Não Interrompa a Criança que se Concentra

Não Interrompa a Criança que se Concentra

Vivemos em uma cultura de interrupção. Adultos carregam em seus bolsos máquinas de interromper. A cada bipe, vibração ou luz piscando, a trilha de nossos pensamentos é interrompida, e nossas interações humanas também. Não é de estranhar, portanto, que não vejamos nada de mau em interromper uma criança, mesmo quando ela esteja concentrada em uma tarefa. Mas as crianças vivem muito melhor quando os adultos à sua volta compreendem a importância de não interromper.

Quando uma criança está focada no que faz, envolvida de verdade na tarefa à sua frente, aquilo é o melhor que ela pode fazer com o tempo de sua infância. Nada é mais poderoso para o desenvolvimento. Isso è indicado pelo fato de que as crianças que se concentram e não são interrompidas emergem da tarefa muito mais tranquilas.

Uma vez, eu estava na casa de dois amigos, conversando, e sua filha de 8 meses estava inquieta, tentando pegar as castanhas que comíamos. Por fim, os pais permitiram que ela pegasse as vasilhas e as castanhas. Uma a uma, ela passou todas as castanhas de uma vasilha para a outra. Por vinte e cinco minutos ela se manteve na tarefa, passando castanhas de uma vasilha para a outra.

Quando terminou, até eu, que conheço as explicações de Montessori, esperava que ela estivesse cansada. Ela não só estava bem disposta, como sorria, e não demonstrou nenhum sinal de desassossego até que chegasse sua hora de dormir.


A essência do dever do adulto é não interromper a criança em seus esforços.

Maria Montessori, em Mente Absorvente

Quando a criança está concentrada, o que ela está fazendo é importante. E ela está concentrada quando seus olhos olham para o que suas mãos fazem. Televisão não serve. Outra pessoa agindo não serve. Nenhuma tela serve. Para valer, a criança precisa estar em ação, atenta ao que está fazendo – aí tem foco, esforço e aprendizado.

O aprendizado sempre passa por fases que não devem ser interrompidas: A primeira, de exploração, seguida de um tipo de esforço repetido em uma direção, que pode estar errada, e aí vem a frustração. Depois disso o esforço muda de direção. Se estiver errado novamente, mais frustração. Mas em algum momento o esforço vai para o caminho certo, e o sucesso é alcançado. Qualquer processo de aprendizado passa por fases assim. Ou quase qualquer um.

O aprendizado só pode passar por todas essas fases se a criança puder ir até o final. Se ela precisa parar no meio, da próxima vez precisa retomar. E porque não está mais envolvida profundamente, não recorda todos os seus erros, mas recorda que da última vez, não conseguiu, e sua crença em si mesma é um pouco menor agora. Por outro lado, se ela tiver a chance de ir até o final, aprende duas coisas:

  • Primeiro, aquele desafio foi superado, e uma nova habilidade ou conhecimento foi adquirido.
  • Segundo, desafios podem ser superados, se houver esforço e foco, e a frustração é só uma parte do processo.

Claro, o segundo aprendizado é ainda mais importante que o primeiro.

A mente demora um pouco para desenvolver interesse, para entrar em movimento, para se aquecer num tema e atingir um estado de trabalho produtivo.

Se nesse meio tempo houver interrupção, não somente um período de trabalho útil é perdido, mas a interrupção também produz uma sensação idêntica ao cansaço.

Maria Montessori, O que Você Precisa Saber sobre Seu Filho

As crianças precisam de tempo. Alguém nos enganou e nos fez acreditar que tempo é luxo, que tempo é dinheiro. O sociólogo Antonio Candido é explícito: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido das nossas vidas”.

As crianças precisam de tempo ininterrupto como precisam de ar e de comida. Se nossas crianças param de respirar ou de comer, percebemos a urgência da situação. Precisamos encontrar caminhos para que elas tenham tempo suficiente também.

Tempo abundante. Para se envolverem sem medo da interrupção e do fracasso. Para conseguirem fazer sozinhas. E mais do que isso, para acreditarem que é possível aprender.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão



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Como a concentração se torna um hábito da criança

Como a concentração se torna um hábito da criança

As crianças, neste ponto como os adultos, vivem bem quando mente e corpo funcionam junto. Esse funcionamento está em clímax quando a criança se concentra.

Maria Montessori foi a primeira cientista da história a identificar o que conduz à concentração em crianças – e hoje nós sabemos que processos muito parecidos ocorrem com adultos, também.

A criança nasce com mente e corpo funcionando juntos. Montessori se referia a ambos por vontade e ação, respectivamente. Isso fica claro em um bebê: se ele estende o braço para mexer em um móbile, todo o seu ser está no braço, na mão, e no móbile.

Nem por um instante ele pensa na próxima amamentação. Nem por um instante se preocupa com a qualidade da soneca que vai dar mais tarde. Braço, mão, móbile. Ali estão sua vontade e sua ação – sua mente e seu corpo.

Para que as coisas continuem bem assim, a criança precisa ter a chance de continuar a desenvolver esforços significativos para ela: movimentar-se à vontade, por exemplo, andando, correndo, subindo e descendo, pegando em tudo que lhe interessar e for razoavelmente seguro.

Geralmente, quase universalmente, não é assim, e os adultos impedem as crianças de subir no sofá, tirar as frutas da fruteira, e correr na calçada. Isso separa a vontade (de se movimentar) e a ação (que é ficar parado, sendo uma criança “boazinha”).

