Escola Montessori: entenda o que é e como funciona
Você provavelmente já ouviu falar do método Montessori de ensino. Apesar de existir há um século, o modelo pedagógico se tornou conhecido nos últimos anos. Se você não sabe direito do que estamos falando, calma. Abaixo vamos explicar o que é o método Montessori, como funciona e quais as vantagens de matricular sua criança em uma escola montessoriana.
Método Montessori: o que é e como surgiu
A pedagogia montessoriana é uma perspectiva educacional desenvolvida pela italiana Maria Montessori, em meados de 1907. A médica desenvolveu o método Montessori inicialmente para alunos portadores de distúrbios de comportamento e aprendizagem e, aos poucos, a metodologia foi aplicada para as demais crianças.
A psiquiatra acreditava que o desenvolvimento das crianças que possuíam algum tipo de transtorno era atrasado pela ausência de estímulos no ambiente em que as aulas eram realizadas, e, por isso, desenvolveu a metodologia que causou grande evolução na época.
Baseado na observação, o método montessoriano tem como principal objetivo, ajudar a criança a se desenvolver de maneira autônoma, entendendo que ela é capaz de aprender sozinha.
Quais são os princípios do método Montessori?
Oficialmente, não há nenhum conjunto de princípios estabelecidos sobre pedagogia montessoriana, porém, diversos documentos mostram as descobertas e ideias que Maria Montessori e seus colaboradores desenvolveram através de suas observações.
A metodologia busca compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade, desenvolvendo o amadurecimento social, intelectual e emocional dos alunos, baseando-se nos seguintes pilares:
Autoeducação;
Educação como ciência;
Educação cósmica;
Ambiente preparado;
Adulto preparado;
Criança equilibrada
Veja abaixo explicações de cada um dos pilares do Método Montessori:
Autoeducação
Ao observar alunos interagindo no ambiente da sala de aula, Montessori chegou a conclusão que toda criança pode aprender habilidades básicas sozinhas como: andar, falar, pegar, comer, reconhecer as pessoas, dentre outras.
O processo de desenvolvimento acontece quando a criança interage com outras pessoas, quando ela passa a lidar com as suas próprias dificuldades e aprende a superá-las no seu próprio tempo.
Mas, para que isso aconteça, a criança precisa ter a chance de experimentar, tentar e testar sem ser interrompida por adultos.
Educação como ciência
Educação como ciência é analisar e compreender o comportamento da criança e seu processo de aprendizagem.
Esse pilar busca trazer o foco para o estudante, pois é por meio dele que todo o processo educacional é baseado. Por isso, enquanto os alunos “brincam”, o adulto observa e analisa os atos do estudante.
Educação cósmica
De acordo com a pedagogia Montessoriana, esta é a melhor forma de ajudar a criança a compreender o mundo. Seguindo essa linha, o professor deve apresentar o conhecimento de maneira organizada - “cosmos” significa ordem - estimulando a imaginação do aluno e mostrando que tudo no universo tem a sua função, inclusive a criança, que deve entender o seu papel e como ela pode contribuir para melhorar o ambiente em que ela vive.
Ambiente preparado
Como dito anteriormente, a liberdade é um dos princípios essenciais do método Montessori. Sendo assim, o ambiente em que a criança circula - seja na escola ou em casa - deve ser preparado para que ela possa explorar, expressar e desenvolver a sua autonomia.
As prateleiras, cadeiras, estantes e brinquedos devem ficar na altura da criança, para que ela possa acessar as coisas e realizar tarefas básicas sozinhas como: beber água, brincar, ir ao banheiro, comer e dormir, sem precisar da ajuda de um adulto. Isso também pode ser feito com a ajuda de banquinhos.
Além de objetos na altura do alcance dos pequenos, o espaço é minimalista, contendo apenas o necessário para o desenvolvimento das atividades.
Adulto preparado
Todos os outros princípios só funcionam quando o adulto - tanto o professor quanto o responsável - participam do processo de desenvolvimento infantil seguindo as técnicas e ferramentas educativas Montessorianas.
O adulto preparado é aquele que observa e confia na criança, transmitindo ao mesmo tempo, a confiança de que ela pode fazer as coisas sozinhas mas que, caso necessite de ajuda, ela estará ali.
