejo de aprender das crianças sem interferir demais nelas.

 

A importância dos cantos

Maria Montessori incorpora em sua metodologia o uso dos cantos na sala de aula. Estes espaços são dirigidos para criar uma atmosfera da ordem para estimular a motricidade e a implicação das crianças na realização de tarefas muito úteis para sua vida diária. A seguir, veremos alguns exemplos de espaços utilizados nesta metodologia.

 

Canto da casinha

São espaços com objetos pessoais dos alunos que lhes proporcionam segurança e intimidade. Estas áreas da sala de aula são necessárias para a boa organização e para proporcionar estabilidade e ordem.

 

Canto da linguagem

Espaço para fomentar a fala, onde há colchonetes ou almofadas para as crianças. Também existem estantes ao alcance das crianças, onde podem encontrar contos e materiais de leitura.

 

Canto das sensações

Área das cores, dos sons, do tato e da coordenação. Este espaço pode ser ambientado com instrumentos musicais, cartolinas de várias cores, materiais de diferentes texturas ou diferentes jogos.

Fonte: A Mente é Maravilhosa

 

Corrija o Ambiente, Não a Criança

Corrija o Ambiente, Não a Criança

A criança tem uma relação com seu ambiente que é diferente da nossa… a criança o absorve. As coisas que ela vê não são só lembradas, elas formam parte de sua alma. Ela encarna, em si, tudo aquilo que seus olhos vêem e seus ouvidos escutam no ambiente. (Maria Montessori, Mente Absorvente)

Observo crianças e adultos há anos. Quase toda a comunicação entre adultos e crianças é baseada em ordens e negações. Falamos com as crianças mandando ou impedindo que façam alguma coisa. Montessori mostrou que existe uma forma de corrigir situações complicadas sem corrigir a criança, e de mudar comportamentos sem diminuir nossa comunicação inteira a uma constante tirania.

A criança se constrói a partir dos elementos disponíveis no seu ambiente. Por isso, modificando o ambiente, ajudamos a criança a se construir diferente e agir melhor.

O que significa, exatamente, modificar o ambiente? Quer dizer que observando a interação de nossos filhos com o ambiente, não corrigimos nossos filhos, mas o espaço onde eles estão, e a transformação ocorre por isso.

Pense, por exemplo, em uma criança que quebra copos de vidro o tempo todo. Você sabe que em Montessori sugerimos o uso do vidro com as crianças, e por isso não quer passar a usar plástico. Mas também não quer todos os seus copos quebrados.

Observando o ambiente, percebe que os copos ficam numa prateleira um pouco baixa demais, e que por isso seu filho pega os copos por cima, e não pela lateral, como deveria. Então, segura os copos de forma frágil e por isso os quebra com frequência.

Mudando a altura da prateleira, sem dizer nada à criança, você resolve o problema. Corrigiu o ambiente, não corrigiu a criança, e modificou a situação complicada.

O primeiro passo para corrigir o ambiente é ter um problema.

Isso parece fácil, porque achamos que temos muitos problemas. Mas nem sempre enxergamos os problemas com clareza, e isso nos impede de resolver. Se, em vez de pensar que seu filho quebra muitos copos, pensar que ele é desastrado, estará olhando para o problema errado, e aí é difícil resolver. Ele quebra copos. Isso pode ser resolvido. Encontre um problema que possa ser definido com clareza.

O segundo passo para corrigir o ambiente é saber o que há de bom na criança.

É frequente  que crianças mais velhas, de cinco ou seis anos, sigam menos rotinas rígidas – coisa que as de dois anos adoram – e prefiram criar novidades com frequência. Porque elas argumentam muito bem, é às vezes difícil direcioná-las para a rotina necessária. E é bem fácil perder a calma, e corrigir a criança. Em vez disso, nós podemos seguir um dos princípios de Montessori para o adulto, que diz:

Concentre-se em fortalecer e ajudar o desenvolvimento daquilo que é bom na criança, para que sua presença deixe cada vez menos espaço para o que é ruim.