É um dos maiores desastres de uma infância sem privações maiores. Mesmo assim, as crianças podem se recuperar, e essa recuperação, magnífica, é o que chamou a atenção de Montessori quando ela descobriu a concentração.

Ao longo dos primeiros seis anos de sua vida, a criança encontrará, e pode ser apresentada, de novo e de novo, a possibilidades de esforços interessantes. Quando encontra um que lhe atrai de verdade, que tem desafios na medida certa, que permite seu movimento, e que lhe agrada, a criança entra em um novo estado de espírito.

Ela esquece de seu entorno, recusa distrações, ignora o tempo e suas necessidades mais imediatas, para perseguir sua nova conquista.

Nesse momento, vontade e ação, mente e corpo, se encontram novamente, se reconhecem, e trabalham juntas de novo. Quanto mais oportunidades a criança tiver de esforços significativos, mais sua mente e seu corpo se acostumarão a trabalhar juntos. Mais e mais a concentração se tornará um hábito.

Em cada fase da infância, a criança precisa de diferentes possibilidades de esforços significativos. Em Montessori, identificamos essas diferentes etapas pelos períodos sensíveis das crianças. Em cada um deles, as crianças tem sensibilidades especiais para esforços distintos. Você pode ler sobre eles no link deste parágrafo.

Mas há uma outra maneira, ainda melhor, de descobrir do que o seu filho, ou a sua filha, precisam: observar. Olhar as crianças com atenção nos mostra o que elas estão tentando fazer. E o que elas estão tentando fazer, em geral, é o que elas precisam fazer. Por exemplo, se o seu filho estiver tentando amarrar os sapatos, há três grandes possibilidades:

  1. Ele pode estar tentando desenvolver coordenação motora fina;
  2. Pode ser que esteja buscando independência para se vestir;
  3. Pode ser que queira mesmo amarrar os sapatos.

É bom ter uma mente muito aberta na hora da observação, e observar mais de uma vez, observar com frequência. Se sua criança encontrar em você um adulto capaz de ajudá-la a se envolver em esforços significativos, a concentração vem “sozinha”, e se torna o melhor hábito da vida dela.

O Lar Montessori desenvolveu um curso sobre convivência pacífica com crianças, em que você aprenderá sobre concentração, esforços significativos, períodos sensíveis, e outros tantos temas importantes para o desenvolvimento do seu filho. Para conhecer e poder participar, clique na figura abaixo:

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

Escola Prisma e o Método Montessori

Escola Prisma e o Método Montessori

Método Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos criado ou idealizado inicialmente por Maria Montessori.

De acordo com sua criadora, o ponto mais importante do método é, não tanto seu material ou sua prática, mas a possibilidade criada pela utilização dele de se libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada, compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.

Montessori escreveu que o desenvolvimento se dá em “planos de desenvolvimento”, de forma que em cada época da vida predominam certas necessidades e comportamentos específicos. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança, Montessori pode traçar perfis gerais de comportamento e de possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação.

A compreensão mais completa do desenvolvimento permite a utilização dos recursos mais adequados a cada fase e, claro, a cada criança individualmente.

Dando suporte a todo o resto, os seis pilares educacionais de Montessori são*:

  1. Autoeducação
  2. Educação como ciência
  3. Educação Cósmica
  4. Ambiente Preparado
  5. Adulto Preparado
  6. Criança Equilibrada

AUTOEDUCAÇÃO

Trata-se da ideia radical de que a criança é capaz de aprender sozinha. Todas as crianças aprendem algumas coisas sozinhas: andar, falar, comer, pegar, reconhecer voz e aparência, receber e fazer carinho… Mas em muitos casos, nós mal nos apercebemos disso.

Em Montessori, nós confiamos na criança. Sabemos que se ela puder contar com o meio adequado, pode desenvolver quase tudo de forma independente e livre. Por isso, usamos materiais específicos, que são feitos para (1) serem manipulados pela criança, (2) trabalhando um novo desafio de cada vez e (3) dando a ela a chance de perceber seus próprios erros.

Com liberdade cada vez maior de escolha, e total liberdade para repetir quantas vezes quiser cada exercício, a criança autoeduca-se constantemente e com sucesso.

EDUCAÇÃO CÓSMICA

Há muitas formas de se manter desperto o interesse da criança pelo mundo. Uma das mais belas é perceber que todas as coisas estão profundamente conectadas e dependem umas das outras para existir.

Isso permite à criança desenvolver um senso de gratidão para com tudo o que há no mundo e perceber a ordem subjacente à natureza e ao universo. Havendo ordem, há relações entre as coisas, e havendo relações, sempre é possível fazer mais uma pergunta.

Estruturar a parte da educação que tem a ver com a transmissão do conhecimento pela via das perguntas e das histórias é um dos papéis do educador montessoriano, que deve ser profundamente encantado pelo universo, para manter desperto o desejo da criança de saber sempre mais.

EDUCAÇÃO COMO CIÊNCIA

A estrutura escolar mais comum hoje deriva de uma organização da época da Revolução Industrial e foi baseada em hierarquias rígidas e relações de poder verticalizadas – e não naquilo que era melhor para o desenvolvimento da criança.

Montessori era psiquiatra, e começou uma transformação na educação quando desenvolveu o Método da Pedagogia Científica (hoje chamado de Método Montessori).