Criança equilibrada
Para a metodologia, a criança equilibrada é aquela que se desenvolve naturalmente, respeitando cada fase do seu crescimento. O equilíbrio é a base de todo o pensamento montessoriano e a partir dele o processo educacional é desenvolvido.
Quando o aluno tem acesso a um ambiente preparado e dispõe da ajuda de um adulto, também preparado, ele passa a expressar características que são inatas, ou seja, naturais dele mesmo.
Como funciona uma escola Montessoriana
Imagine uma sala de aula onde as cadeiras, mesas, estantes, ou seja, em que tudo se encontra ao alcance do aluno. Brinquedos, em sua maioria de madeira, estão dispostos de maneira organizada, assim como outros materiais.
Nela, crianças de diferentes idades trabalham sozinhas com aquilo que mais lhes interessa e o professor, apenas observa o aluno e o auxilia, caso seja necessário. Ao final do dia, as crianças guardam suas atividades e retornam para suas casas.
Essa é uma possível rotina de uma escola Montessori, baseada na liberdade e que estimula a autonomia e autodisciplina do aluno através de atividades sensoriais e concretas.
Diferente das escolas tradicionais, as salas montessorianas agrupam crianças em uma faixa etária maior, seguindo a sequência: 2,5/3 a 6 anos, 6 a 9 anos, 9 a 12 anos ou de 6 a 9 anos de idade. Recém-nascidos até os 3 anos de idade e crianças de 12 a 18 anos podem ser reunidas de diferentes formas, dependendo da escola.
Vantagens de colocar o seu filho na escola Montessori
As escolas Montessori ao redor do mundo observaram que seus alunos se destacaram em alguns aspectos quando comparados às crianças que receberam outro tipo de educação.
Segue abaixo alguns exemplos:
Maior facilidade para aprender sozinhos;
Desenvolvem habilidades de iniciativa e persistência;
Adquirem senso de ordem;
Trabalham e brincam bem em grupo ou sozinhos;
Aperfeiçoam capacidade de percepção e observação;
Coordenação motora mais refinada;
Maior capacidade de ouvir o outro, possuindo maior sensibilidade com o próximo e consigo mesmo.
Uma fase determinante para que a criança adquira o gosto pelo conhecimento.
Educação Infantil é a porta de entrada para o universo escolar. Ciente dessa importância, a Escola Prisma, por meio da metodologia criada pela pedagoga Italiana, Maria Montessori, realiza uma série de atividades ao longo do ano. Todas as instalações da Escola Prisma foram projetados ou adaptados para facilitar ainda mais o aprendizado.
A meta da educação no Ensino Fundamental é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades, proporcionando-lhe o ajuste ao meio físico e social. Para tanto, a metodologia indicada é a da aprendizagem pela atividade: aprender fazendo, inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança são fatores determinantes da realização pessoal do educando.
Vivemos em uma cultura de interrupção. Adultos carregam em seus bolsos máquinas de interromper. A cada bipe, vibração ou luz piscando, a trilha de nossos pensamentos é interrompida, e nossas interações humanas também. Não é de estranhar, portanto, que não vejamos nada de mau em interromper uma criança, mesmo quando ela esteja concentrada em uma tarefa. Mas as crianças vivem muito melhor quando os adultos à sua volta compreendem a importância de não interromper.
Quando uma criança está focada no que faz, envolvida de verdade na tarefa à sua frente, aquilo é o melhor que ela pode fazer com o tempo de sua infância. Nada é mais poderoso para o desenvolvimento. Isso è indicado pelo fato de que as crianças que se concentram e não são interrompidas emergem da tarefa muito mais tranquilas.
Uma vez, eu estava na casa de dois amigos, conversando, e sua filha de 8 meses estava inquieta, tentando pegar as castanhas que comíamos. Por fim, os pais permitiram que ela pegasse as vasilhas e as castanhas. Uma a uma, ela passou todas as castanhas de uma vasilha para a outra. Por vinte e cinco minutos ela se manteve na tarefa, passando castanhas de uma vasilha para a outra.
Quando terminou, até eu, que conheço as explicações de Montessori, esperava que ela estivesse cansada. Ela não só estava bem disposta, como sorria, e não demonstrou nenhum sinal de desassossego até que chegasse sua hora de dormir.