Uma criança de cinco ou seis anos tem uma capacidade intelectual invejável. Elas gostam de pensar. Se puderem pensar e organizar seus pensamentos, tudo em sua vida fica mais fácil. Sabendo disso, você pode fazer uma tabela para a rotina do seu filho.

Se ele puder participar dessa confecção, e a tabela ficar presa à parede em uma altura que ele possa enxergar, você não precisará disputar com argumentos a obediência à rotina. Bastará se referir à tabela e pedir que a criança mesma encontre o próximo passo do dia. Se nós soubermos em que a criança é boa fica muito mais fácil achar soluções sem correção.

Um passo permanente para corrigir o ambiente é observar a criança

O ambiente montessorianos nunca fica pronto. Montessori nos dizia para tomar cuidado constante e ser meticulosos com ele. O ambiente, como o adulto, segue a criança. Porque a criança é viva, e está em constante transformação, o ambiente é vivo e se transforma também.

Para manter o ambiente adequado à criança, e para conseguir que, através do ambiente, os erros da criança se corrijam sozinhos, é indispensável observar a criança continuamente.

Observar a criança significa parar e olhar profundamente. Para isso, é necessário tirar um tempo exclusivo para a observação. Respirar duas, três vezes, ter um bloquinho e uma caneta, anotar o que parecer interessante. Perceber o que está dando certo e o que não parece bem.

Enxergar em que nossas crianças têm sucesso e quais desafios ainda é necessário superar. A partir da observação, que deve acontecer com a maior frequência possível, é possível entender a criança, e da compreensão vem a transformação.

Erro, grande amigo

Nós partimos sempre do princípio de que o erro é ruim, e porque é ruim deve ser eliminado. Não é verdade. O erro é um companheiro de jornada, e deve ser superado porque nos tornamos mais perfeitos. Não é um inimigo, mas um inseparável colega daquele que busca melhorar a cada dia.

A correção da criança transforma o erro em uma ameaça e uma humilhação. A correção do ambiente transforma o erro em uma etapa do aprendizado e do desenvolvimento. Sem o medo do erro, o aprendizado fica muito mais próximo, e pelo reconhecimento do erro como companheiro de jornada, caminhamos em paz.

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Cinco Atitudes de Professores Montessorianos que Podemos Adotar em Casa

Cinco Atitudes de Professores Montessorianos que Podemos Adotar em Casa

Os Professores Montessorianos passam por uma formação profissional extensa e exigente!

Isso mesmo! O professor montessoriano passa por uma formação profissional extensa e exigente, e desenvolve atitudes muito diferentes das comuns com as crianças. Ele aprende a falar da forma apropriada, a respeitar esforços das crianças, a não interromper, a mediar conflitos e prevenir que eles aconteçam… é uma transformação na forma de ver o ser humano.

Claro, algumas dessas atitudes só são necessárias na escola, onde há muitas crianças o tempo todo. Mas algumas das mais importantes atitudes do professor montessoriano são, na essência, simples, e podem ser usadas em casa com sucesso, para a nossa felicidade e a da criança.

 

Neste texto, vamos ver cinco atitudes importantes dos professores montessorianos e como trazer cada uma delas para casa, para o benefício de nossos filhos.

1. Não interromper a criança. Confiar nela.

Todos os adultos interrompem as crianças mais do que deveriam. Mas os professores montessorianos fazem isso muito menos. Montessori sugeria nunca interromper uma criança em alguma coisa que ela acredita que é capaz de fazer sozinha.

Mesmo quando nós não acreditamos, precisamos confiar na criança. Se ela acredita, confiamos na criança. E muitas vezes nos surpreendemos. Em outras, precisaremos mesmo ajudar, e aí damos o mínimo de ajuda necessário para que a criança retome a crença em si e continue por si só a partir de então.

 

2. Falar baixo, devagar e olhar nos olhos.

É o oposto do que geralmente se faz com as crianças, não é? Nós falamos rápido, em pé, e repetimos rápido e várias vezes até a criança conseguir processar esse monte de ordens repetidas e obedecer, humilhada.