Por meio da constante observação das ações da criança, nós descobrimos, histórica e diariamente, o que ajuda o seu desenvolvimento e quais são as características de uma educação que, mesmo sendo mais eficiente do que a tradicional do ponto de vista do conteúdo trabalhado, colabora constantemente para a construção do equilíbrio interior e da felicidade na vida da criança e do adolescente.

AMBIENTE PREPARADO

Feche seus olhos, pense na natureza e encontre, no seu cenário imaginado, a água. É muito provável que ela esteja no chão, perto de tudo o que é importante para a vida – comida, abrigo, local de dormir.

A civilização tirou tudo aquilo que é essencial à vida do alcance físico da criança. Nosso esforço em Montessori é devolver à criança o que lhe pertence, com ambientes de liberdade e independência, onde tudo seja organizado, oferecido e preparado para a ação infantil.

É importante que o ambiente da criança fale com ela, que seja do seu tamanho, simples, minimalista mesmo, e que contenha objetos interessantes e importantes para sua caminhada de vida rumo à independência do adulto.

ADULTO PREPARADO

Todos os outros princípios só funcionam quando o adulto que interage com a criança se esforça para, ele também, transformar-se interiormente. Montessori dizia que precisávamos abandonar o orgulho de sermos adultos, e a ira contra a criança que não se conforma às nossas idealizações, planos e vontades.

Para ela (em um livro chamado A Criança) é necessário que nós nos humilhemos e passemos a incorporar a caridade em todas as nossas ações para com a criança. O adulto preparado é um observador que confia na criança e busca nos atos dela as indicações de suas necessidades.

Depois, pela configuração do ambiente e pelas interações, tenta oferecer os meios para que a criança as satisfaça.

Esse adulto nunca ajuda mais do que o mínimo necessário, abstém-se de colaborar sempre que a criança acredita que pode agir sozinha e garante, a todo momento, que sua presença possa ser sentida caso seja necessária.

CRIANÇA EQUILIBRADA

A criança nasce com o que Montessori chamou de guia interior. Existe, na criança pequena, algo que indica qual o tipo de esforço necessário nessa fase da vida (andar, pular, correr, falar, aprender isso ou aquilo).

Se esse guia puder efetivamente direcionar a ação da criança e os adultos souberem oferecer os meios adequados para o desenvolvimento, a criança alcança um estado emocional e psicológico de graça.

Ela alcança o equilíbrio interior e torna-se, primeiro, muito mais concentrada, e em seguida a um só tempo mais feliz, generosa, esforçada, cheia de iniciativa e independência e consideração pelo outro.

A bem da verdade, o equilíbrio natural da criança pequena é o único e verdadeiro objetivo de todo o trabalho montessoriano, é aqui que queremos chegar e é daqui que partimos para todo o trabalho educacional.

Todos os princípios do método Montessori devem funcionar em união, para que a criança se desenvolva de forma completa e equilibrada. É necessário compreender a criança para identificar nela os sinais da eficiência daquilo que lhe está sendo oferecido. De acordo com Montessori, “uma das provas da correção do processo educacional é a felicidade da criança”.

O método Montessori tem sido utilizado em escolas por todo o mundo, desde o berçário até o Ensino Médio. Além disso, aplica-se Montessori em escolas especiais, clínicas de psicopedagogia e lares mundo afora.

Clínicas de repouso aproveitam características do método montessoriano para o tratamento de demência e Alzheimer e iniciativas empresariais aplicam princípios do método para o melhor desenvolvimento de seus negócios.

Algumas das maiores personalidades do mundo moderno foram educacadas em Montessori. Entre eles, estão os fundadores da Google, e Gabriel García Marquez, prêmio Nobel de Literatura. Veja seus depoimentos sobre a educação montessoriana:

Sergey Brin (co-fundador do Google):

“Cheguei no país com seis anos e imediatamente fui para uma escola Montessori. […] Eu realmente acho que me beneficiei da educação Montessori, que de algumas maneiras dá aos alunos muito mais liberdade para fazer as coisas do seu jeito, e para descobrir.

Interessante que meu parceiro Larry Page também tenha ido a um jardim de infância e pré-escola Montessori; é algo que temos em comum. Eu acho mesmo que algum crédito da vontade de ir atrás de seus interesses… você pode ligar isso àquela educação Montessori”.

Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel de Literatura):

“Não creio que haja um método melhor que o montessoriano para sensibilizar as crianças sobre as belezas do mundo e para despertar sua curiosidade para os segredos da vida”.

Você encontra abaixo vídeos com com explicações sobre o método Montessori. O compartilhamento é livre e desejável, mas agradecemos por você não editar os vídeos de nenhuma maneira.



Os pilares que escolhemos expor aqui são uma escolha de sistematização entre várias possíveis. Aprendi vários desses princípios com Edimara de Lima, diretora da escola onde estudei, e ainda hoje acredito que faz sentido sistematizar Montessori assim. A explicação que está acima é a mais recente. Se você quiser a que esteve disponível nesta página antes, clique aqui.

Fonte: Lar Montessori por Gabriel Salomão

Características de uma Escola Montessori

Características de uma Escola Montessori

20 Características Essenciais de uma Escola Montessori

Na Escola Prisma, nosso compromisso com o Método Montessori transforma a educação, indo muito além da sala de aula. Baseado na observação científica de Maria Montessori, nosso ambiente é cuidadosamente preparado para nutrir a autonomia e o potencial inato de cada criança.

Estes 20 pilares práticos, que sustentaram o Método por décadas de observação, são a espinha dorsal do que você encontra diariamente nas salas da Escola Prisma. Eles definem os limites e a área de excelência sobre a qual a formação integral do seu filho é construída.