A essência do dever do adulto é não interromper a criança em seus esforços.
Maria Montessori, em Mente Absorvente
Quando a criança está concentrada, o que ela está fazendo é importante. E ela está concentrada quando seus olhos olham para o que suas mãos fazem. Televisão não serve. Outra pessoa agindo não serve. Nenhuma tela serve. Para valer, a criança precisa estar em ação, atenta ao que está fazendo – aí tem foco, esforço e aprendizado.
O aprendizado sempre passa por fases que não devem ser interrompidas: A primeira, de exploração, seguida de um tipo de esforço repetido em uma direção, que pode estar errada, e aí vem a frustração. Depois disso o esforço muda de direção. Se estiver errado novamente, mais frustração. Mas em algum momento o esforço vai para o caminho certo, e o sucesso é alcançado. Qualquer processo de aprendizado passa por fases assim. Ou quase qualquer um.
O aprendizado só pode passar por todas essas fases se a criança puder ir até o final. Se ela precisa parar no meio, da próxima vez precisa retomar. E porque não está mais envolvida profundamente, não recorda todos os seus erros, mas recorda que da última vez, não conseguiu, e sua crença em si mesma é um pouco menor agora. Por outro lado, se ela tiver a chance de ir até o final, aprende duas coisas:
Primeiro, aquele desafio foi superado, e uma nova habilidade ou conhecimento foi adquirido.
Segundo, desafios podem ser superados, se houver esforço e foco, e a frustração é só uma parte do processo.
Claro, o segundo aprendizado é ainda mais importante que o primeiro.
A mente demora um pouco para desenvolver interesse, para entrar em movimento, para se aquecer num tema e atingir um estado de trabalho produtivo.
Se nesse meio tempo houver interrupção, não somente um período de trabalho útil é perdido, mas a interrupção também produz uma sensação idêntica ao cansaço.
Maria Montessori, O que Você Precisa Saber sobre Seu Filho
As crianças precisam de tempo. Alguém nos enganou e nos fez acreditar que tempo é luxo, que tempo é dinheiro. O sociólogo Antonio Candido é explícito: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido das nossas vidas”.
As crianças precisam de tempo ininterrupto como precisam de ar e de comida. Se nossas crianças param de respirar ou de comer, percebemos a urgência da situação. Precisamos encontrar caminhos para que elas tenham tempo suficiente também.
Tempo abundante. Para se envolverem sem medo da interrupção e do fracasso. Para conseguirem fazer sozinhas. E mais do que isso, para acreditarem que é possível aprender.
As crianças, neste ponto como os adultos, vivem bem quando mente e corpo funcionam junto. Esse funcionamento está em clímax quando a criança se concentra.
Maria Montessori foi a primeira cientista da história a identificar o que conduz à concentração em crianças – e hoje nós sabemos que processos muito parecidos ocorrem com adultos, também.
A criança nasce com mente e corpo funcionando juntos. Montessori se referia a ambos por vontade e ação, respectivamente. Isso fica claro em um bebê: se ele estende o braço para mexer em um móbile, todo o seu ser está no braço, na mão, e no móbile.
Nem por um instante ele pensa na próxima amamentação. Nem por um instante se preocupa com a qualidade da soneca que vai dar mais tarde. Braço, mão, móbile. Ali estão sua vontade e sua ação – sua mente e seu corpo.
Para que as coisas continuem bem assim, a criança precisa ter a chance de continuar a desenvolver esforços significativos para ela: movimentar-se à vontade, por exemplo, andando, correndo, subindo e descendo, pegando em tudo que lhe interessar e for razoavelmente seguro.
Geralmente, quase universalmente, não é assim, e os adultos impedem as crianças de subir no sofá, tirar as frutas da fruteira, e correr na calçada. Isso separa a vontade (de se movimentar) e a ação (que é ficar parado, sendo uma criança “boazinha”).
É um dos maiores desastres de uma infância sem privações maiores. Mesmo assim, as crianças podem se recuperar, e essa recuperação, magnífica, é o que chamou a atenção de Montessori quando ela descobriu a concentração.
Ao longo dos primeiros seis anos de sua vida, a criança encontrará, e pode ser apresentada, de novo e de novo, a possibilidades de esforços interessantes. Quando encontra um que lhe atrai de verdade, que tem desafios na medida certa, que permite seu movimento, e que lhe agrada, a criança entra em um novo estado de espírito.