Professores montessorianos resistem ao impulso de acreditar que “porque eu sou adulto, a criança deve obedecer”, e se esforçam para conquistar a admiração e a vontade de ouvir da criança, com uma abordagem gentil, agradável e sedutora.

Mesmo quando precisam colocar limites, fazem isso falando devagar, baixo, e olhando nos olhos das crianças. Isso, felizmente, faz com que as crianças compreendam muito melhor o que dizemos a elas.

 

3. Mostrar de novo, e de novo, e de novo…

Montessori dizia que tínhamos de ser incansáveis na apresentação daquilo que a criança não absorveu ainda. Incansáveis. Isso quer dizer mostrar de novo, e de novo. Muitas vezes, porque convidamos nossos filhos para cozinhar por cinco vezes, no ano passado, e ele não aceitou, julgamos pelo resto dos dias que ele “não gosta de cozinhar”.

Não é verdade. Pode ser que ele não estivesse com vontade em nenhuma das cinco vezes. Pode ser que o prato não o agradasse. Pode ser que ele tivesse outra ocupação em mente. Convidamos de novo, e de novo, e de novo. Até que a criança tenha a chance de ter a experiência, vivenciar, e aprofundar-se ou não nela.

 

4. Observar, organizar e agir.

Professores montessorianos começam o dia com um plano que indica coisas que podem fazer com várias das crianças de sua sala. Esse plano pode ser esquecido ou abandonado a qualquer momento.

O que comanda os dias não é o planejamento, mas o comportamento das crianças reais (não as da tabela, não as do Pinterest). Nós, em casa, podemos observar também. Talvez não com o mesmo nível de detalhes, mas podemos olhar nossos filhos e tentar descobrir do que eles precisam, mais do que o que eles merecem, ou o que nós queremos que eles recebam.

Encontrar do que é que precisam, o que mostram precisar por meio de seus comportamentos, é a chave para uma convivência que seja pacífica e produtiva.

 

5. Corrigir o ambiente, não a criança.

Entre professores montessorianos, fala-se muito do ambiente. Uns pedem para ver fotos do ambiente do outro, e têm ideias incríveis por detalhes mínimos que viram em outros espaços. Isso acontece porque esses professores sabem que o segredo de quase todo o bem estar de uma sala está no ambiente preparado.

Os professores não tentam mudar os comportamentos das crianças, eles mudam o ambiente e o seu próprio comportamento para satisfazer as necessidades das crianças, e o comportamento muda como consequência do resto, e não por “força de vontade” ou “disciplina”.

As nossas casas não são salas montessorianas, mas é realmente possível alterar nossos ambientes para ajudar nossas crianças a viverem melhor. Se fizermos isso, teremos muito menos ocasião para querer as corrigir, inclusive.

Os professores montessorianos são profissionais da infância, mas muito daquilo que fazem é resultado de “muita observação, e muito bom senso”, como dizia Montessori, e isso todos nós podemos ter.

 

Experimente essas atitudes, com confiança e curiosidade.

Volte para dividir a alegria de uma convivência mais tranquila e as revelações do comportamento natural de seus filhos quando deixados em liberdade em um ambiente realmente preparado para eles. Espero você!

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

 

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E você, ainda tem alguma dúvida sobre os benefícios do Método Montessori adotado por nós da Escola Prisma? Escreva sua dúvida em nossa seção de comentários que nós vamos te ajudar.

 

Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

Trate os seus filhos com cuidado: eles são feitos de sonhos

A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria maneira de sentir, ver e pensar. Poucas pretensões podem ser tão erradas como tentar substituí-la pela forma como nos sentimos, vemos ou pensamos, porque as crianças nunca serão cópias dos seus pais. As crianças são filhas do mundo e são feitas de sonhos, esperanças e ilusões que se acumulam nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há alguns meses saiu uma notícia que nos desconcerta e nos convida a refletir. No Reino Unido, muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que aos 6 possam fazer um teste, que lhes permite ter acesso às melhores escolas. Um suposto “futuro promissor” pode causar a perda da infância.

De que adianta uma criança saber os nomes das luas de Saturno, se não sabe como lidar com a sua tristeza ou raiva? Eduquemos crianças sábias nas emoções, crianças cheias de sonhos, e não de medos.