Os 20 Pilares Práticos da Transformação

  1. Trabalho Individual: A concentração e o desenvolvimento de forma independente são prioridade, garantindo que a criança respeite seu próprio ritmo.
  2. Repetição do Exercício: A criança é livre para repetir o trabalho quantas vezes desejar, sem interferência, pois a repetição voluntária leva à mestria e à concentração plena.
  3. Liberdade de Escolha: A criança escolhe os materiais concretos nas estantes, o que impulsiona a motivação e apropriação do processo de aprendizado.
  4. Verificação dos Erros: O material é autocorreção! A criança percebe e corrige seus próprios erros na interação com o trabalho, desenvolvendo autonomia e persistência.
  5. Análise dos Movimentos: O ambiente incentiva o movimento. Nossos exercícios de Vida Prática auxiliam a criança a desenvolver coordenação motora, precisão e controle corporal.
  6. Exercícios de Silêncio: Um momento fundamental para a concentração e o domínio pessoal. As crianças alcançam o ápice da calma e do autocontrole.
  7. Boas Maneiras nos Contatos Sociais: Nossas crianças aprendem, na prática diária, a ter cortesia, gentileza e a cuidar umas das outras e dos visitantes.
  8. Ordem no Ambiente: A sala Montessori é um local de ordem sublime e intencional. Tudo está no lugar, limpo e organizado, o que auxilia a criança a desenvolver uma mente organizada.
  9. Meticuloso Asseio Pessoal: As atividades de Vida Prática ensinam a criança a cuidar de si e do ambiente, desde lavar as mãos até abotoar roupas, cultivando a independência.
  10. Educação dos Sentidos: A base material da pedagogia. A criança manipula materiais concretos para refinar a percepção de dimensões, cores, texturas e sons.
  11. Escrita Isolada da Leitura: Ensinamos a escrita formal primeiro, por ser uma expressão mais simples, utilizando materiais concretos e fonéticos.
  12. Escrita Anterior à Leitura: A criança compõe palavras ao aprender os sons das letras antes de conseguir decifrar textos longos, respeitando o processo natural do desenvolvimento.
  13. Leitura sem Livros: A criança aprende a ler a partir do seu ambiente e de comandos de ação, executando ordens curtas: ela, literalmente, aprende fazendo.
  14. Disciplina na Atividade Livre: A liberdade de escolha é o pilar, mas dentro dela, a criança desenvolve uma surpreendente autodisciplina e responsabilidade social.
  15. Abolição dos Prêmios e Castigos: Não usamos recompensas ou punições externas. O reforço está na alegria intrínseca da atividade e na solução de problemas.
  16. Abolição dos Silabários: O aprendizado de linguagem é fonético e concreto, utilizando o Alfabeto Móvel e as Letras de Lixa, e não métodos tradicionais de memorização silábica.
  17. Abolição das Lições Coletivas: A maior parte do ensino é individualizada, com lições breves e objetivas, garantindo o respeito ao ritmo e interesse de cada aluno.
  18. Abolição de Programas e Exames Rígidos: Respeitamos o ritmo da criança em detrimento de um currículo inflexível. A avaliação é feita por observação contínua da atividade livre.
  19. Abolição de Brinquedos e Guloseimas: Nosso ambiente contém apenas materiais com propósito definido. Não usamos doces ou objetos recreativos sem objetivo para manipular ou premiar comportamentos.
  20. Abolição da Cátedra da Professora: O professor é o guia e vive no mesmo nível das crianças, com o ambiente pertencendo integralmente aos alunos.

Quer ver esses 20 pilares em ação? Convidamos você a conhecer a Escola Prisma e a descobrir o poder transformador do Método Montessori na vida do seu filho.

 

Propósito, Missão, Visão e Valores da Escola Prisma

Na Escola Prisma, em Juazeiro da Bahia, acreditamos que a educação vai muito além da sala de aula e dos livros. Ela é a base para a formação de seres humanos completos, capazes de construir um futuro brilhante para si e para a sociedade. É com essa convicção profunda que guiamos cada decisão, cada aula e cada interação em nossa escola.

Nossas diretrizes de Propósito, Missão, Visão e Valores são o alicerce que sustenta a excelência pedagógica da Escola Prisma e o compromisso inabalável com o desenvolvimento integral de cada aluno. Elas refletem quem somos, o que fazemos e para onde estamos caminhando, inspirando toda a nossa comunidade escolar – alunos, famílias e educadores.

Nosso Propósito

O propósito da Escola Prisma é a formação integral do educando, por meio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades. Buscamos capacitar cada criança a ser um agente ativo no mundo, proporcionando-lhe a habilidade de se ajustar, interagir e transformar o meio físico e social com inteligência, criatividade, iniciativa, capacidade de liderança e perseverança. Nosso objetivo é preparar indivíduos que sejam não apenas academicamente excelentes, mas também cidadãos conscientes, éticos e felizes.

Veja mais em Nosso Propósito

Escola Montessori: O que você precisa saber

Escola Montessori: O que você precisa saber

Instituição baseada no método foi a escolha de William e Kate Middleton para o pequeno George, 2 anos

Foi a italiana Maria Montessori quem desenvolveu a metodologia de ensino que leva seu nome, para colocar em prática os preceitos filosóficos nos quais acreditava. Maria se formou em medicina e, ainda jovem, foi trabalhar com crianças que tinham necessidades especiais. A partir dessa experiência, desenvolveu um novo método pedagógico, que foi aplicado primeiro em escolas de educação infantil na Itália e depois se espalhou para o mundo.