Ela esquece de seu entorno, recusa distrações, ignora o tempo e suas necessidades mais imediatas, para perseguir sua nova conquista.
Nesse momento, vontade e ação, mente e corpo, se encontram novamente, se reconhecem, e trabalham juntas de novo. Quanto mais oportunidades a criança tiver de esforços significativos, mais sua mente e seu corpo se acostumarão a trabalhar juntos. Mais e mais a concentração se tornará um hábito.
Em cada fase da infância, a criança precisa de diferentes possibilidades de esforços significativos. Em Montessori, identificamos essas diferentes etapas pelos períodos sensíveis das crianças. Em cada um deles, as crianças tem sensibilidades especiais para esforços distintos. Você pode ler sobre eles no link deste parágrafo.
Mas há uma outra maneira, ainda melhor, de descobrir do que o seu filho, ou a sua filha, precisam: observar. Olhar as crianças com atenção nos mostra o que elas estão tentando fazer. E o que elas estão tentando fazer, em geral, é o que elas precisam fazer. Por exemplo, se o seu filho estiver tentando amarrar os sapatos, há três grandes possibilidades:
Ele pode estar tentando desenvolver coordenação motora fina;
Pode ser que esteja buscando independência para se vestir;
Pode ser que queira mesmo amarrar os sapatos.
É bom ter uma mente muito aberta na hora da observação, e observar mais de uma vez, observar com frequência. Se sua criança encontrar em você um adulto capaz de ajudá-la a se envolver em esforços significativos, a concentração vem “sozinha”, e se torna o melhor hábito da vida dela.
O Lar Montessori desenvolveu um curso sobre convivência pacífica com crianças, em que você aprenderá sobre concentração, esforços significativos, períodos sensíveis, e outros tantos temas importantes para o desenvolvimento do seu filho. Para conhecer e poder participar, clique na figura abaixo:
Método Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos criado ou idealizado inicialmente por Maria Montessori.
De acordo com sua criadora, o ponto mais importante do método é, não tanto seu material ou sua prática, mas a possibilidade criada pela utilização dele de se libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada, compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.
Montessori escreveu que o desenvolvimento se dá em “planos de desenvolvimento”, de forma que em cada época da vida predominam certas necessidades e comportamentos específicos. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança, Montessori pode traçar perfis gerais de comportamento e de possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação.
A compreensão mais completa do desenvolvimento permite a utilização dos recursos mais adequados a cada fase e, claro, a cada criança individualmente.
Dando suporte a todo o resto, os seis pilares educacionais de Montessori são*:
Autoeducação
Educação como ciência
Educação Cósmica
Ambiente Preparado
Adulto Preparado
Criança Equilibrada
AUTOEDUCAÇÃO
Trata-se da ideia radical de que a criança é capaz de aprender sozinha. Todas as crianças aprendem algumas coisas sozinhas: andar, falar, comer, pegar, reconhecer voz e aparência, receber e fazer carinho… Mas em muitos casos, nós mal nos apercebemos disso.
Em Montessori, nós confiamos na criança. Sabemos que se ela puder contar com o meio adequado, pode desenvolver quase tudo de forma independente e livre. Por isso, usamos materiais específicos, que são feitos para (1) serem manipulados pela criança, (2) trabalhando um novo desafio de cada vez e (3) dando a ela a chance de perceber seus próprios erros.
Com liberdade cada vez maior de escolha, e total liberdade para repetir quantas vezes quiser cada exercício, a criança autoeduca-se constantemente e com sucesso.
EDUCAÇÃO CÓSMICA
Há muitas formas de se manter desperto o interesse da criança pelo mundo. Uma das mais belas é perceber que todas as coisas estão profundamente conectadas e dependem umas das outras para existir.
Isso permite à criança desenvolver um senso de gratidão para com tudo o que há no mundo e perceber a ordem subjacente à natureza e ao universo. Havendo ordem, há relações entre as coisas, e havendo relações, sempre é possível fazer mais uma pergunta.
Estruturar a parte da educação que tem a ver com a transmissão do conhecimento pela via das perguntas e das histórias é um dos papéis do educador montessoriano, que deve ser profundamente encantado pelo universo, para manter desperto o desejo da criança de saber sempre mais.