Hoje em dia, muitos pais continuam com a ideia de “acelerar” as habilidades de seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, colocá-los para dormir ao som de Mozart enquanto ainda estão no útero. Pode ser que essa necessidade de criar filhos aptos para o mundo esteja a educar filhos aptos apenas para si mesmos. Criaturas que com apenas 5 ou 6 anos sofrem o estresse de um adulto.

 

Os nossos filhos e a competitividade do ambiente

Todos sabemos que nas sociedades em mudança e competitivas são necessárias pessoas capazes de se adaptarem a todas as exigências. Também não temos dúvidas de que crianças britânicas que conseguem entrar nas melhores escolas, conseguirão amanhã um bom trabalho.

No entanto, também é necessário perguntar … Terá valido a pena todo o custo emocional? O perder a infância? O seguir as orientações de seus pais desde os 5 anos?

As crianças são feitas de sonhos e devem ser tratadas com cuidado. Se lhes dermos obrigações de adultos enquanto ainda são apenas crianças, arrancamos-lhes as asas, fazendo-as perderem a sua infância.

 

Respeitar o tempo, o afeto e os sonhos

A nossa obrigação mais importante é dar às crianças um “raio de luz”, para depois seguirmos o nosso caminho.
Maria Montessori

A curiosidade é a maior motivação do cérebro de uma criança, por conseguinte, é conveniente que os pais e educadores sejam facilitadores de aprendizagem, e não agentes de pressão. Vejamos agora abordagens interessantes sobre a parentalidade que respeita os ciclos naturais da criança e suas necessidades.

 

Pais sem pressa – Slow Parenting

O “Slow Parenting” (pais sem pressa) é um verdadeiro reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a desacelerar, a sermos mais conscientes do que nos rodeia. Portanto, no que se refere à criança, promovemos um modelo mais simplificado, de paciência, com respeito aos ritmos da criança em cada fase de desenvolvimento.

 

Os eixos básicos que definem o Slow Parenting serão:

  • A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo;
  • Nós não somos “amigos” de nossos filhos, somos suas mães e pais. Nosso dever é amá-los, orientá-los, ser seu exemplo e facilitar a maturidade sem pressão;
  • Lembre-se sempre de que “menos é mais”. Que a criatividade é a arma dos filhos, um lápis, papel e um campo têm mais poder do que um telefone ou um computador;
  • Compartilhe tempo com seus filhos em espaços tranquilos.

 

Parentalidade respeitadora consciente

Embora o mais conhecido desta abordagem seja o uso de reforço positivo sobre a punição, este estilo educativo inclui muitas outras dimensões que valem a pena conhecer.

 

Devemos educar sem gritar.

O uso de recompensas nem sempre é apropriado: corremos o risco de nossos filhos se acostumarem a esperar sempre recompensas, sem entenderem os benefícios intrínsecos do esforço, realização pessoal.

Dizer “não” e estabelecer limites não vai gerar nenhum trauma, é necessário. O forte uso da comunicação, escuta e paciência. Uma criança que se sente cuidada e valorizada é alguém que se sente livre para manter os sonhos da infância e moldá-los até a idade adulta.

Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e asas às suas expectativas.

Fonte: A Mente é Maravilhosa por por Valeria Sabater

O que faz uma “Família Montessoriana”?

O que faz uma “Família Montessoriana”?

No título deste texto, usei aspas em Família Montessoriana, e ao longo do texto usarei itálico. Farei isso para repetidamente deixar claro: famílias montessorianas não existem. Assim como não existe método Montessori e não existem princípios montessorianos.

 

A lembrança importa

Chamamos de método Montessori um determinado conjunto de princípios filosóficos, psicológicos e pedagógicos, que tiveram seu início ao longo da primeira metade do século XX por ação direta de Maria Montessori.

Ela mesma, porém, não tomou para si o método que desenvolveu e nem o batizou com seu nome. Até o fim de sua vida, quando se referia ao método pelo seu nome, dizia algo como “aquilo que chamam de método Montessori”.