 

Quais são os princípios montessorianos

Há três itens básicos que caracterizam a filosofia montessoriana:

  • Educação para a paz:
    o que não significa um pacifismo subserviente, mas ativo, da construção de um cidadão que participe da sociedade e que trabalhe com foco no bem-estar comum. A escola montessoriana não se preocupa apenas em dar conhecimento, mas em como esse conhecimento vai ser utilizado na sociedade.

 

  • Educação é ciência:
    a pedagogia deve se basear em preceitos científicos capazes de respeitar as leis do desenvolvimento da criança e suas fases evolutivas.

 

  • Educação cósmica:
    o respeito à estreita relação entre a natureza e a sociedade humana, mantendo a harmonia da vida. É um princípio relacionado à espiritualidade, mas sem nenhuma conexão religiosa.

 

 

Na prática, como isso funciona?

Existe um ingrediente fundamental na metodologia de ensino montessoriana, que é a  autoeducação.

É a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem, ou seja, é ela quem diz quando está pronta para o próximo passo. Como? Tendo à sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos à medida que ela demonstra interesse. O ensino das cores é um exemplo disso.

O primeiro material ao qual a criança tem acesso contém apenas as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Depois de ter interagido o suficiente, ela passa para um segundo material, com onze cores.

Quando se sentir preparada, interage com um terceiro material, com mais cores ainda, organizadas de acordo com uma gradação. É assim, passo a passo, que o conhecimento vai se aprofundando.

Nesse processo os materiais disponíveis são de suma importância e muitos deles foram desenvolvidos pela própria Maria Montessori. O mais famoso é o cubo dourado, que materializa o sistema decimal. A ideia é que a criança possa manipular, sentir as diferenças entre unidade, dezena e centena – em termos de tamanho, de peso, de visão, adquirindo uma noção matemática por meio de uma experiência concreta.

 

Outro ingrediente fundamental para a autoeducação é construir um ambiente que propicie a aprendizagem e a vivência. Por isso, na sala de aula, tudo fica ao alcance dos pequenos – mas de forma organizada, é claro. Existe a estante da linguagem, a estante da matemática e os materiais sensoriais.

E em cada espaço desses, tudo fica arrumado de acordo com o grau de dificuldade. Quanto mais ao alto – no máximo na altura da criança – e à esquerda, mais fácil é o material, e quanto mais a direita e mais baixo, mais difícil. Essa sequência de dificuldade acompanha a lógica da própria escrita (que vai da esquerda para a direita), fazendo com que a criança entenda o espaço de uma forma bastante intuitiva.

O que está mais alto, na altura dos olhos da crianças, é o que ela enxerga primeiro. À medida em que progride, ela precisa se abaixar para acessar lições mais complexas.

 

Também por causa da autoeducação, as crianças são divididas em grupos, nos quais convivem com colegas de idades diferentes. Geralmente, as crianças ficam juntas de 1 a 3 anos, de 3 a 6, de 6 a 9 e de 9 a 12 anos e assim por diante.

Isso porque o desenvolvimento não acontece de forma homogênea entre todas as crianças e as necessidades de cada uma variam de acordo com esse processo. Assim, elas podem conviver com outras crianças, com até 3 anos de diferença, que podem estar sintonizadas com as mesmas necessidades dela.

Outro ponto importante é que as escolas montessorianas adotam um currículo multidisciplinar, o que quer dizer que por meio de uma só experiência é possível trabalhar diferentes disciplinas. Ao aprender ritmo, aprende-se música e matemática junto, por exemplo.

 

E qual é o papel do professor?

Como é a própria criança que escolhe em que estação quer estar, o professor é, antes de tudo, um observador, treinado para perceber como a criança interage com o material.

“Em espanhol, no lugar de ‘professor’, as pessoas falam em ‘guia Montessori’, eu gosto muito desse termo”, comenta a diretora pedagógica do colégio Prima (SP), Edimara de Lima . Quando a criança não sai do mesmo material, cabe ao professor observar, para investigar o motivo pelo qual isso acontece: ela tem medo do insucesso, do novo, ela não se arrisca?

É esse tipo de percepção sensível que o educador precisa ter. Quando um dos alunos chega e fica parado e não escolhe nada, também cabe ao professor convidá-lo e ajudá-lo a escolher uma atividade.

“Manter o ambiente organizado, por exemplo, também é função das crianças, mas é, principalmente, uma função do professor. Se a criança sempre encontra o material em um mesmo lugar, ela tem tendência a devolvê-lo lá”, completa Edimara.

 

Será que funciona para o meu filho?

Antes de mais nada, o tipo de escola que a criança vai frequentar deve ser uma escolha da família. Edimara diz que quando perguntam a ela se o método Montessori é bom para qualquer criança, ela responde que sim, mas faz uma ressalva: “A escola tem que ser coerente com os valores e objetivos da família.

Uma criança de uma família mais rígida, pouco flexível, não vai se dar tão bem em uma escola montessoriana”, aconselha. É preciso olhar a escola como algo que vai muito além do projeto cognitivo. É preciso se perguntar que tipo de homens essa escola está formando, qual é a filosofia por trás do ensino.

Para o Montessori, não é importante o primeiro lugar na Fuvest, uma pontuação enorme no Enem… Estamos preocupados em formar gente que saiba escolher, que assuma suas escolhas, que tenha o bem comum sempre como o norte da sua vida.”, afirma Edimara.