EDUCAÇÃO COMO CIÊNCIA
A estrutura escolar mais comum hoje deriva de uma organização da época da Revolução Industrial e foi baseada em hierarquias rígidas e relações de poder verticalizadas – e não naquilo que era melhor para o desenvolvimento da criança.
Montessori era psiquiatra, e começou uma transformação na educação quando desenvolveu o Método da Pedagogia Científica (hoje chamado de Método Montessori).
Por meio da constante observação das ações da criança, nós descobrimos, histórica e diariamente, o que ajuda o seu desenvolvimento e quais são as características de uma educação que, mesmo sendo mais eficiente do que a tradicional do ponto de vista do conteúdo trabalhado, colabora constantemente para a construção do equilíbrio interior e da felicidade na vida da criança e do adolescente.
AMBIENTE PREPARADO
Feche seus olhos, pense na natureza e encontre, no seu cenário imaginado, a água. É muito provável que ela esteja no chão, perto de tudo o que é importante para a vida – comida, abrigo, local de dormir.
A civilização tirou tudo aquilo que é essencial à vida do alcance físico da criança. Nosso esforço em Montessori é devolver à criança o que lhe pertence, com ambientes de liberdade e independência, onde tudo seja organizado, oferecido e preparado para a ação infantil.
É importante que o ambiente da criança fale com ela, que seja do seu tamanho, simples, minimalista mesmo, e que contenha objetos interessantes e importantes para sua caminhada de vida rumo à independência do adulto.
ADULTO PREPARADO
Todos os outros princípios só funcionam quando o adulto que interage com a criança se esforça para, ele também, transformar-se interiormente. Montessori dizia que precisávamos abandonar o orgulho de sermos adultos, e a ira contra a criança que não se conforma às nossas idealizações, planos e vontades.
Para ela (em um livro chamado A Criança) é necessário que nós nos humilhemos e passemos a incorporar a caridade em todas as nossas ações para com a criança. O adulto preparado é um observador que confia na criança e busca nos atos dela as indicações de suas necessidades.
Depois, pela configuração do ambiente e pelas interações, tenta oferecer os meios para que a criança as satisfaça.
Esse adulto nunca ajuda mais do que o mínimo necessário, abstém-se de colaborar sempre que a criança acredita que pode agir sozinha e garante, a todo momento, que sua presença possa ser sentida caso seja necessária.
CRIANÇA EQUILIBRADA
A criança nasce com o que Montessori chamou de guia interior. Existe, na criança pequena, algo que indica qual o tipo de esforço necessário nessa fase da vida (andar, pular, correr, falar, aprender isso ou aquilo).
Se esse guia puder efetivamente direcionar a ação da criança e os adultos souberem oferecer os meios adequados para o desenvolvimento, a criança alcança um estado emocional e psicológico de graça.
Ela alcança o equilíbrio interior e torna-se, primeiro, muito mais concentrada, e em seguida a um só tempo mais feliz, generosa, esforçada, cheia de iniciativa e independência e consideração pelo outro.
A bem da verdade, o equilíbrio natural da criança pequena é o único e verdadeiro objetivo de todo o trabalho montessoriano, é aqui que queremos chegar e é daqui que partimos para todo o trabalho educacional.
Todos os princípios do método Montessori devem funcionar em união, para que a criança se desenvolva de forma completa e equilibrada. É necessário compreender a criança para identificar nela os sinais da eficiência daquilo que lhe está sendo oferecido. De acordo com Montessori, “uma das provas da correção do processo educacional é a felicidade da criança”.
O método Montessori tem sido utilizado em escolas por todo o mundo, desde o berçário até o Ensino Médio. Além disso, aplica-se Montessori em escolas especiais, clínicas de psicopedagogia e lares mundo afora.
Clínicas de repouso aproveitam características do método montessoriano para o tratamento de demência e Alzheimer e iniciativas empresariais aplicam princípios do método para o melhor desenvolvimento de seus negócios.