 

Pedagogia Científica

O nome preferido por Montessori para a ciência da infância à qual deu o passo inicial foi Pedagogia Científica.

A lembrança do nome original e da forma de pensar de Maria Montessori evita que nos confundamos e nós digamos montessorianos quando, de fato, admiramos Montessori e sua criação, mas não levamos à prática os postulados científicos que propôs.

 

A ideia deste texto é ajudar famílias que descobriram Montessori há pouco tempo em seus passos iniciais, e dar suporte às famílias que já buscam utilizar Montessori em casa tanto quanto possível. Além disso, esse texto tem a estrutura de uma lista, então você pode ler aos poucos.

 

1. Famílias Montessorianas preparam o ambiente das crianças

Um dos pilares da pedagogia desenvolvida por Maria Montessori é a preparação do ambiente da criança. Preparar um ambiente significa olhar para ele do ponto de vista dos pequenos e realizar as modificações necessárias para que as crianças possam ter liberdade e independência.

 

Com base nessa ideia, utilizamos uma cama que fica muito próxima do chão, para que a criança não precise escalar a cama na hora de dormir.

 

A partir disso, também, instalamos uma barra no quarto das crianças que estão aprendendo a andar, para que elas possam se tornar independentes de nós nessa ajuda e possam se exercitar sempre que quiserem com segurança. Colocamos um espelho, para que a criança se conheça.

Em outros cômodos também tornamos a vida da criança mais próxima de uma vida total e feliz: comida, água e bebidas apropriadas podem ficar ao seu alcance em pequenas quantidades, o banheiro pode ter um banquinho e um penico, para que a criança alcance a pia e possa utilizar o banheiro sem precisar do equilíbrio do encaixe no vaso sanitário e com o mesmo conforto que um adulto tem quando se senta para suas necessidades.

 

A sala pode ter um cantinho da criança e, pensando no exercício de sua liberdade e de sua independência, precisa permitir o movimento. Por isso, é importante ensinar a criança a segurar da forma certa tudo o que quebra ou, enquanto ela é nova demais, modificar a localização de alguns pertences, para que corramos todos menos riscos.

 

A ideia não é restringir a vida do adulto, como muito se coloca. Mas possibilitar a vida da criança, como faríamos, talvez, com um adulto que não enxergasse ou não pudesse caminhar. A criança é um habitante da casa, e deve ser respeitada.

 

Quando defendemos a preparação do ambiente da criança, não falamos de adaptação. Permita que repitamos: não falamos de adaptação. O ambiente da criança conforme a orientação de Montessori é o mais próximo possível do ambiente natural.

 

Ambientes naturais são, por natureza, essencialmente baixinhos. Há água disponível na altura do chão, arbustos com frutas, raízes comestíveis, abrigo, tudo. Há toda uma vida que não chega à cintura de um adulto. Então, quando preparamos o ambiente para a criança, nós não adaptamos.

 

Nós preparamos ou, no máximo, retornamos a aquilo que é natural para o desenvolvimento da criança pequena, e com o que convivemos por quase dez mil anos de civilização, sem contar os milhões de anos de evolução.

 

2. Famílias Montessorianas escutam, vêem e observam as crianças

Todos nós escutamos, vemos e observamos crianças, pode-se argumentar. E então, podemos pensar na frase de Saramago: Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

A ideia de escutar, ver e observar a criança não é a de conviver com ela, com o celular, com a refeição em preparo, com as tabelas numéricas e com as obrigações diversas ao mesmo tempo.

 

A ideia é, pelo menos durante alguns momentos (quem sabe, de forma otimista, períodos) do dia realmente viver junto, escutar com atenção, ver com amor, observar com cuidado.

Para termos clara ideia de quanto devemos escutar, ver e observar nossas crianças, podemos pensar em quanto escutamos, vemos e observamos aqueles a quem escolhemos amar, no início do relacionamento.

 

Uma infinidade de conflitos pode ser prevenida simplesmente por ouvirmos nossos pequenos e tentarmos compreender o que os está chateando. Às vezes, são mesmo coisas que não podemos remediar. Mas às vezes podemos e, nesses casos, vale a pena tentar – e só podemos tentar, se pudermos ouvir. Precisamos fazer isso entre adultos também, na verdade.