Para ela, o que vai contar no futuro para quem passou por uma escola montessoriana é justamente a liberdade de fazer suas próprias escolhas. “A diferença do Montessori não está tanto no nível cognitivo, mas acho que são jovens que sabem sustentar e justificar suas escolhas. Sabem que uma escolha demanda uma responsabilidade e isso vai de uma série de outras posturas”, resume.

Por Naíma Saleh

 

 

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Em que Maria Montessori pode contribuir na Educação brasileira de hoje?

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Maria Montessori foi uma importantíssima educadora do século XX que, com toda certeza, deu o melhor de si para a educação das crianças. Tendo sido a primeira mulher a se formar em medicina na Itália, Montessori usou seu conhecimento científico no campo da educação.

Como uma médica se tornou uma das figuras mais ilustres da educação? Na realidade, ela começou a trabalhar com crianças com problemas mentais; e após criar um ambiente saudável para essas crianças especiais, notou-se uma melhora em seu comportamento e desenvolvimento.

As crianças deficientes mentais educadas/estudadas por Montessori participaram de uma espécie de concurso junto com crianças normais, porém sem que ninguém soubesse que eram crianças com deficiência mental; e, para espanto da própria Montessori, as suas crianças deficientes se saíram melhores que as crianças normais.

Obviamente ficou feliz pelo desenvolvimento de suas crianças, mas, por outro lado, ela ficou a se questionar o motivo de crianças normais terem rendimento menor do que crianças deficientes. Aquilo atormentou a doutora, que então passou a trabalhar com crianças normais.

 

Em suma, o que Montessori fez com aquelas crianças deficientes foi preparar um ambiente sadio e, a partir disso, educa-las a partir das suas necessidades próprias.

Quando foi trabalhar com crianças normais, ela pôde perceber com mais clareza que as crianças normais não eram educadas de acordo com suas necessidades, mas sim num ambiente de repressão e dor, que acabava por inibir o seu desenvolvimento pleno (moral, da personalidade, e não apenas intelectual).

Preciso confessar que tenho um questionamento semelhante ao de Montessori: por que crianças normais estão tendo desempenho tão ruins no Brasil? Por que o índice de analfabetismo funcional aumenta? Por que mesmo tendo mais escolas do que havia há cinquenta anos atrás, o Brasil ainda aparenta estar tão atrasado?

Talvez a educação de 20 ou 30 anos atrás era de nível elevadíssimo em comparação com o nível atual. O que podemos fazer? Afinal, a maioria das nossas crianças e jovens são absolutamente normais. O que está acontecendo no processo educacional brasileiro?

Bom, acredito que nós podemos responder há alguns destes questionamentos se estudarmos o próprio método Montessori, assim como também as novas pesquisas de neurociência que vem nos ajudar a entender o funcionamento do cérebro e a forma que aprendemos.

Mas de maneira especial, acredito que Maria Montessori, mesmo tendo falecido na metade do século XX, tem muito a nos ensinar no século XXI. Obviamente, boa parte dos seus escritos se referem a educação infantil, ou seja, pré escola (ou, especificamente, de crianças de 0 à 6 anos de idade).

 

Se focarmos na questão CRIANÇA PEQUENA, o método em questão é fascinante! Quando li no livro A formação do homem Montessori afirmando que havia crianças de 4 anos de idade sendo alfabetizada, fiquei extremamente encantado e desejoso de conhecer o método.

Quem quiser compreender o método Montessori de maneira ampla, e os exercícios sensoriais para auxiliar a criança na alfabetização espontânea, pode ler o livro Pedagogia Científica. Com certeza este livro auxiliará bastante quem deseja realmente fazer uma mudança positiva na educação brasileira.

O construtivismo distorcido e mal aplicado aqui no Brasil faz com que professores protelem o tempo de alfabetização das crianças, afirmando que “quando ela se sentir pronta, ela aprende”, e, não poucas vezes, a criança chega no Fundamental II com uma enorme deficiência na leitura e escrita.

E com a idade de 9-10 anos é bem mais maçante para a criança aprender. Mas, já com 4-6 anos de idade, segundo Montessori, a criança está no tempo da Mente absorvente, ou seja, ela tem uma energia interior que a faz aprender com grande facilidade e espontaneidade.

Portanto, os professores estão perdendo o tempo certo da alfabetização, deixando para depois, que, pelo funcionamento do cérebro da criança, será mais difícil fixar na mente.

 

Mas mesmo para o Ensino Fundamental II e Médio os ensinamentos de Montessori são úteis. Obviamente, por ter se dedicado quase que exclusivamente as crianças, a contribuição do método dela para crianças e adolescentes devem ser uma adaptação do método.

Falo isso justamente para evitar confusões; afinal, alguém poderia dizer que o aluno vai aprender só sem o auxílio dos professores, enquanto, na verdade, Montessori fala coisas semelhantes para crianças nos exercícios sensoriais, e não para adolescentes em aula de química.

Existem três princípios do Método Montessori que, adaptados de maneira correta nas demais etapas da educação, poderá contribuir significativamente para uma melhora na educação brasileira. No livro A Criança ela, usando a figura de um embrião vertebrado, faz a seguinte comparação:

  • […] poder-se-ia distinguir um todo dividido em três partes: cabeça, região torácica e região abdominal. E, depois, muitos pontos especiais que se vão definindo ordenadamente, pouco a pouco, terminando por solidificar-se: as vértebras.