Algumas das maiores personalidades do mundo moderno foram educacadas em Montessori. Entre eles, estão os fundadores da Google, e Gabriel García Marquez, prêmio Nobel de Literatura. Veja seus depoimentos sobre a educação montessoriana:
Sergey Brin (co-fundador do Google):
“Cheguei no país com seis anos e imediatamente fui para uma escola Montessori. […] Eu realmente acho que me beneficiei da educação Montessori, que de algumas maneiras dá aos alunos muito mais liberdade para fazer as coisas do seu jeito, e para descobrir.
Interessante que meu parceiro Larry Page também tenha ido a um jardim de infância e pré-escola Montessori; é algo que temos em comum. Eu acho mesmo que algum crédito da vontade de ir atrás de seus interesses… você pode ligar isso àquela educação Montessori”.
Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel de Literatura):
“Não creio que haja um método melhor que o montessoriano para sensibilizar as crianças sobre as belezas do mundo e para despertar sua curiosidade para os segredos da vida”.
Você encontra abaixo vídeos com com explicações sobre o método Montessori. O compartilhamento é livre e desejável, mas agradecemos por você não editar os vídeos de nenhuma maneira.
Os pilares que escolhemos expor aqui são uma escolha de sistematização entre várias possíveis. Aprendi vários desses princípios com Edimara de Lima, diretora da escola onde estudei, e ainda hoje acredito que faz sentido sistematizar Montessori assim. A explicação que está acima é a mais recente. Se você quiser a que esteve disponível nesta página antes, clique aqui.
20 Características Essenciais de uma Escola Montessori
Na Escola Prisma, nosso compromisso com o Método Montessori transforma a educação, indo muito além da sala de aula. Baseado na observação científica de Maria Montessori, nosso ambiente é cuidadosamente preparado para nutrir a autonomia e o potencial inato de cada criança.
Estes 20 pilares práticos, que sustentaram o Método por décadas de observação, são a espinha dorsal do que você encontra diariamente nas salas da Escola Prisma. Eles definem os limites e a área de excelência sobre a qual a formação integral do seu filho é construída.
Os 20 Pilares Práticos da Transformação
Trabalho Individual: A concentração e o desenvolvimento de forma independente são prioridade, garantindo que a criança respeite seu próprio ritmo.
Repetição do Exercício: A criança é livre para repetir o trabalho quantas vezes desejar, sem interferência, pois a repetição voluntária leva à mestria e à concentração plena.
Liberdade de Escolha: A criança escolhe os materiais concretos nas estantes, o que impulsiona a motivação e apropriação do processo de aprendizado.
Verificação dos Erros: O material é autocorreção! A criança percebe e corrige seus próprios erros na interação com o trabalho, desenvolvendo autonomia e persistência.
Análise dos Movimentos: O ambiente incentiva o movimento. Nossos exercícios de Vida Prática auxiliam a criança a desenvolver coordenação motora, precisão e controle corporal.
Exercícios de Silêncio: Um momento fundamental para a concentração e o domínio pessoal. As crianças alcançam o ápice da calma e do autocontrole.
Boas Maneiras nos Contatos Sociais: Nossas crianças aprendem, na prática diária, a ter cortesia, gentileza e a cuidar umas das outras e dos visitantes.
Ordem no Ambiente: A sala Montessori é um local de ordem sublime e intencional. Tudo está no lugar, limpo e organizado, o que auxilia a criança a desenvolver uma mente organizada.
Meticuloso Asseio Pessoal: As atividades de Vida Prática ensinam a criança a cuidar de si e do ambiente, desde lavar as mãos até abotoar roupas, cultivando a independência.
Educação dos Sentidos: A base material da pedagogia. A criança manipula materiais concretos para refinar a percepção de dimensões, cores, texturas e sons.
Escrita Isolada da Leitura: Ensinamos a escrita formal primeiro, por ser uma expressão mais simples, utilizando materiais concretos e fonéticos.
Escrita Anterior à Leitura: A criança compõe palavras ao aprender os sons das letras antes de conseguir decifrar textos longos, respeitando o processo natural do desenvolvimento.
Leitura sem Livros: A criança aprende a ler a partir do seu ambiente e de comandos de ação, executando ordens curtas: ela, literalmente, aprende fazendo.
Disciplina na Atividade Livre: A liberdade de escolha é o pilar, mas dentro dela, a criança desenvolve uma surpreendente autodisciplina e responsabilidade social.