 

Precisamos ver nossas crianças. Prestar atenção nelas. Precisamos ver como estão seus olhos, por exemplo. Precisamos checar se brilham. Os olhos das crianças devem brilhar. De interesse, de alegria, de curiosidade, de criatividade, de suspense, de atenção, de concentração, de esforço, de contentamento, de tranquilidade, de afeto, de segurança, de amor.

 

Os olhos deles têm motivo para brilhar o tempo todo. Se não estiverem bem brilhantes (e como professor e palestrante, convivendo com muitas crianças de cada vez, eu infelizmente posso dizer com certeza que não são todas as crianças que têm olhos brilhantes), se não brilharem por tudo o que há na vida, então há algo muito errado.

 

Pode ser a televisão, que apaga a luz dos olhos na medida em que emite luz da tela. Pode ser a falta de independência, que pedra por pedra des-edifica o interesse da criança pelo mundo.

 

Pode ser o autoritarismo, que deixa tão pouco espaço para ação que não vale mais a pena achar graça na vida. Pode ser a escola, que age de forma a violentar a natureza da criança, e a violência apaga mesmo o brilho dos olhos.

 

Precisamos fazer de tudo para manter o brilho nos olhos de nossos filhos e alunos. E precisamos fazer de tudo para reavivá-los, se começam a esmorecer. Sobretudo, precisamos observar as crianças pequenas.

Precisamos ver o que querem fazer agora. Precisamos observar que tipo de independência estão tentando adquirir e tentar entender como podemos ajudar indiretamente – sem substituir a criança em seus esforços.

 

Precisamos registrar nossas observações de algum jeito, para que possamos compreender nossas crianças melhor, e ajudá-las com mais certeza, e mais cuidado. Observar, e registrar observações, é uma forma de garantir que estamos dando atenção às nossas crianças – o perigo de nos tornarmos famílias burocratas é tão pouco presente que não vale tratar dele.

O registro da observação precisa vir sempre depois da necessidade de atenção e amor, é claro. Mas é bom que exista.

 

3. Famílias Montessorianas amam, conhecem e exploram o universo com as crianças

Maria Montessori disse que não era suficiente amar a criança. “Antes, é necessário amar e conhecer o universo”.

Se desejamos que nossas crianças possam satisfazer o interesse que têm naturalmente pelo mundo, se esperamos que sua curiosidade seja a maior motivação para seu aprendizado, e se queremos que no presente e no futuro elas possam cumprir de forma exemplar seu papel no mundo, precisamos ter verdadeira paixão por esse mundo. Fascínio mesmo. E enxergar nele belezas quase indescritíveis.

É preciso, por exemplo, olhar para uma árvore e enxergá-la com uma incrível elo em uma sequência infindável de vida que faz o universo – pelo menos o Planeta Terra – funcionar em equilíbrio.

 

É preciso ver na lagarta que caminha pela casca um ser vivo cumprindo sua tarefa cósmica e próximo a se tornar uma borboleta, que irá polinizar flores e permitir que a Natureza se mantenha, assim.

 

É preciso ver beleza onde há vida, e onde não há. Perceber a imensidão da Terra sob nossos pés e a da atmosfera acima de nossas cabeças. É preciso reconhecer essa beleza que deixou há muito de ser óbvia, desde que nos desligamos da natureza e dos rituais que a celebravam. O caminho de retorno a esse encanto, hoje, para a maior parte de nós, acontece por meio da ciência.

 

O mundo humano, também, cheio de encantos, é tema de maior interesse para as crianças mais velhas. De seis ou sete anos em diante.

As culturas, os costumes, as línguas, as formas de viver, as festas, as religiões, as diferentes versões da(s) História(s) e as várias formas de retrato do humano, nas artes plásticas, na poesia, na música – e também na agricultura, no comércio, na construção de cidades.