    Assim, no primeiro esboço de um método educativo existe um todo, uma linha básica, onde se destacam três fatores principais: o ambiente, o professor e o material; além disso, muitas particularidades que se vão definindo, justamente com as vértebras. (Montessori, M. A Criança. 1936. Grifo meu)

 

Esta é, portanto, a vértebra do Método Montessori: o ambiente, o professor e o material. Se queremos transformar a educação no Brasil, devemos, a exemplo de Montessori, trabalhar nestes três pontos. O ambiente escolar, o professor e o material devem ser a vértebra do sistema educacional brasileiro.

No decorrer de A Criança ela explica muito bem como se faz isso na educação infantil, porém, estes princípios podem ser adaptados para os outros níveis. Façamos uma breve análise de como podemos construir essa vértebra educacional no Brasil.

 

Ambiente

Qual o ambiente escolar hoje? Bom, podemos encontrar de tudo nas escolas brasileiras. Tudo mesmo: cadernos, lápis, bola, pino de cocaína, maconha…

Mas o problema não fica somente na questão da criminalidade; o ambiente “normal” que as escolas têm não promove o aprendizado dos alunos.

Na educação infantil, Montessori criou um espaço preparado de acordo com as necessidades que a criança tem naturalmente. Falando de crianças maiores, 10 anos, ou mesmo adolescentes no ensino médio, como o ambiente pode influenciar no aprendizado? Nós não temos na maioria das escolas um ambiente que leve o estudante a… estudar!

Em suma, nós não temos muitos locais apropriados para a leitura, nem mesmo um real incentivo a leitura. Se um aluno não conseguir estudar em casa por x motivos, ele poderá estudar na escola após a aula? Dificilmente, nossas escolas são tão barulhentas quanto as ruas.

Talvez você diga que é natural de crianças e jovens serem barulhentos. Então, caríssimo, aí é que eu recomendo que você conheça o Método Montessori e descubra como ela colocava turmas lotadas de crianças fazerem silencia de maneira espontânea. A criança gosta de silêncio – e os jovens também; o problema é que nós não os exercitamos no silencio nem lhes preparamos um ambiente propício.

Muito se fala da polêmica da quase retirada da Educação Física das disciplinas obrigatórias do Ensino Médio. Mas, cara para nós: o ambiente para as atividades físicas não é o adequado na maioria das escolas – principalmente para quem estuda a tarde em regiões quentes. Quadras descobertas, falta de material adequado, etc.

Além do mais, a Ed. Física resume-se em duas ou três aulas por semana, onde uma parte é em sala, outra na quadra; muito pouco para fazer alguém ficar em forma. Ela torna-se, na verdade, uma espécie de confraternização dos jovens.

Resultado: saem da Ed. Física cansados, suados, agitados, e não conseguem prestar atenção na aula de Química, Física, Matemática ou qualquer outra disciplina. Afinal, estão agitados…Portanto, nosso “ambiente escolar” é todo bagunçado e não propicia um aprendizado eficaz nos jovens.

 

Professor

Várias pesquisas mostram que a quantidade de professores sem nível superior é enorme. É bem verdade que nem sempre um diploma resolve as coisas, afinal, ter nível superior não é o mesmo que ter didática. Há muitos mestres e doutores que  não conseguem transmitir com eficácia 10% do que ensinam. Porém, é preciso reconhecer que o professor é muito mal formado no Brasil.

Eu sou estudante de Pedagogia, e posso constatar isso. É incrível como nos direcionam para sermos construtivistas, embora citando algumas outras abordagens, porém, sempre somos bombardeados com os pensamentos de Paulo Freire.

Porém, se formos analisar os ensinamentos do próprio Piaget (um dos principais teóricos do construtivismo), podemos contatar que o Construtivismo piagetiano original é bem diferente do que nos ensinam na faculdade. O resultado disso é que formamos milhares de professores todos os anos despreparados, doutrinados sob uma verdadeira ideologia, que tem afetado negativamente várias crianças.

Outro dia mesmo encontrei um colega que cursava Letras, e fiquei surpreso ao saber que ele havia trancado. Um dos motivos relatados por ele, é que não levava jeito para essa coisa de professor, afinal, o que ele aprendia na faculdade, quando ia dar aula nos estágios, não funcionava nada. Eis o problema: a formação do professor é ruim, porque se reza a cartilha de Paulo Freire, enquanto educadores sérios – e a própria neurociência é deixada de lado.

Mas Maria Montessori fala algo importantíssimo sobre o professor em sua obra que fiquei impactado. Segundo a educação montessoriana, o professor não deve buscar corrigir a criança, mas sim os seus próprios defeitos.

Afinal, a criança age por imitação. Qual é o adulto que ela está imitando? Na própria escola – falando em educação infantil -, quando se vai alfabetizar a criança, ela irá escrever como escuta. Se eu não corrijo a maneira que eu falo, a criança vai falar e escrever errado. Eu preciso me corrigir.

Este princípio de corrigir os próprios defeitos, de buscar a própria perfeição, de buscar ser o melhor que pode – não para se exaltar, mas para ser o melhor para os outros, deve estar marcado com fogo no coração do professor. O professor é mal remunerado, mal reconhecido, mas é movido pelo amor.

E porque amamos as crianças e jovens, porque amamos esta VOCAÇÃO que DEUS nos deu, nós, mesmo sem os recursos que queríamos ter, devemos buscar ser os melhores professores que nossos alunos podem ter. Não é questão de remuneração, mas sim de que se nós não nos qualificarmos para contribuir na educação plena das crianças e jovens, teremos um futuro danificado pela ignorância.