Abolição dos Prêmios e Castigos: Não usamos recompensas ou punições externas. O reforço está na alegria intrínseca da atividade e na solução de problemas.
Abolição dos Silabários: O aprendizado de linguagem é fonético e concreto, utilizando o Alfabeto Móvel e as Letras de Lixa, e não métodos tradicionais de memorização silábica.
Abolição das Lições Coletivas: A maior parte do ensino é individualizada, com lições breves e objetivas, garantindo o respeito ao ritmo e interesse de cada aluno.
Abolição de Programas e Exames Rígidos: Respeitamos o ritmo da criança em detrimento de um currículo inflexível. A avaliação é feita por observação contínua da atividade livre.
Abolição de Brinquedos e Guloseimas: Nosso ambiente contém apenas materiais com propósito definido. Não usamos doces ou objetos recreativos sem objetivo para manipular ou premiar comportamentos.
Abolição da Cátedra da Professora: O professor é o guia e vive no mesmo nível das crianças, com o ambiente pertencendo integralmente aos alunos.
Quer ver esses 20 pilares em ação? Convidamos você a conhecer a Escola Prisma e a descobrir o poder transformador do Método Montessori na vida do seu filho.
Propósito, Missão, Visão e Valores da Escola Prisma
Na Escola Prisma, em Juazeiro da Bahia, acreditamos que a educação vai muito além da sala de aula e dos livros. Ela é a base para a formação de seres humanos completos, capazes de construir um futuro brilhante para si e para a sociedade. É com essa convicção profunda que guiamos cada decisão, cada aula e cada interação em nossa escola.
Nossas diretrizes de Propósito, Missão, Visão e Valores são o alicerce que sustenta a excelência pedagógica da Escola Prisma e o compromisso inabalável com o desenvolvimento integral de cada aluno. Elas refletem quem somos, o que fazemos e para onde estamos caminhando, inspirando toda a nossa comunidade escolar – alunos, famílias e educadores.
Nosso Propósito
O propósito da Escola Prisma é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades. Buscamos capacitar cada criança a ser um agente ativo no mundo, proporcionando-lhe a habilidade de se ajustar, interagir e transformar o meio físico e social com inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança. Nosso objetivo é preparar indivíduos que sejam não apenas academicamente excelentes, mas também cidadãos conscientes, éticos e felizes.
Instituição baseada no método foi a escolha de William e Kate Middleton para o pequeno George, 2 anos
Foi a italiana Maria Montessori quem desenvolveu a metodologia de ensino que leva seu nome, para colocar em prática os preceitos filosóficos nos quais acreditava. Maria se formou em medicina e, ainda jovem, foi trabalhar com crianças que tinham necessidades especiais. A partir dessa experiência, desenvolveu um novo método pedagógico, que foi aplicado primeiro em escolas de educação infantil na Itália e depois se espalhou para o mundo.
Quais são os princípios montessorianos
Há três itens básicos que caracterizam a filosofia montessoriana:
Educação para a paz: o que não significa um pacifismo subserviente, mas ativo, da construção de um cidadão que participe da sociedade e que trabalhe com foco no bem-estar comum. A escola montessoriana não se preocupa apenas em dar conhecimento, mas em como esse conhecimento vai ser utilizado na sociedade.
Educação é ciência:
a pedagogia deve se basear em preceitos científicos capazes de respeitar as leis do desenvolvimento da criança e suas fases evolutivas.
Educação cósmica:
o respeito à estreita relação entre a natureza e a sociedade humana, mantendo a harmonia da vida. É um princípio relacionado à espiritualidade, mas sem nenhuma conexão religiosa.
Na prática, como isso funciona?
Existe um ingrediente fundamental na metodologia de ensino montessoriana, que é a autoeducação.
É a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem, ou seja, é ela quem diz quando está pronta para o próximo passo. Como? Tendo à sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos à medida que ela demonstra interesse. O ensino das cores é um exemplo disso.
O primeiro material ao qual a criança tem acesso contém apenas as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Depois de ter interagido o suficiente, ela passa para um segundo material, com onze cores.
Quando se sentir preparada, interage com um terceiro material, com mais cores ainda, organizadas de acordo com uma gradação. É assim, passo a passo, que o conhecimento vai se aprofundando.