 

Assim como os limites da compreensão e da exploração humana, à Lua, ao Everest, ao fundo do mar, às selvas mais escondidas. Da mesma forma que os testes máximos do humano, contra a fome, a sede, a luta pela sobrevivência e todo tipo de máximo e mínimo atingido pelo humano, tudo interessa, tudo deve nos interessar.

 

De tudo o que lermos, assistirmos, escutarmos podemos tirar pedacinhos de conhecimento que formarão verdadeiros universos em nossas conversas com nossas crianças, e nos permitirão ajudar os pequenos a desbravar a humanidade e o planeta que habita.

 

4. Famílias Montessorianas compreendem as necessidades do desenvolvimento

Não acima de tudo, mas sem dúvidas em posição de grande importância, se encontra o conhecer o desenvolvimento. Não é necessário ser um especialista em cada osso, órgão, nervo e estágio psicológico das crianças.

 

Mas é necessário conhecer um pouco do desenvolvimento motor, especialmente até os três anos, e encontrar uma linha com a qual você concorde, e que faça algum sentido cientificamente, no caso de Montessori, para explicar o desenvolvimento mental das crianças.

 

No caso de Montessori, o livro Mente Absorvente e o livro A Criança são os dois melhores locais para se encontrar esse tipo de informação. O primeiro explica o desenvolvimento das capacidades mentais da criança e os motivos psicológicos pelos quais nós podemos e devemos deixar a criança em liberdade, além de explicar o desenvolvimento da fala e o das mãos.

 

Já o segundo traz importantes observações sobre a saúde mental da criança pequena e o que chamamos de períodos sensíveis – intervalos ao longo do desenvolvimento durante os quais a criança está mais apta a determinados aprendizados ou à aquisição de determinadas habilidades.

 

Para isso é mesmo necessário estudar um pouco. Mas em pouco tempo você aprende o básico necessário para compreender melhor sua criança. Compreendendo-a, você será capaz de proporcionar a ela liberdade, experiências e objetos muito mais adequados ao estágio de desenvolvimento em que se encontra, e esse tripé tornará a vida de vocês muito mais tranquila e muito mais feliz.

 

5. Famílias Montessorianas vivem uma revolução

Esse tópico foi, na verdade, o que me motivou a escrever o texto inteiro. Utilizar os princípios descobertos por Montessori para auxiliar a vida da criança não é comum. Não é o que se faz em larga escala hoje. Não é o que se espera que seja feito.

 

Não é o que as prateleiras de livrarias sobre vida em família sugerem que se faça, e não é o que os programas de televisão sobre disciplina infantil pregam. Viver de acordo com as necessidades da criança, permitindo sua liberdade e favorecendo sua independência é um imenso serviço de compaixão, intenso e profundo, que modifica a forma como enxergamos a vida e como a vivemos.

 

Montessori disse, em Mente Absorvente, que o que nos trazia era uma revolução pacífica, que não deixaria intocado nada do que existe no mundo, e que se levada até o final, seria a última de todas as revoluções.

As famílias que hoje carregam Montessori para suas crianças, e as escolas que compreendem essas famílias, compreendem essas crianças, e levam Montessori verdadeiramente à sua prática também, são a linha de frente da revolução mais fundamental da humanidade. Aquela que terminará com o problema social mais universal que temos: a opressão da infância.

Se você pesquisou, leu, compreendeu e começa a aplicar Montessori agora, seja bem vindo. Se você já o faz há algum tempo, vamos juntos. Nossa revolução é universal, e ao mesmo tempo é muito, muito pequena.

 

É uma revolução de detalhes: uma jarra que caiba nas mãos de nossas crianças, uma cama alguns centímetros mais baixa e um sabonete que seja pequeno o suficiente para não escorregar das mãos de nossos filhos e alunos. Nossa revolução é bem pequena.

Mas tem a força do sorriso de seu filho. E o brilho de seus olhos. Nessa revolução, conte com amigos, colegas, pessoas que possam apoiar você em sua caminhada, e possam ajudar você sempre que necessário.

 

Você não deve e não precisa ser sozinho na aplicação de Montessori para ajudar a vida de sua criança. Nós todos queremos um mundo de paz. Nós todos queremos ajudar a vida.

 

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

 

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