  • O professor precisa entender essa sua vocação singular na sociedade atual. É preciso buscar a sadia perfeição por amor as crianças e jovens.

Mas, se queremos mudar o sistema, devemos clamar a Deus que realize o milagre de o Estado se importar com a educação. Aliás, não só no Estado, mas também nas próprias universidades que só sugam as mensalidades, mas nem sempre devolvem um ensino de qualidade.

É preciso que se dê formações sólidas, principalmente na área da neurociência (isso é importante, até porque Maria Montessori dizia que sua educação era científica, ou seja, usando que a ciência lhe dava na época. Hoje a ciência tem muito mais a contribuir, mas, no entanto, passamos mais tempo estudando Paulo Freire do que pesquisas da psicologia infantil, neurociência, etc).

É de suma importância que o Estado e a iniciativa privada invista em pesquisa científica, afinal, a universidade é um local de pesquisas (ou deveria ser).

Por fim, caríssimos, entendamos que o professor é uma peça fundamental para vencermos o jogo da educação no Brasil. Sem professores de qualidade, estaremos destruídos. Afinal, quem ensinará a verdade as crianças?

Um meio para salvar as crianças é o homeschooling, também conhecido como educação familiar. Mas os próprios pais precisam lutar contra seus próprios defeitos, e buscar dar duro para ensinar com eficácia aos filhos e/ou aprender junto com eles.

 

Material

Você já leu os livros didáticos dos teus filhos? Pois é, muitas vezes nós temos um material escolar que imbeciliza o aluno (principalmente em história, filosofia e sociologia). Além do bombardeamento da ideologia de gênero, muitas vezes o material em si traz o problemas de ser fraco mesmo.

Porém, fazendo uma adaptação do método montessoriano para crianças maiores e adolescentes, poderemos ganhar bastante. Montessori usava o sentido das crianças para ensiná-las (ou deixa-las aprender “sozinhas”). Só para servir de exemplo, a alfabetização se dava assim (de maneira bem resumida): a criança está na época de formar enriquecer a linguagem, tudo fixa muito rápido.

Como as línguas latinas são vocais, ou seja, cada letra representa um som, Montessori usava letras soltas onde as crianças podiam tocá-las, sentir o formato, as curvas, enquanto a metra dizia o som da letra, e uma palavra que começava com aquela letra.

Enfim, este alfabeto solto era um material sensorial, que, para esta idade, facilitava o aprendizado espontâneo da criança. Falando em ensino fundamental II e ensino médio, que materiais podemos utilizar?

O que precisamos entender é que passado o período da mente absorvente (por volta dos 6 anos), a criança precisará de um maior esforço para aprender as coisas. Portanto, ela precisará ouvir explicações e ter seu próprio esforço pessoal para fixar determinado conteúdo na mente.

Como bem explicava o Professor Pier, após a aula, o estudante precisa escrever no seu caderno, pois, lendo e escrevendo os pontos principais da aula, usará uma parte maior do seu cérebro e aprenderá com maior eficácia.

Portanto, embora a tecnologia tenha avançado bastante, livro, caderno e lápis ou caneta continuam sendo materiais essenciais para o estudante.

Quando se fala de materiais para auxiliar no ensino-aprendizagem, as pessoas logo vem com a ideia de tablets, computadores, aplicativos, etc. Mas isso não quer dizer eficácia no aprendizado. Tablets não podem substituir caderno e lápis nas escolas – e o professor Pier explica muito bem o porquê (usando a neurociência) (Clique aqui e assista a palestra).

Quando eu penso em materiais para auxiliar no ensino-aprendizagem do Fundamental II e Ensino Médio, me vem à mente, por exemplo, laboratórios de ciências. Qual escola pública tem laboratórios? Raríssimas! Os únicos laboratórios em que os alunos têm algum acesso é o de informática.

Além de não ter eficácia comprovada, parece que os computadores servem apenas para prender os alunos naquela sala com ar condicionado. Não, não gastemos dinheiro à toa. Precisamos gastar conscientemente. Precisamos equipar nas escolas verdadeiros laboratórios, onde o aluno não fique na teoria, mas, auxiliados pelo professor, possam ver na prática.

Isso sem contar a necessidade de se ter boas bibliotecas. Mas infelizmente onde se tem, pouco é usada. É necessário trabalhar inteligentemente nisso para fazer o aluno se interessar pela leitura.

 

Conclusão

No mais, caríssimos, a principal contribuição que Montessori nos dá é o exemplo de dedicação para educar as crianças. Ela deu o melhor de si em prol das crianças. Ela sabia perfeitamente que das crianças depende o futuro da humanidade.

Se as crianças eram educadas em ambientes que deformavam sua personalidade, teríamos (como temos) adultos cheios de transtornos, neuroses, doentes. Se queres salvar o mundo, salve as crianças. E se seu método educativo buscava a verdade e elevar todos à verdade, busquemos também isso.

Montessori foi inspiradíssima por Deus ao pegar os ensinamentos da medicina e aplicar a educação. Obteve grande êxito. Nós estamos na segunda década do século XXI, temos uma gama de pesquisas científicas nos mostrando como as crianças e jovens aprendem melhor e mais eficazmente. Que tal fazermos da nossa educação também uma Educação científica. Garanto que obteremos resultados positivos e pararemos de passar vergonha no PISA e demais avaliações internacionais.

 

círios de nazare e maria montessori

Fonte: Círios de Nazaré

 

 

 

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