Nesse processo os materiais disponíveis são de suma importância e muitos deles foram desenvolvidos pela própria Maria Montessori. O mais famoso é o cubo dourado, que materializa o sistema decimal. A ideia é que a criança possa manipular, sentir as diferenças entre unidade, dezena e centena – em termos de tamanho, de peso, de visão, adquirindo uma noção matemática por meio de uma experiência concreta.
Outro ingrediente fundamental para a autoeducação é construir um ambiente que propicie a aprendizagem e a vivência. Por isso, na sala de aula, tudo fica ao alcance dos pequenos – mas de forma organizada, é claro. Existe a estante da linguagem, a estante da matemática e os materiais sensoriais.
E em cada espaço desses, tudo fica arrumado de acordo com o grau de dificuldade. Quanto mais ao alto – no máximo na altura da criança – e à esquerda, mais fácil é o material, e quanto mais a direita e mais baixo, mais difícil. Essa sequência de dificuldade acompanha a lógica da própria escrita (que vai da esquerda para a direita), fazendo com que a criança entenda o espaço de uma forma bastante intuitiva.
O que está mais alto, na altura dos olhos da crianças, é o que ela enxerga primeiro. À medida em que progride, ela precisa se abaixar para acessar lições mais complexas.
Também por causa da autoeducação, as crianças são divididas em grupos, nos quais convivem com colegas de idades diferentes. Geralmente, as crianças ficam juntas de 1 a 3 anos, de 3 a 6, de 6 a 9 e de 9 a 12 anos e assim por diante.
Isso porque o desenvolvimento não acontece de forma homogênea entre todas as crianças e as necessidades de cada uma variam de acordo com esse processo. Assim, elas podem conviver com outras crianças, com até 3 anos de diferença, que podem estar sintonizadas com as mesmas necessidades dela.
Outro ponto importante é que as escolas montessorianas adotam um currículo multidisciplinar, o que quer dizer que por meio de uma só experiência é possível trabalhar diferentes disciplinas. Ao aprender ritmo, aprende-se música e matemática junto, por exemplo.
E qual é o papel do professor?
Como é a própria criança que escolhe em que estação quer estar, o professor é, antes de tudo, um observador, treinado para perceber como a criança interage com o material.
“Em espanhol, no lugar de ‘professor’, as pessoas falam em ‘guia Montessori’, eu gosto muito desse termo”, comenta a diretora pedagógica do colégio Prima (SP), Edimara de Lima . Quando a criança não sai do mesmo material, cabe ao professor observar, para investigar o motivo pelo qual isso acontece: ela tem medo do insucesso, do novo, ela não se arrisca?
É esse tipo de percepção sensível que o educador precisa ter. Quando um dos alunos chega e fica parado e não escolhe nada, também cabe ao professor convidá-lo e ajudá-lo a escolher uma atividade.
“Manter o ambiente organizado, por exemplo, também é função das crianças, mas é, principalmente, uma função do professor. Se a criança sempre encontra o material em um mesmo lugar, ela tem tendência a devolvê-lo lá”, completa Edimara.
Será que funciona para o meu filho?
Antes de mais nada, o tipo de escola que a criança vai frequentar deve ser uma escolha da família. Edimara diz que quando perguntam a ela se o método Montessori é bom para qualquer criança, ela responde que sim, mas faz uma ressalva: “A escola tem que ser coerente com os valores e objetivos da família.
Uma criança de uma família mais rígida, pouco flexível, não vai se dar tão bem em uma escola montessoriana”, aconselha. É preciso olhar a escola como algo que vai muito além do projeto cognitivo. É preciso se perguntar que tipo de homens essa escola está formando, qual é a filosofia por trás do ensino.
Para o Montessori, não é importante o primeiro lugar na Fuvest, uma pontuação enorme no Enem… Estamos preocupados em formar gente que saiba escolher, que assuma suas escolhas, que tenha o bem comum sempre como o norte da sua vida.”, afirma Edimara.
Para ela, o que vai contar no futuro para quem passou por uma escola montessoriana é justamente a liberdade de fazer suas próprias escolhas. “A diferença do Montessori não está tanto no nível cognitivo, mas acho que são jovens que sabem sustentar e justificar suas escolhas. Sabem que uma escolha demanda uma responsabilidade e isso vai de uma série de outras posturas”, resume.